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São Paulo

Liquidante do Master mira fundos de “estrutura Frozen” de Vorcaro

Ação diz que fundo com nome de princesa de Frozen lucrou R$ 200 milhões em um dia. Outros personagens, como Olaf e Sven, também são citados

Artur Rodrigues29/05/2026 02:15, atualizado 29/05/2026 06:35
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Arte sobre foto de divulgação
Daniel Vorcaro declarou à Receita Federal possuir R$ 49,7 milhões em obras de arte

Uma nova ação do liquidante do Banco Master mira uma estrutura de fundos batizada em referência a personagens da animação Frozen, da Disney, supostamente usada em um esquema de desvios.

O nome Frozen não seria ao acaso, segundo a ação impetrada na Justiça de São Paulo, nessa quarta-feira (27/5). Trata-se de uma uma referência velada ao dinheiro frio e recursos de origem ilícita ou não declarada que precisariam ser “aquecidos” por meio de operações aparentemente legais.

A ação visa evitar que bens desviados do Master desapareçam. Nesse caso, trata-se de um protesto contra três fundos, sendo um deles pertencente à chamada “estrutura Frozen”, denominado Anna – o nome seria uma referência à princesa Anna, uma das protagonistas do desenho. Outros fundos que fazem parte da estrutura são Olaf, um boneco de neve; Hans, um príncipe; e Sven, uma rena.

O esquema suspeito envolveria uma triangulação desenhada para tirar o dinheiro do banco e transformá-lo em patrimônio pessoal, usando os fundos como disfarce. Para o liquidante, o fluxo só funcionava porque o controlador do Master, Daniel Vorcaro, estaria nas duas pontas do negócio – o pagador e os recebedores.

O fundo Anna é citado como peça-chave em ativos inflados. Na peça, é citada uma operação em que o fundo teria ganhado R$ 200 milhões em menos de um dia, no ano passado. A transação foi a seguinte: o fundo Anna comprou cotas do fundo RSG pertencentes ao fundo Astralo 95 por R$ 900 milhões; no mesmo dia, revendeu ao fundo Máxima 2, controlado pelo Master, por R$ 1,1 bilhão.

O fundo é um dos listados com o objetivo de resguardar os direitos de credores do banco e evitar a dilapidação dos bens supostamente desviados. Para isso, o liquidante pede que o protesto fique registrado junto ao nome do fundo.

Lucro relâmpago

O Astralo 95 e outro fundo, o RR, também são alvo da ação. O RR realizou operação parecida com a registada pelo Anna: comprou cotas do RSG pertencentes ao Astralo 95 por R$ 153,6 milhões e as revendeu ao Máxima 2 no mesmo dia por R$ 330 milhões – um lucro de R$ 176,4 milhões em questão de horas.

A ação frisa que o fundo RSG, apesar de ter gerado tanto lucro para o fundo Anna quanto para o RR, na verdade, teria como único ativo de valor cotas que somam R$ 300 milhões.

“Ao todo, o Banco Master, por meio de seu veículo, desembolsou mais de R$ 1,438 bilhão e recebeu ativo cujo valor declarado de aquisição alcança apenas R$ 300 milhões. A propósito, sequer há elementos suficientes para aferir se o ativo de fato vale esse montante, o que permite concluir que o Banco Master pode ter desembolsado mais de R$ 1 bilhão sem qualquer benefício correspondente”, diz a ação.

O juiz ainda não se manifestou no processo. Em outros, porém, já deferiu ordem de protesto para bens bilionários.

Em março, o Metrópoles revelou que o liquidante mirava R$ 4,8 bilhões em bens e fundos de investimentos ligados a Daniel Vorcaro que podem ter sido desviados pelo banqueiro antes da liquidação da instituição financeira pelo Banco Central (BC), em novembro do ano passado.

Além de fundos, as ações tentam evitar que bens, como mansões, apartamentos de luxo e jatinhos, evaporem antes do ressarcimento aos credores.

Procurada, a defesa de Vorcaro afirmou que prefere não se manifestar.


Liquidação do Master e prisões de Vorcaro

  • O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025, em meio a uma crise de liquidez e ao escândalo de fraude envolvendo a compra da instituição de Daniel Vorcaro pelo Banco de Brasília (BRB).
  • Estima-se que o rombo deixado pelo Banco Master a investidores seja superior a R$ 50 bilhões. Parte dessa conta recaiu sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que pagou investidores que tinham até R$ 250 mil aplicados no Master.
  • Junto à liquidação do Master, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, por suspeita de crimes financeiros.
  • Vorcaro ficou 11 dias preso em São Paulo e foi libertado pela Justiça mediante uso de tornozeleira eletrônica.
  • Em março deste ano, Vorcaro foi preso preventivamente de novo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.

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