Compliance Zero: relembre as 6 fases e os desdobramentos da operação
Nesta quinta-feira (14/5), a Polícia Federal deflagrou a 6ª fase da Operação Compliance Zero. Pai de Daniel Vorcaro foi preso
atualizado
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A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (7/5), a 6ª etapa da Operação Compliance Zero, que aprofunda as investigações de um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Entre os alvos da operação está Henrique Vorcaro, pai do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
No total, nesta fase, a PF cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e de sequestro e de bloqueio de bens.
A Compliance Zero passou por cinco fases desde novembro de 2025, quando foi deflagrada a primeira fase e resultou na prisão do empresário e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Relembre todas as etapas da operação:
1ª fase — Novembro de 2025
Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase, que resultou em sete prisões, entre elas a do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro; o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio do banco; e o tesoureiro Alberto Félix.
Durante os mandados de busca, a PF apreendeu carros de luxo, obras de arte, relógios de alto padrão e R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo. Além das prisões, foram bloqueados R$ 12,2 bilhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas associadas ao esquema.
Vorcaro foi liberado mediante cumprimento de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de deixar o país, a entrega do passaporte e a impossibilidade de comunicação com outros investigados.
2ª fase — Janeiro de 2026
Deflagrada em 24 de janeiro, a etapa ampliou o alcance da investigação contra Vorcaro e atingiu familiares próximos do empresário. O pai, a irmã, o cunhado e um primo foram alvos de buscas.
A ação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, resultou no cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. O ministro Dias Toffoli, do STF, determinou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em ativos dos investigados.
Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi detido no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar para os Emirados Árabes. O empresário Nelson Tanure, conhecido por investir em empresas em dificuldades financeiras, também foi alvo.
Foram apreendidos carros importados, incluindo modelos da BMW e Land Rover, além de armas de fogo com munições e relógios de alto valor. O ministro Dias Toffoli, do STF, determinou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em ativos dos investigados.
3ª fase — 4 de março
Nesta fase, em 4 de março, a Polícia Federal cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em diversos estados incluindo Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro. No dia 4 de março, o banqueiro Daniel Vorcaro foi novamente preso após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
A terceira fase teve como objetivo investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, alavagem da dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.
Os alvos de prisão foram:
- Daniel Vorcaro, apontado como líder de uma milícia privada, que atuava para intimidar e coagir adversários e agentes públicos;
- Fabiano campos Zettel, que manteve atuação direta e reiterada em apoio às atividades desenvolvidas pelo cunhado Daniel Vorcaro;
- Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que mantinha relação direta de prestação de serviços com o dono do Banco Master, atuando como responsável pela execução de ativdades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado;
- Marilson Roseno da Silva, identificado como integrante relevante da estrutura de monitoramento e intimação vinculada ao grupo liderado por Daniel Vorcaro.
4ª fase — 16 de abril
Em 16 de abril, a Polícia Federal deflagrou a 4ª fase da Operação Compliance, revelando detalhes sobre supostas irregularidades na relação entre o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília). As investigações também indentificaram movimentações para venda de ao menos um dos imóveis, localizado em um edifício de alto padrão na reião do Itaim Bibi, em São Paulo.
De acordo com os investigadores, os bens teriam sido utilizados como forma de ocultar a origem do dinheiro, em um modelo considerado sofisticado de lavagem de capitais.
A operação resultou em prisões preventivas e buscas, como:
- Paulo Henrique Costa: ex-presidente do BRB, foi preso pela Polícia Federal. Ele é investigado por suspeita de participação em esquemas que favoreceriam instituições financeiras específicas.
- Daniel Monteiro: advogado que teria representado o Banco Master em negociações estratégicas com o BRB.
5ª fase — 7 de maio
No dia 7 de maio, a PF deflagrou nova fase da operação e entre os alvos estava o senador Ciro Nogueira (PP). A investigação da PF aponta que o presidente do Partido Progressistas teria recebido repasses mensais de R$ 500 mil de Daniel Vorcaro.
Os agentes cumpriram 10 mandatos de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária no Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. No DF, a PF foi a endereços ligados a Ciro Nogueira.
Na residência do senador foi apreendido uma motocicleta Honda CB1000, um carro BMW 440i e um malote com evidências recolhidas pela PF.
Além disso, a decisão judicial também determinou o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens, direitos e valores ligados aos investigados.
6ª fase — 14 de maio
A sexta fase, deflagrada nesta quinta-feira (14/5), investiga crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional. Entre os alvos, destaca-se Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, dono do Master.
Henrique, que foi preso em Belo Horizonte, é um empresário mineiro do setor de infraestrutura e construção pesada em Minas Gerais. Ele é o fundador e líder do Grupo Multipar, um conglomerado que atua em diversos segmentos, incluindo engenharia, energia, agronegócio e o setor imobiliário.
Segundo informações da PF, uma delegada e uma agente da corporação também foram presas.
