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Mirelle Pinheiro

MP aponta vereador do PT como operador político de esquema do PCC

A investigação apura a infiltração da facção criminosa na concessionária de transporte coletivo Transunião

25/06/2026 07:35
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Reprodução
vereador Senival Moura (PT)

Apontado pelo Ministério Público de São Paulo como o operador político de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), o vereador paulistano Senival Moura (PT) foi preso na manhã desta quinta-feira (25/6) durante a Operação Última Parada. A investigação apura a infiltração da facção criminosa na concessionária de transporte coletivo Transunião, que recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema municipal de transporte apenas em 2025.

A operação foi deflagrada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão e 104 de busca e apreensão em São Paulo, na Grande São Paulo, no interior, no litoral e em Extrema (MG).

Além de Senival Moura, também foram presos o presidente da Transunião, Lourival de França Monário, e os investigados Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, e Devanil Sousa Nascimento, o “Sapo”. Os dois últimos já respondem pelo homicídio de um antigo tesoureiro da concessionária.

Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, Senival exercia a função de operador político do grupo criminoso junto ao poder público, enquanto a organização utilizava a empresa de ônibus para ocultar e movimentar recursos provenientes do crime organizado.

As investigações começaram após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020. A apuração identificou um núcleo paralelo que, segundo os investigadores, controlava decisões estratégicas da empresa, incluindo a transferência de recursos para integrantes do PCC.

A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 194,4 milhões por conta bancária de aproximadamente 100 pessoas físicas e 50 pessoas jurídicas. Considerando todos os alvos, o valor máximo das restrições patrimoniais pode alcançar R$ 30 bilhões. Também foram bloqueados 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.

O Judiciário ainda determinou o afastamento da diretoria da Transunião, a intervenção administrativa na concessionária e a suspensão de dezenas de empresas apontadas como responsáveis por integrar o esquema de lavagem de dinheiro.

De acordo com os investigadores, as movimentações financeiras identificadas apresentam conexões com outras operações que apuram a atuação financeira do PCC, entre elas Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi, que investigou a ligação da facção paulista com a organização mafiosa italiana ’Ndrangheta.