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São Paulo

MPSP compara atuação do PCC em empresa de ônibus com máfia italiana

Operação Última Parada deflagrada nesta quinta (25/6) apontou vínculos do grupo investigado por lavagem de dinheiro e a máfia italiana

25/06/2026 09:35
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Reprodução/Instagram
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A operação deflagrada na manhã desta quinta-feira (25/6) contra um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) utilizando a empresa de ônibus Transunião, em São Paulo apontou que o grupo investigado mantinha “pontos de contato” com a máfia italiana Ndrangheta.

Segundo a representação obtida pelo Metrópoles, durante as investigações o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil encontraram ligação do circuito econômico usado para a lavagem de dinheiro no esquema de ônibus com o de outros grupos criminosos investigados anteriormente nas operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi — esta última investigou a organização criminosa da Itália.

Além da utilização do mesmo “modus operandi” para absorver e dissimular recursos ilícitos, o MPSP aponta agentes comuns entre a operação desta quinta e Mafiusi. Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”, e Lourival de França Monário, são alvos de mandados de prisão. Além deles, a investigação também cita Fábio Fernandes de Souza, que participou do Conselho de Administração da Transunião entre 2020 e 2023.

A Operação Última Parada, desta quinta-feira, apontou que o vereador Senival Pereira de Moura (PT) atuou como líder oculto da Transunião. Além dele, outras quatro pessoas são alvos de mandados de prisão, entre integrantes do PCC e o presidente “formal” da empresa de ônibus.

Agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil, e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, cumpriram mandados na capital paulista, na região metropolitana, e no município de Extrema, em Minas Gerais.

Morte de ex-diretor

A operação desta quinta é fruto de uma investigação iniciada em 2020, após o assassinato do então presidente da Transunião, Adauto Soares Jorge. Durante as investigações sobre a morte de Adauto, as autoridades encontraram provas que apontavam uso da concessionária no esquema do PCC.

Apenas em 2025, a empresa auferiu mais de R$ 300 milhões do sistema de transportes paulistano. De acordo com o MPSP e a Polícia Civil, ficou comprovada a existência de um núcleo paralelo para tomar decisões relativas à empresa, incluindo a transferência de valores para criminosos ligados ao PCC.

As autoridades também ressaltam que a própria mudança societária da Transunião teve origem ilícita, já que houve um salto do capital social de pouco mais de R$ 100 mil para uma cifra superior a R$ 50 milhões sem que a origem desses novos recursos ficasse clara.

Vereador preso

Senival Pereira de Moura (PT), que atualmente ocupa o cargo de primeiro-secretário da Mesa Diretora e de presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara Municipal de São Paulo e está em seu 6º mandato foi preso no âmbito das investigações de lavagem de dinheiro.

Segundo as autoridades, Senival é identificado como uma “instância superior de comando” no esquema. Trocas de mensagens revelaram que repasses financeiros e decisões empresariais dependiam da anuência do petista, tratado pelos codinomes “presidente”, “véio”, “velhinho” e “vereador”.

Segundo o documento da polícia, Senival seria o principal responsável por instrumentalizar Transunião para a lavagem de dinheiro em favor de indivíduos ligados ao PCC. O homicídio de Adauto Soares Jorge (ex-presidente formal da empresa), em 2020, teria ocorrido porque integrantes do PCC acreditavam que Adauto estava desviando valores em benefício de Senival.

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