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Mirelle Pinheiro

Vereador é preso em operação contra PCC e empresa de ônibus de SP

Ao todo, a Justiça expediu cinco mandados de prisão e 104 mandados de busca e apreensão cumpridos em São Paulo e Minas Gerais

25/06/2026 06:33, atualizado 25/06/2026 07:03
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Reprodução
vereador Senival Moura (PT)

O vereador da cidade de São Paulo Senival Moura (PT), integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e a cúpula da concessionária de ônibus Transunião estão entre os alvos da Operação Última Parada, deflagrada na manhã desta quinta-feira (25/6) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo.

A investigação aponta que a empresa de transporte público teria sido utilizada pela facção criminosa para ocultar e movimentar recursos ilícitos por meio de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro.

Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão e 104 mandados de busca e apreensão na capital paulista, na Grande São Paulo, no interior do estado e em Extrema (MG). Entre os presos estão o vereador Senival Moura e o presidente da Transunião, Lourival de França Monário.

As investigações tiveram início após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da concessionária, em 2020. A partir da apuração desse crime, policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) identificaram indícios de que integrantes do PCC passaram a exercer influência direta sobre a administração da empresa.

Segundo os investigadores, foi descoberto um núcleo paralelo que tomava decisões estratégicas dentro da concessionária, incluindo a movimentação de recursos destinados a integrantes da organização criminosa.

As apurações também apontam que a estrutura societária da empresa passou por uma mudança considerada incompatível com sua realidade financeira.

O capital social da Transunião teria saltado de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões, sem que a origem dos recursos fosse devidamente esclarecida.

Em 2025, a empresa recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema municipal de transporte coletivo. Para os investigadores, parte dessa estrutura teria sido utilizada para dar aparência de legalidade a recursos provenientes do crime organizado.

Por determinação da Justiça, foram bloqueados até R$ 194 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados e à concessionária. Também foi decretada a indisponibilidade de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.

A decisão judicial ainda determinou o afastamento da diretoria da Transunião e autorizou a comunicação à Prefeitura de São Paulo para adoção das medidas necessárias, incluindo eventual intervenção administrativa na concessionária, a fim de garantir a continuidade do serviço de transporte público.

De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, o esquema investigado apresenta conexões com outras operações de combate à lavagem de dinheiro atribuída ao PCC, entre elas Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi, esta última conduzida pela Polícia Federal para investigar a ligação entre a facção paulista e a organização mafiosa italiana ’Ndrangheta.

A Operação Última Parada mobilizou cerca de 350 policiais civis, seis promotores de Justiça e equipes especializadas do Deic, Garra, GER e GRT. As investigações continuam para identificar outros integrantes da organização criminosa e aprofundar a análise da movimentação financeira do grupo.