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Desacato e embriaguez: o que se sabe sobre a prisão da irmã de Nunes

Janaína Reis Miron foi detida na quinta-feira (15/1), na zona sul de São Paulo. A irmã do prefeito era alvo de dois mandados de prisão

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Janaína Reis Miron, irmã do prefeito de São Paulo Ricardo Nunes
1 de 1 Janaína Reis Miron, irmã do prefeito de São Paulo Ricardo Nunes - Foto: Reprodução / Redes Sociais

Irmã do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), a advogada Janaína Reis Miron foi presa na quinta-feira (15/1), na zona sul da capital paulista. Conforme publicado pelo Metrópoles em primeira mão, a mulher era alvo de dois mandados de prisão por desacato, embriaguez e lesão corporal. Ela foi detida após alerta do sistema Smart Sampa – principal bandeira da gestão emedebista.

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Janaína Reis Miron, irmã do prefeito Ricardo Nunes (MDB), presa na quinta-feira (15/1)
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Segundo fontes próximas ao prefeito, Nunes e Janaína não tinham contato há cerca de 15 anos. A mulher tem problemas de dependência com álcool e foi diagnosticada com cirrose. Ela ainda teria um transplante marcado para a próxima terça-feira (20/1).

Como foi a prisão da irmã de Nunes?

Janaína Reis Miron foi detida por volta das 15h20 em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), na avenida Clara Mantelli, no bairro Socorro, zona sul de São Paulo. Ela foi identificada por câmeras de monitoramento do Smart Sampa. No momento da prisão, Janaína buscava remédios para o tratamento da cirrose na UBS.

Ela foi conduzida ao 11º Distrito Policial (DP), de Santo Amaro, também na zona sul. Conforme confirmado ao Metrópoles pelo advogado Alexandre Fanti, que esteve na delegacia para acompanhar o caso como representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Janaína passou a noite detida e terá audiência de custódia nesta sexta-feira (16/1).

Por que a irmã de Nunes era alvo de dois mandados de prisão?

Janaína Reis Miron foi condenada por embriaguez ao volante e por desacato após episódio em outubro de 2022. Na ocasião, ela foi abordada por policiais militares durante a madrugada por dirigir “com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool” na Rodovia SP 209.

Um dos agentes disse em depoimento que flagrou Janaína “ziguezagueando” pela via. A mulher demonstrou sinais de embriaguez, não portava documentos e estava com o licenciamento e habilitação vencidas.

Quando foi informada que seria levada à delegacia, Janaína xingou os PMs e “ameaçou soltar os cães que estavam em seu carro na equipe”. Segundo um dos agentes, a mulher “ficou bem descontrolada” e sugeriu sair correndo pela rodovia

Ainda em tom de ameaça, ela disse que seu marido era capitão da polícia e prejudicaria os agentes de alguma maneira. Janaína afirmou ainda que os PMs “deveriam estar pegando ladrão ao invés de abordar uma mãe de família”.

A mulher se recusou a fazer o teste de bafômetro, mas os agentes constataram que ela estava embriagada, “com voz pastosa, odor etílico e desequilíbrio ao andar e falar”.

Os mandados de prisão foram expedidos em 2024 e em outubro de 2025. Na ação penal, Janaína foi condenada a 15 meses de detenção, em regime aberto, e ao pagamento de 23 dias de multa. Ela nunca teria iniciado o cumprimento da pena, por isso o mandado em aberto.

À Justiça a irmã do prefeito negou o consumo de bebida alcoólica e alegou que estava sob efeito de medicação devido a um tratamento psiquiátrico. Ela disse ainda que havia dois cães da raça pit bull dentro do carro e que era perigoso que os PMs se aproximassem.

A mulher afirmou também que não havia necessidade de ser presa porque “não estava fora de si” e que “não causa mal a ninguém” e “é mãe”. Acrescentou que os policiais não possuíam bafômetro e só passou por exame de corpo de delito no dia seguinte, conforme a sentença.

O juiz Orlando Haddad Neto, no entanto, concluiu que a embriaguez ficou demonstrada na prova oral e que “não há motivos para desacreditar as palavras das testemunhas policiais”. Além disso, o magistrado apontou que, mesmo que ela estivesse sob efeito de medicamentos, “se colocou em estado de embriaguez involuntária”.


Condenada por bater em filho

  • Além da prisão por desacato, embriaguez e lesão corporal, a irmã de Nunes havia sido condenada por agressões contra o próprio filho, de 11 anos.
  • Os atos, ocorridos em 2014, incluíram mordidas, puxões de cabelo, batidas da cabeça contra a parede e arremesso de objetos.
  • A violência teria resultado em lesões corporais leves confirmadas em exame de corpo de delito.
  • A decisão judicial de abril de 2024 apontou a gravidade dos episódios e determinou a condenação da ré a 8 meses de detenção em regime aberto por agressões contra seu filho de 11 anos.

O que diz a prefeitura?

A Prefeitura de São Paulo afirmou que a prisão de Janaína Reis Miron, irmã do prefeito Ricardo Nunes (MDB), foi “amparada por mandados judiciais” e obedeceu ao “rigor da lei”.

Em nota, a administração municipal destacou que a detenção foi realizada seguindo os critérios de identificação do Smart Sampa, sistema de monitoramento utilizado pela cidade e uma das principais bandeiras da gestão do prefeito.

O Metrópoles entrou em contato com a defesa de Janaína, mas não obteve retorno até o momento. O espaço segue aberto.

Com informações de Rebeca Ligabue, Ramiro Brites, Demétrio Vecchioli, Jessica Bernardo e Julia Gandra.

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