Ricardo Nunes comenta prisão de irmã em São Paulo: “Lei é para todos”
Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes afirmou que irmã tem problema de alcoolismo e defendeu prisão em Unidade Básica de Saúde
atualizado
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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), comentou nesta terça-feira (20/1) a prisão da irmã dele, Janaína Reis Miron. A mulher estava foragida por desacato, embriaguez e lesão corporal e foi detida na última quinta-feira (15/1), após alerta do sistema Smart Sampa – principal bandeira da gestão emedebista.
“Já tem mais de 15 anos que não converso. Nossa família fez de tudo para ela sair do vício, infelizmente não conseguimos”, disse o prefeito durante entrevista coletiva. “A lei é para todos. Não é porque é conhecido ou parente que vai ter um tratamento diferenciado.”
Janaína tem problemas de dependência em álcool e foi diagnosticada com cirrose. Conforme revelado pelo Metrópoles em primeira mão, ela foi detida em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), na Avenida Clara Mantelli, no bairro Socorro, zona sul de São Paulo, enquanto buscava medicamentos para a doença.
Câmeras do Smart Sampa em UBSs
Um dia antes da prisão de Janaína em uma unidade de saúde, a gestão Nunes defendeu a instalação de câmeras de segurança do Smart Sampa em UBS. A medida foi criticada pelo Conselho Municipal de Políticas Públicas de Drogas e Álcool do Município de São Paulo (Comuda) depois de um paciente ser “identificado” e preso por engano por guardas municipais durante terapia em um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) — não havia mandado de prisão contra ele, como alegava a GCM.
Durante a coletiva, o Metrópoles questionou se o prefeito mantém a posição em defesa do Smart Sampa dentro das UBS. A resposta foi afirmativa.
Na avaliação do prefeito, o programa é importante para identificar criminosos e foragidos e avaliar filas ou eventuais intercorrências nas unidades. “É um trabalho tanto da área de segurança quanto de gestão, para mostrar como está o atendimento [nas UBS]. É o Smart Sampa voltado para a qualidade do serviço às pessoas”, comentou.
Por que a irmã de Ricardo Nunes foi presa?
Janaína Reis Miron foi condenada por embriaguez ao volante e por desacato após episódio em outubro de 2022. Na ocasião, ela foi abordada por policiais militares durante a madrugada por dirigir “com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool” na Rodovia SP-209.
Um dos agentes disse, em depoimento, que flagrou Janaína “ziguezagueando” pela via. A mulher demonstrou sinais de embriaguez, não portava documentos e estava com o licenciamento e habilitação vencidas.
Quando foi informada que seria levada à delegacia, Janaína xingou os PMs e “ameaçou soltar os cães que estavam em seu carro na equipe”. Segundo um dos agentes, a mulher “ficou bem descontrolada” e sugeriu sair correndo pela rodovia.
Ainda em tom de ameaça, ela disse que seu marido era capitão da polícia e prejudicaria os agentes de alguma maneira. Janaína afirmou ainda que os PMs “deveriam estar pegando ladrão ao invés de abordar uma mãe de família”.
Mulher se negou a fazer teste do bafômetro
A irmã do prefeito se recusou a fazer o teste de bafômetro, mas os agentes constataram que ela estava embriagada, “com voz pastosa, odor etílico e desequilíbrio ao andar e falar”.
Os mandados de prisão foram expedidos em 2024 e em outubro de 2025. Na ação penal, Janaína foi condenada a 15 meses de detenção, em regime aberto, e ao pagamento de 23 dias-multa. Ela nunca teria iniciado o cumprimento da pena, por isso o mandado em aberto.
À Justiça, a irmã do prefeito negou o consumo de bebida alcoólica e alegou que estava sob efeito de medicação devido a um tratamento psiquiátrico. Ela disse, ainda, que havia dois cães da raça pit bull dentro do carro e que era perigoso que os PMs se aproximassem.
A mulher afirmou também que não havia necessidade de ser presa porque “não estava fora de si”, “não causa mal a ninguém” e “é mãe”. Acrescentou que os policiais não possuíam bafômetro e só passou por exame de corpo de delito no dia seguinte, conforme a sentença.
O juiz Orlando Haddad Neto, no entanto, concluiu que a embriaguez ficou demonstrada na prova oral e que “não há motivos para desacreditar as palavras das testemunhas policiais”. Além disso, o magistrado apontou que, mesmo que ela estivesse sob efeito de medicamentos, “se colocou em estado de embriaguez involuntária”.
Logo após a prisão, a Prefeitura de São Paulo afirmou que o caso foi “amparado por mandados judiciais” e obedeceu ao “rigor da lei”.








