Em dia de debate sobre greve na USP, alunos acham caramujo na comida
Greve na USP teve início em 14 de abril, cobra permanência e aumento no auxílio. Universidade propõe reajuste da bolsa de R$ 885 para R$ 912
atualizado
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Em meio às negociações da greve, realizadas na noite da última quinta-feira (30/4), estudantes da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), na zona leste de São Paulo, relataram ter encontrado um caramujo na comida servida no Restaurante Universitário (RU). Segundo os alunos, essa não é a primeira vez que há queixas sobre a qualidade das refeições, incluindo relatos de insetos nos alimentos.
Ao Metrópoles, um estudante, que prefere não se identificar, contou que foi almoçar no Restaurante Universitário no mesmo dia em que ocorria a segunda mesa de negociação da greve e acabou encontrando um caramujo no meio da comida.
Auxílio estudantil divide reitoria e alunos
Segundo relatos de estudantes envolvidos nas negociações, o principal impasse segue sendo financeiro. No centro da discussão, está o auxílio do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), destinado a alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica para garantir a continuidade dos estudos.
De acordo com os estudantes, a proposta apresentada pela universidade prevê um aumento de R$27 no valor do auxílio, passando de R$885,00 para R$912,00. O reajuste foi considerado insuficiente pelo movimento.
Para um dos alunos, o cenário evidencia um desequilíbrio nas prioridades. “No mesmo dia em que aparece um caramujo na comida, a proposta para os estudantes é de apenas R$27 para encerrar a greve”, afirma.
As negociações entre estudantes e reitoria seguem sem acordo e devem se estender pelos próximos dias. Na reunião, realizada na última quinta-feira, as partes voltaram a discutir os termos para encerrar a paralisação. Até o momento, não há previsão de acordo.
Greve na USP
- A paralisação de estudantes da Universidade de São Paulo (USP) teve início no dia 14 de abril, como forma de apoio ao movimento de servidores e em protesto por melhores condições de permanência estudantil.
- Ao todo, 105 cursos aderiram à paralisação em diferentes unidades, incluindo os campi do Butantã, na zona oeste, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), na zona leste, além do Largo São Francisco, do Quadrilátero da Saúde, no centro, e unidades do interior.
- Entre as principais reivindicações estão a melhoria na qualidade dos restaurantes universitários, o fim de processos de privatização, a garantia de espaços estudantis e o aumento do auxílio para o valor de um salário mínimo paulista.
- estudantes também cobram isonomia nas políticas de valorização dentro da universidade, apontando diferenças entre os reajustes destinados a docentes, servidores e alunos.
Histórico do bandejão da EACH-USP
O episódio não é isolado. O Metrópoles já havia noticiado outras denúncias envolvendo a qualidade da alimentação no Restaurante Universitário da EACH-USP.
Alunos já relataram a presença de carunchos — pequenos insetos comuns em grãos armazenados — no feijão, além de episódios de comida estragada e até suspeitas de intoxicação alimentar. Nos últimos meses, segundo os estudantes, os casos se tornaram mais frequentes, com registros de insetos em diferentes alimentos, como frango, e sobremesas com sinais de mofo, aumentando a preocupação com as condições de preparo e armazenamento das refeições.
Ao Metrópoles, o Centro Acadêmico de Gestão de Políticas Públicas informou que as falhas teriam se intensificado desde o início do ano, com críticas à redução de opções no cardápio, queda na qualidade das refeições e falta frequente de alternativas, como pratos vegetarianos.

















