Protesto de estudantes termina em confronto com vereadores em SP
Estudantes de USP, Unesp e Unicamp realizavam ato que foi interrompido após início de confusão com parlamentares. PM precisou intervir
atualizado
Compartilhar notícia

Um protesto organizado por estudantes das universidades estaduais de São Paulo terminou em uma confusão com vereadores, na tarde desta segunda-feira (11/5).
Segundo informações da Polícia Militar (PM), cerca de 60 alunos das instituições se reuniram em frente ao prédio da Secretaria Estadual da Educação, na República, região central de São Paulo. Por volta das 14h30, a concentração foi para a frente do prédio da Reitoria da Universidade Estadual Paulista (Unesp), onde seria realizada uma reunião dos reitores das universidades — o encontro acabou sendo cancelado, mesmo antes da realização do ato.
A manifestação, então, foi interrompida após o início de uma “briga generalizada” envolvendo dois vereadores de São Paulo — conforme apurado pela reportagem, Adrilles Jorge e Rubinho Nunes, ambos do partido União.
Nos últimos dias, Adrilles vinha fazendo publicações contra a greve dos estudantes da Universidade de São Paulo (USP), e chegou a publicar um vídeo, nesta segunda, para apontar a suposta violência dos manifestantes.
Segundo a assessoria do vereador, os estudantes estudantes teriam começado o confronto, e Adrilles teria sido agredido após questioná-los durante o ato.
Ainda de acordo com a PM, policiais intervieram na confusão. A polícia afirma que não houve uso de “munição de menor impacto” — balas de borracha, gás de pimenta, gás lacrimogêneo —, mas esse ponto é contestado pelos estudantes, que afirmam que foram usados gases de pimenta e lacrimogêneo para dispersar os envolvidos.
O Metrópoles procurou a Secretaria de Segurança Pública (SSP) para obter maiores detalhes sobre os acontecimentos, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
A reportagem também aguarda retorno mais detalhado dos organizadores da manifestação estudantil.
Entenda a greve dos estudantes
- A principal motivação da manifestação é a divergência dos alunos com a decisão de reajuste do PAPFE (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil) – política de auxílio socioeconômico da universidade.
- Atualmente, o valor do benefício é de R$ 885 por mês, para alunos que não residem na moradia estudantil, e R$ 330 para os residentes.
- Os estudantes, no entanto, propõem aumento do valor para R$ 1.804, o equivalente a um salário mínimo paulista.
- Em comunicado, emitido no dia 29/4, a reitoria informou que não iria acatar o pedido de aumento do auxílio. O documento também encerrou as possibilidades de negociação para esse assunto e para as demais demandas exigidas pelo corpo discente.
PM removeu estudantes de reitoria ocupada
A Polícia Militar usou “corredor polonês” com cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogênio para desocupar a reitoria da Universidade de São Paulo (USP) na madrugada deste domingo (10/5). O prédio foi ocupado por estudantes na tarde da última quinta-feira (7/5), em meio à greve motivada pelo aumento do benefício estudantil.
Os vídeos enviados ao Metrópoles mostram a ação da PM (veja acima), iniciada por volta das 4h15. De dentro da Reitoria da USP, os policiais se organizaram em fila para agredir os alunos que deixavam o prédio. Outra gravação mostra os agentes retirando mesas e barracas montadas pelos estudantes.
Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), dezenas de alunos ficaram feridos e quatro foram detidos. O DCE responsabilizou o reitor da USP, Aluísio Segurado, e o chefe de gabinete do reitor, Edmilson de Freitas, pela violência e questionou sobre a ação ter sido realizada sem determinação judicial.
