Janaina Paschoal quer aula em gabinete da Câmara durante greve na USP
Vereadora, que é professora da USP, bateu boca com estudantes grevistas após ser impedida de dar aulas
atualizado
Compartilhar notícia

A vereadora paulistana Janaina Paschoal (PP) afirma ter oferecido seu gabinete na Câmara Municipal para receber alunos em meio a uma greve de estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
Professora da faculdade, Janaína, que bateu boca com estudantes em meio à greve, afirma ter sido impedida de trabalhar e ofereceu essa possibilidade, uma vez que também teria sido proibida pela direção de dar aulas on-line.
“Meus alunos estão sendo impedidos de apresentar seminários, que valem nota. Na sexta (24/4), tentei dar aula, mas fui impedida. Os alunos fecharam as passagens com cadeiras. O reitor nos proibiu de dar a aulas on-line. Na outra greve, eu dei as aulas teóricas e avaliei os seminários por vídeo. Desta vez, a proibição foi expressa”, diz.
A vereadora afirma ter proposto se reunir para retirar as cadeiras usadas pelos alunos para fechar as entradas, mas que também não foi autorizada. “Então, para não prejudicar os alunos, propus receber os grupos para fazer as apresentações em meu gabinete, amanhã. Estou ajudando como posso, uma vez que as autoridades competentes não estão garantindo nosso direito ao trabalho e à educação”, afirma.
Para ela, a greve dá munição a pessoas que querem privatizar a faculdade.
Bate-boca
Um vídeo recebido pelo Metrópoles mostra o momento da confusão entre a vereadora e os alunos na última sexta-feira. Janaina está em um corredor quando passa a criticar o movimento. “Cadê a diretora dessa faculdade? Cadê o reitor? Cadê o secretário de Ciência e Tecnologia? Cadê o governador do estado? […] Vocês estão tomando um prédio público. Não é legítimo tomar um prédio público”, disse a vereadora.
Os estudantes da Faculdade de Direito aprovaram a adesão à greve da USP em uma assembleia na última quinta-feira (23/4), por 902 votos a 459. Entre outras pautas, o grupo pede melhorias nos restaurantes universitários, conhecidos como bandejões, que têm apresentado problemas, como a presença de larvas na comida e desabastecimento de proteínas.
Em nota ao Metrópoles, o Centro Acadêmico XI de Agosto, que representa os estudantes, disse que, “como estratégia de mobilização, foram organizados piquetes para interromper as atividades acadêmicas da graduação, visando dar visibilidade às pautas do movimento”.
“A vereadora e professora do Departamento de Direito Penal, Janaina Paschoal, manifestou-se contrariamente à paralisação. Na ocasião, a docente atravessou o bloqueio organizado pelos estudantes, o que resultou em uma discussão com os alunos que defendiam a continuidade do protesto e o exercício do direito de manifestação”, diz a nota do centro acadêmico.
