Deputadas acionam órgãos contra Tarcísio e PM após desocupação na USP

Em meio à greve por reajuste em benefício, PM usou bombas e “corredor polonês” para retirar estudantes de prédio na madrugada

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução / Mariana Greco Mantovan
Alunos ocupam prédio da Reitoria da USP
1 de 1 Alunos ocupam prédio da Reitoria da USP - Foto: Reprodução / Mariana Greco Mantovan

As deputadas federais Sâmia Bomfim e Erika Hilton, ambas do PSol, informaram que vão acionar órgão de Justiça contra a violência durante a desocupação da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP). Na madrugada desse domingo (10/5), policiais militares usaram bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e um “corredor polonês” para retirar os estudantes grevistas do prédio.

Nas redes sociais, Sâmia Bomfim disse que acionará a Corregedoria da Polícia Militar e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) para apurar a conduta “ilegal e truculenta”. Já Erika Hilton acionou a Procuradoria-Geral de Justiça contra o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), a Polícia Militar e a Reitoria da USP.

“O protesto, legítimo, pede apenas que estudantes em vulnerabilidade social tenham a possibilidade de continuar a sua formação. E é um absurdo que o poder público se recuse a negociar, parta para a violência e que quatro estudantes tenham sido detidos por exercerem seu direito constitucional ao protesto”, afirmou.

Pouco antes da invasão da reitoria, na terça-feira (5/5), Tarcísio disse que a greve dos estudantes não entra na cabeça dele e que a paralisação tem “cunho político”. Segundo o governador, o ato é uma “perda de oportunidade” e os alunos “têm que estudar”, “têm que fazer o melhor”.

Violência na USP

Por volta das 4h15, policiais utilizaram bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e um “corredor polonês” com cassetetes para retirar estudantes do prédio, ocupado desde a última quinta-feira (7/5) em meio à greve motivada pelo aumento do auxílio estudantil.

A Reitoria da USP afirmou que não foi avisada pela PM sobre a ação.

Em nota, a reitoria alegou que informou sobre a ocupação à Secretaria de Segurança Pública (SSP) na própria quinta-feira “com vistas à adoção dos protocolos de proteção e de preservação da ordem de competência das autoridades policiais”. A USP, no entanto, sustenta que o espaço foi desocupado “sem comunicação prévia à reitoria”.

A universidade ainda lamentou os acontecimentos e repudiou que a “violência substitua o diálogo, a pluralidade de ideias e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias”. A reitoria afirmou que continuará atuando com responsabilidade institucional, buscando a pacificação do ambiente universitário.

Sobre as reivindicações dos alunos, a USP alegou que manteve diálogo com o movimento estudantil, mas que as tratativas chegaram a um limite por causa da impossibilidade de atendimento das demandas dos alunos. “A Reitoria segue aberta a um novo ciclo de diálogo com a finalidade de consolidar o que já foi encaminhado nas reuniões com a representação estudantil, o que pressupõe a manutenção do direito de ir e vir em todos os espaços da Universidade.”


Entenda a greve na USP

  • A principal motivação da manifestação é a divergência dos alunos com a decisão de reajuste do PAPFE (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil) – política de auxílio socioeconômico da universidade.
  • Atualmente, o valor do benefício é de R$ 885 por mês, para alunos que não residem na moradia estudantil, e R$ 330 para os residentes.
  • Os estudantes, no entanto, propõem aumento do valor para R$ 1.804, o equivalente a um salário mínimo paulista.
  • Em comunicado emitido no dia 29/4, a reitoria informou que não iria acatar o pedido de aumento do auxílio. O documento também encerrou as possibilidades de negociação para esse assunto e para as demais demandas exigidas pelo corpo discente.

Na manhã do domingo, a SSP afirmou que a desocupação contou com cerca de 50 policiais e foi concluída sem registros de feridos. A pasta disse que toda a ação foi registrada pelas câmeras corporais dos agentes e as imagens serão anexadas aos autos.

Segundo a SSP, foram apreendidos entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes. Quatro pessoas foram conduzidas ao 7º Distrito Policial (Lapa), onde foi registrado boletim de ocorrência por dano ao patrimônio público e alteração de limites. Após a qualificação, elas foram liberadas.

“A Polícia Militar ressalta que eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas. O policiamento segue no local para garantir a ordem pública e a integridade do patrimônio público”, finalizou a nota.

Metrópoles procurou a secretaria novamente para comentar a suposta falta de comunicação à reitoria e de decisão judicial para a reintegração. A pasta disse que vinha acompanhando a situação desde o acionamento da Reitoria no dia da invasão. Segundo a SSP, a desobstrução foi realizada sem registro de feridos, “observando o poder-dever do Estado de preservar a segurança das pessoas, a ordem pública e a proteção do patrimônio público”.

Bombas e “corredor polonês”

Vídeos enviados ao Metrópoles mostram a ação da PM (veja acima) durante a reintegração. De dentro da Reitoria da USP, os policiais se organizaram em fila para agredir os alunos que deixavam o prédio. Outra gravação mostra os agentes retirando mesas e barracas montadas pelos estudantes.

Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), dezenas de alunos ficaram feridos e quatro foram detidos. O DCE responsabilizou o reitor, Aluísio Segurado, e seu chefe de gabinete, Edmilson de Freitas, pela violência e questionou sobre a ação ter sido realizada sem determinação judicial.

Em nota nas redes sociais, o DCE afirmou que a reitoria envergonha a comunidade acadêmica. “Diante de tudo, os estudantes representados pelo DCE livre da USP Alexandre Vannucchi Leme refirmam: nossos passos vêm de longe, nossa história é de luta e não iremos parar por aqui”, diz o texto.

Suspensão das negociações

Na sexta-feira (8/5), o reitor Aluísio Segurado sugeriu acionar a Justiça para desocupar o prédio e descartou o reajuste no auxílio. Segundo ele, a proposta final é elevar o benefício de R$ 885 para R$ 912.

“Estamos no teto, que é R$ 912. Os [outros] programas de bolsas estão aí e podem aumentar muito o valor por estudante”, disse o reitor.

Ele indicou que os alunos podem se inscrever em projetos de monitoria, por exemplo, para aumentar o valor da assistência que recebem.

Segurado disse, ainda, que os estudantes estavam intransigentes nos últimos dias e diziam que a negociação duraria até que “todas as reivindicações fossem atendidas”, o que, segundo ele, não seria possível.

Para o reitor, o reajuste de R$ 27 no PAPFE já havia atendido à reivindicação de um aluno, que comprovou que o benefício perdeu valor por causa da inflação de 2025. Durante negociação anterior, Segurado diz ter avisado aos alunos que seria inadmissível elevar o auxílio a um salário mínimo, como eles defendiam.

Apesar disso, parte dos estudantes argumenta que o bônus de R$ 4.500 aprovado para professores é a prova de que há verba para melhorar a permanência estudantil. A aprovação do bônus, segundo eles, mostra que a USP estaria privilegiando uma categoria em detrimento da outra, o que o reitor nega.

Estudantes convocaram uma manifestação nesta segunda-feira (11/5) e uma assembleia geral sobre a greve, inclusive com possibilidade de adesão dos cursos de outras universidades estaduais de São Paulo.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?