Estudantes ocupam prédio da Reitoria da USP em meio a paralisação
Greve na universidade já dura 3 semanas, e alunos protestam contra decisão da Reitoria sobre demandas exigidas na paralisação
atualizado
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Durante manifestação, na tarde desta quinta-feira (7/5), estudantes ocuparam o saguão da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), em protesto pelo posicionamento da gestão da universidade de encerrar as negociações sobre as demandas cobradas na greve.
O ato iniciou por volta das 14h, e portões do prédio foram derrubados às 16h pelos estudantes que estavam na manifestação, impulsionado pelos grupos do movimento estudantil da universidade. Durante o acontecimento, a Polícia Militar (PM) foi acionada.
Em nota, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) repudiou o ocorrido, acusando os estudantes de agirem com violência, vandalismo e depredação de patrimônio público. No comunicado, o órgão afirmou que os atos não são compatíveis com os princípios fundamentais para o bom funcionamento do espaço acadêmico.
O Metrópoles entrou em contato com o Diretório Central dos Estudantes (DCE) Fernando Vannucchi Leme, que declarou que a ocupação ocorreu de forma pacífica e sem depredação, ao contrário do que acusa a PRIP.
Confira a nota na íntegra:
“Os estudantes em greve da USP tomaram hoje a decisão de ocupar a Reitoria da USP, de forma pacífica e sem depredação, como acusa a PRIP de forma mentirosa.
A nossa ação é um pedido justo e legítimo frente à intransigência da Reitoria que unilateralmente fechou a mesa de negociação, sem o acordo não apenas dos negociadores mas sobretudo da grande maioria dos cursos que seguem em greve em mais de 3 semanas.
O que pedimos não é nada demais: queremos a reabertura da mesa de negociação. A nossa reivindicação é justa e precisa ser atendida. Se a Reitoria quer acabar com a greve, não será ignorando a forte mobilização que os estudantes estão fazendo, mas atende nosso pedido de escuta.
Rechaçamos qualquer tentativa de criminalização do movimento. O que é um ato de violência não é lutar por nossos direitos, mas ter que conviver com bolsas insuficientes, larvas na comida e moradia precária. Fazemos um apelo: Reitoria, reabra a mesa de negociação! É por isso que hoje ocupamos o seu escritório.”
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Motivação do ato
A principal motivação da manifestação é a divergência dos alunos com a decisão de reajuste do PAPFE (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil), política de auxílio socioeconômico da universidade.
Hoje, o valor do benefício é de R$ 885 por mês para alunos que não residem na moradia estudantil, e R$ 330 para os que residem. Os estudantes, no entanto, propõem que esse valor aumente para R$ 1.804, o equivalente à um salário mínimo paulista.
Porém, em comunicado emitido no dia 29/4, a reitoria informou que o aumento para o auxílio não iria acontecer, além de ter encerrado as possibilidades de negociação para essa e demais demandas exigidas pelo corpo discente.
O que diz a USP
Ao Metrópoles, a Universidade de São Paulo afirmou que lamenta profundamente a escalada de violência que levou à invasão do prédio principal da Reitoria por manifestantes, com danos ao patrimônio público.
“Diante dessa situação, e respaldada juridicamente, a Universidade adotou as medidas cabíveis, acionando as forças de segurança pública que, já presentes no local, atuam para evitar a ocupação de outros espaços e prevenir maiores danos patrimoniais. Em toda a ação, serão priorizadas a segurança e a integridade física de todos os envolvidos.”
Por fim, a USP garante que suas unidades de ensino e pesquisa, institutos especializados, museus e órgãos da administração central “manterão regularmente suas atividades, cumprindo a missão institucional que lhe foi confiada pela sociedade paulista que nos mantém.”















