USP: alunos de medicina aderem à greve e paralisam serviços no HC e HU

Apesar do curso de medicina estar em greve há duas semanas, os internos do HC e HU aderiram à paralisação somente nesta segunda-feira (11/5)

atualizado

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Os alunos do internato da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) aderiram à greve dos estudantes e vão paralisar os atendimentos e atividades práticas no Hospital das Clínicas (HC) e no Hospital Universitário (HU), nesta segunda-feira (11/5). A decisão ocorre um dia após a reintegração de posse da reitoria da USP pela Polícia Militar (PM), que estava ocupada por grevistas até a madrugada desse domingo (10/5).

Os estudantes lutam principalmente contra o programa “Experiência HCFMUSP na Prática” que vende vagas de estágio por R$ 8.450 para alunos de faculdades privadas estagiarem no Hospital das Clínicas e no Hospital Universitário. Eles também protestam contra o sucateamento do HU, que perdeu cerca de 30% de seu quadro de funcionários na última década, e reivindicam melhorias no Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE) e nos restaurantes universitários.

“Estamos diante de um processo de mercantilização do ensino médico público. O que deveria ser prioridade para os estudantes da universidade pública e para o atendimento da população está sendo transformado em produto”, afirma Henrick Munhoz Martins, vice-presidente do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (CAOC) e membro do comando de greve.

Durante a fase de internato na FMUSP, os alunos exercem atividades práticas da profissão e auxiliam nos atendimentos dos hospitais. Eles realizam anamneses (entrevistas com pacientes), exames físicos detalhados, rodízios por especialidades médicas e consultas sob supervisão. Agora, as atividades foram paralisadas pelos alunos em protesto.

O Metrópoles procurou o Hospital das Clínicas, o qual informou que a paralisação não impactou “na assistência aos pacientes do complexo”. A reportagem também entrou em contato com o HU, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Ato na República

Nesta segunda-feira, os alunos também organizam um ato em frente à reitoria da Universidade Estadual Paulista (Unesp), na Praça da República, no centro da capital, às 14h. No local, estava prevista uma mesa de negociações do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), mas que foi cancelada “de forma preventiva, visando preservar a integridade de todos os participantes e assegurar condições apropriadas para futuras tratativas institucionais”. Mesmo com o cancelamento da reunião, o ato está mantido pelos grevistas.

O ato também ocorre após a ação da PM na reitoria da universidade. Os estudantes afirmam que a ocupação da reitoria ocorreu após o encerramento unilateral das negociações pela gestão da USP, sem atendimento das reivindicações consideradas mínimas pelo movimento. O movimento também denuncia problemas estruturais nas políticas de permanência estudantil e nas condições de vida dentro da universidade, incluindo críticas recorrentes à qualidade da alimentação nos restaurantes universitários.


Entenda a greve na USP

  • A principal motivação da manifestação é a divergência dos alunos com a decisão de reajuste do PAPFE (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil) – política de auxílio socioeconômico da universidade.
  • Atualmente, o valor do benefício é de R$ 885 por mês, para alunos que não residem na moradia estudantil, e R$ 330 para os residentes.
  • Os estudantes, no entanto, propõem aumento do valor para R$ 1.804, o equivalente a um salário mínimo paulista.
  • Em comunicado emitido no dia 29/4, a reitoria informou que não iria acatar o pedido de aumento do auxílio. O documento também encerrou as possibilidades de negociação para esse assunto e para as demais demandas exigidas pelo corpo discente.

 

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