“Mommy makeover”: mulher que morreu em cirurgia deixou bebê de 5 meses
Juliana Silva Xavier, de 39 anos, morreu no último dia 14/5, após procedimentos estéticos em hospital no Ibirapuera, zona sul da capital
atualizado
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Juliana Silva Xavier, de 39 anos (foto em destaque), que morreu no último dia 14/5 após complicações relacionadas a uma série de procedimentos conhecida como “mommy makeover”, deixou um bebê de 5 meses. Ela era gerente comercial de uma loja varejista em Iguape, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo e viajou à capital para realizar as cirurgias.
O caso é investigado como morte suspeita pela Polícia Civil.
Segundo o viúvo de Juliana, Luís Antônio Castro Barros, de 42 anos, a mulher sonhava com os procedimentos. Antes da gestação, ela precisou adiar uma cirurgia plástica quando descobriu a gravidez do primeiro filho. O bebê nasceu em dezembro de 2025.
Quatro meses após o parto, Juliana voltou a marcar os procedimentos com o médico Carlos Eduardo Contato.
O chamado “mommy makeover” – “reforma da mamãe”, na tradução do inglês – é um conjunto de cirurgias plásticas combinadas para restaurar o contorno corporal feminino alterado após a gravidez e a amamentação.
O marido de Juliana disse ao Metrópoles que chegou a questionar a segurança dos procedimentos poucos meses após a esposa ter passado por uma cesárea. “Perguntamos sobre os riscos desses procedimentos [mommy makeover], e ele [o médico] disse não haver perigo. Eu voltei a questioná-lo, e ele reforçou que eram cirurgias rápidas e simples”, disse Barros.
As cirurgias foram realizadas no último dia 12 de maio, no Hospital Ruben Berta, na zona sul da capital. Devido a complicações observadas poucas horas depois das cirurgias, Juliana precisou ser transferida para o Hospital Alvorada Moema, onde teve a morte cerebral constatada três dias depois.
“Ela [Juliana] era muito bondosa, amorosa. Cuidava da saúde, do corpo; adorava fazer academia. Era o sonho dela [fazer os procedimentos] e estava determinada e feliz. Ela pagou uma parte, e eu, outra”, explicou Barros. Ele completou afirmando que, após o falecimento da esposa, o médico nem sequer enviou mensagem de consolo aos familiares: “Não prestou auxílio, muito menos uma mensagem de consolo, nada”.
O que diz o médico
Em nota, o advogado Raul Canal, que defende o médico Carlos Eduardo Contato, disse que, “no período pós-operatório, porém, houve uma grave e inesperada intercorrência clínica, decorrente de alterações orgânicas apresentadas pela própria paciente, prontamente identificada pela equipe assistencial”, disse.
Ele diz que a paciente teve a assistência necessária e que, depois, foi feito suporte especializado e acompanhamento multidisciplinar e, “apesar de todos os esforços médicos empregados pelas equipes envolvidas, infelizmente a paciente evoluiu a óbito”.
O defensor também pontuou que o caso continua sob apuração, incluindo análise pericial do Instituto Médico-Legal (IML).
“Lamentamos profundamente o falecimento da paciente e nos solidarizamos sinceramente com seus familiares e amigos neste momento de dor”, afirma o advogado.
O Metrópoles procurou o Hospital Ruben Berta, onde Juliana passou pela cirurgia. A unidade de saúde respondeu afirmando que se solidariza com amigos e familiares da paciente e que “o procedimento cirúrgico ocorreu dentro da normalidade, sobrevindo intercorrência no período de internação pós-operatória”.
“A paciente recebeu toda a assistência necessária e foi transferida para outra unidade hospitalar para avaliação de equipe multidisciplinar, onde infelizmente veio a óbito. Neste momento, aguardamos a conclusão da perícia e dos esclarecimentos técnicos para compreensão efetiva dos fatos”, disse em nota.
Já o Alvorada Moema, para onde Juliana foi transferida, também disse se solidarizar com amigos e familiares e prestar todo o suporte necessário. A unidade hospitalar afirmou ter recebido o pedido de transferência de Juliana no dia 13/5. “A paciente foi admitida em estado grave e, embora nossas equipes tenham realizado todos os esforços médicos e assistenciais, veio a óbito na noite do dia 14”, diz a nota.