USP: “Não entra na minha cabeça a greve dos estudantes”, diz Tarcísio
Governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou nesta terça (5/5) que a greve tem “cunho político” e que os alunos “têm que estudar”
atualizado
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou na tarde desta terça-feira (5/5) que a greve dos estudantes da Universidade de São Paulo (USP) não entra na cabeça dele e que a paralisação tem “cunho político”. Segundo Tarcísio, o ato é uma “perda de oportunidade” e os alunos “têm que estudar”, “têm que fazer o melhor”.
“Eu sei que um dia eu vou estar no mercado de trabalho e o mercado vai cobrar. Então, eu quero o máximo de ferramenta. Para mim, não entra na minha cabeça a greve dos estudantes”, criticou o governador, que é pré-candidato à reeleição ao governo estadual.
A declaração foi feita durante uma agenda no Palácio dos Bandeirantes, onde ele anunciou investimentos em rodovias do interior paulista. Além de falar em “perda de oportunidade” dos alunos, ele saiu em defesa da “autonomia universitária” para fazer a distribuição e a alocação dos recursos financeiros.
“Tem uma questão da autonomia universitária. Então, a gente não entra nas questões de gestão. A universidade tem autonomia para fazer a distribuição e a alocação de recursos. Seu orçamento tem sido assim ao longo do tempo e eu acredito que esse é o modelo que funciona”, afirmou o governador.
O comentário faz referência à pauta grevista de isonomia salarial levantada por funcionários e alunos após uma gratificação de R$ 4.500 ser aprovada para professores que desenvolverem projetos considerados estratégicos pela universidade.
A bonificação custará R$ 239 milhões anuais ao orçamento da USP e beneficiará apenas professores, enquanto estudantes lutam por melhores condições de permanência e os funcionários reivindicam melhores condições de trabalho.
Greve dos estudantes na USP
- A paralisação de estudantes da USP teve início no dia 14 de abril, como forma de apoio ao movimento de servidores e em protesto por melhores condições de permanência estudantil.
- Mais de 105 cursos aderiram à greve em diferentes unidades, incluindo os campi do Butantã, na zona oeste, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), na zona leste, além do Largo São Francisco, do Quadrilátero da Saúde, no centro, e unidades do interior.
- Entre as principais reivindicações estão a melhoria na qualidade dos restaurantes universitários, o fim de processos de privatização, a garantia de espaços estudantis e o aumento do auxílio para o valor de um salário mínimo paulista.
- Estudantes também cobram isonomia nas políticas de valorização dentro da universidade, apontando diferenças entre os reajustes destinados a docentes, servidores e alunos.
Vitória dos funcionários
Antes da greve dos estudantes, os servidores técnicos e administrativos da USP também decretaram paralisação por tempo indeterminado. A categoria encerrou a greve no dia 24 de abril depois de firmar um acordo com a reitoria.
A administração da universidade se comprometeu a instituir um programa de gratificação aos servidores, que será pago mensalmente, enquanto durar o bônus aos professores. O valor destinado será igual ao total do montante reservado aos docentes, e deverá ser dividido igualmente pelo número de servidores técnicos e administrativos. A gratificação ainda precisará passar pela aprovação das Comissões de Orçamento e Patrimônio (COP) e de Legislação e Recursos (CLR) da universidade.
Caso a medida avance e todos os professores elegíveis para o programa de bonificação sejam contemplados, a instituição investirá R$ 476,88 milhões para as gratificações de docentes e funcionários somadas.
Outras reivindicações também foram acordadas com a reitoria, como a não punição dos grevistas, o pagamento pelos dias parados e o compromisso de uma reunião de negociação com estudantes.
