metropoles.com

Justiça penhora R$ 500 milhões em combustíveis da Refit para quitar dívida

Decisão favorável à Procuradoria Geral de São Paulo tem como objetivo garantir pagamento de dívidas de ICMS no estado de São Paulo

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução
Foto colorida de tanque de combustíveis da refinaria Refit - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de tanque de combustíveis da refinaria Refit - Metrópoles - Foto: Reprodução

Após pedido da Procuradoria Geral de São Paulo (PGE/SP), a Justiça paulista autorizou a penhora de R$ 500 milhões em combustíveis da Refinaria de Petróleo de Manguinhos S/A, a Refit. A decisão acontece em meio a uma disputa sobre dívidas de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço (ICMS) — o grupo comandado pelo empresário Ricardo Magro é apontado como o maior devedor de ICMS do estado.

De acordo com a procuradoria, o juiz entendeu que a penhora não interfere no direito de propriedade da empresa sobre as mercadorias enquanto não houver uma eventual decisão da Receita Federal determinando o perdimento definitivo dos produtos. O combustível bloqueado faz parte de uma apreensão de aproximadamente 180 milhões de litros realizada pela Receita em setembro de 2025 e está sob custódia da Petrobrás.

Na decisão, a Vara das Execuções Fiscais Estaduais da Capital estabeleceu que a penhora seja equivalente ao limite do valor atualizado das dívidas. O bloqueio também deve ser formalizado no processo administrativo que tramita na Receita.

Para garantir que a dívida seja paga e que o Estado tenha prioridade para receber o que é devido, as decisões determinaram que a Receita e a Petrobrás sejam oficialmente comunicadas sobre o bloqueio e avisem caso haja qualquer mudança na situação legal dos produtos.


Operação Cadeia de Carbono

  • Apontada como maior devedora de ICMS ao estado de São Paulo, a Refit teve uma carga de 180 milhões de litros apreendida pela Receita Federal em setembro de 2025.
  • A operação, batizada de Cadeia de Carbono, foi deflagrada para apurar crimes na importação e comercialização de combustíveis, petróleo e derivados.
  • De acordo com a Receita, o objetivo foi desarticular organizações criminosas especializadas na interposição fraudulentas utilizadas para ocultar os reais importadores e a origem dos recursos financeiros das operações. “Esse modelo sustenta crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal”, afirmou o órgão.
  • O órgão disse ainda que as investigações apontam possível envolvimento de laranjas, organizações criminosas e grupos empresariais de grande porte, que se utilizam de cadeias contratuais complexas para ocultar os verdadeiros responsáveis e os fluxos financeiros das operações.
  • “Além das ações fiscais, a Receita Federal mantém diálogo permanente com o Poder Judiciário, de modo a assegurar suporte legal e institucional às medidas de retenção, perdimento e responsabilização, fortalecendo a efetividade das operações e a proteção do interesse público”, reforçou a instituição.

Esquema de R$ 26 milhões

Em novembro de 2025, nomes ligados ao grupo Refit foram alvo de nova operação contra um esquema que teria causado prejuízo de R$ 26 bilhões aos cofres estaduais e federal.

 

 

A Secretaria da Fazenda identificou diversas empresas ligadas ao grupo empresarial investigado que aparecem como laranjas, visando afastar a responsabilidade pelo recolhimento de ICMS devido.

Segundo a promotoria, o Grupo Refit ignorava a imposição de diversos Regimes Especiais de Ofício feitos pela secretaria e criava novas estratégias e mecanismos para prosseguir com a fraude fiscal “com o intuito de não recolher tributos e ofender a livre concorrência”.

De acordo com a Receita Federal, o esquema tinha uma empresa financeira “mãe” controlando diversas “filhas” e, assim como na operação Carbono Oculto, que descobriu um esquema bilionário entre fintechs e o PCC em agosto deste ano, usou brechas regulatórias, como as “contas-bolsão”, que impedem o rastreamento do fluxo dos recursos. A principal vertente financeira tinha 47 contas bancárias em seu nome, vinculadas contabilmente às empresas do grupo.

Após a paralisação das distribuidoras ligadas à Carbono Oculto, o grupo alterou totalmente sua estrutura financeira, substituindo o modelo usado desde 2018 por outro com novos operadores e empresas. Esses operadores, antes responsáveis por movimentações de cerca de R$ 500 milhões, passaram a movimentar mais de R$ 72 bilhões após 2024.

A promotoria definiu a fraude financeira como um fluxo financeiro “extremamente estruturado e sofisticado”, perpetuado através do mercado financeiro. Houve movimentação bilionária circulando por dezenas de fundos de investimentos e instituições financeiras, com apoio e participação direta de administradoras e gestoras desses fundos.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?