USP mantém aulas, provas e presença mesmo com greve estudantil

Mesmo com alunos de 104 cursos em greve desde 14 de abril, USP mantém aulas, provas, presença obrigatória e prazos acadêmicos normalmente

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1 de 1 Imagem colorida de greve na USP; reitoria revogou minuta que motivou paralisação - Metrópoles - Foto: Cedido ao Metrópoles/Pedro Lukas Costa

As direções de unidades e membros de comissões de graduação receberam um comunicado da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade de São Paulo (USP), nessa quarta-feira (22/4), informando que não estão autorizadas mudanças no calendário acadêmico, mesmo após o início da greve estudantil, desde o dia 14 de abril. Na prática, isso significa que as aulas, provas, registros de presença e prazos para lançamento de notas devem continuar normalmente, como se não houvesse paralisação.

No documento, a Pró-Reitoria reforça a “necessidade de observância integral do calendário escolar” e afirma que “não estão previstas nem autorizadas alterações no período de aulas”, nem mudanças em prazos de matrícula, lançamento de notas ou frequência. Também não será permitida a mudança do formato das aulas presenciais para o ensino remoto, nem a substituição por conteúdos gravados.

A orientação, de acordo com a PRG da USP, é manter integralmente o calendário aprovado pelo Conselho de Graduação, com o objetivo de garantir o cumprimento dos dias letivos. Com isso, estudantes que aderirem à greve podem ter faltas registradas e seguir sujeitos às avaliações previstas.

Estudantes veem “tentativa de retaliação” da Reitoria

A decisão da PRG repercute entre os alunos da universidade, que enxergam a determinação como um “ataque” e uma “tentativa de retaliação” da Reitoria. Em nota oficial publicada nas redes sociais, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) afirmou que a greve é um direito e que a portaria “busca desmobilizar o movimento estudantil, ao permitir que estudantes sejam prejudicados pela ausência de aulas ou pelo cumprimento rígido de prazos, como o lançamento de notas”.

 

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O DCE destacou que a proibição de aulas remotas e gravadas, conforme previsto nas normativas internas da USP, impede que os professores recorram a alternativas que contornem a paralisação. “Isso contribui para preservar a efetividade da greve e garantir condições mais igualitárias entre os estudantes, evitando que parte da comunidade acadêmica siga o calendário normalmente enquanto outra é prejudicada”, argumentou a organização estudantil.

O grupo concluiu o posicionamento pedindo a prorrogação do prazo final para o lançamento de notas e o respeito ao direito de greve, como medida mínima para mitigar os impactos acadêmicos. O DCE reitera que “a forma mais rápida de encerrar a greve é a abertura imediata de um processo efetivo de negociação por parte da Reitoria”.


O que está acontecendo na greve da USP

  • Estudantes de 104 cursos da Universidade de São Paulo estão em greve por tempo indeterminado, segundo levantamento do Diretório Central dos Estudantes (DCE).
  • A paralisação foi anunciada em 14 de abril e tem como foco críticas à precarização dentro da universidade.
  • O movimento reúne alunos de unidades da capital e também do interior paulista.
  • Na capital, participam estudantes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Escola Politécnica (Poli) e Escola de Comunicações e Artes (ECA).
  • No interior, há adesão em cursos da USP São Carlos e do campus de Ribeirão Preto, incluindo áreas como Química, Educação Física e Psicologia.

O que os estudantes pedem

  • Melhorias nas condições dos restaurantes universitários e críticas à privatização dos bandejões.
  • Aumento do valor do auxílio permanência (PAPFE) para o equivalente a um salário mínimo paulista.
  • Ampliação dos programas de permanência estudantil.
  • Defesa de espaços estudantis dentro da universidade.
  • Igualdade de condições entre docentes e funcionários.

Paralisação

Os alunos da universidade já haviam feito paralisação na última terça-feira (14/4) em defesa das demandas e também em apoio à greve dos funcionários, aprovada pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), que reivindica reajuste salarial e benefícios oferecidos aos professores.

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Estudantes bloqueiam acessos na FAU-USP em dia de paralisação na universidade
Alunos também aderiram à paralisação no campus USP-Leste
Protesto de estudantes
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Cadeiras são empilhadas no prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
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Estudantes bloqueiam acessos na FAU-USP em dia de paralisação na universidade
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Alunos também aderiram à paralisação no campus USP-Leste
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Protesto de estudantes
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Protesto de estudantes

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Ao todo, 104 cursos nos campi do Butantã, da zona leste, do Largo do São Francisco, no Quadrilátero da Saúde, no centro, além dos campi do interior aderiram ao ato de terça-feira. Como forma de sinalizar o protesto, os alunos organizaram “piquetes” nos prédios dos institutos, empilhando mesas, cadeiras e outros objetos na entrada das salas de aula, para interditar a passagem.

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