Entenda suspeitas contra o vereador Senival Moura, preso em operação
Vereador petista foi preso preventivamente nesta quinta-feira (25/6) durante operação contra lavagem de dinheiro com empresas de transporte

Alvo de uma operação contra um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de empresas de ônibus de São Paulo, o vereador Senival Pereira de Moura (PT) é apontado pela investigação como um líder oculto da empresa Transunião.
Além do político, outros dois alvos foram presos durante a Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público paulista na manhã desta quinta-feira (25/6). Mais duas pessoas com mandados de prisão expedidos pela Justiça paulista são procuradas.
Pedidos de prisão temporária
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- Jair Ramos de Freitas (“Cachorrão”): apontado como autor do homicídio de Adauto Soares Jorge e articulador da lavagem de dinheiro.
- Senival Pereira de Moura (vereador): identificado como real beneficiário e líder oculto da Transunião.
- Leonel Moreira Martins: operador financeiro e elo entre a empresa e o núcleo familiar beneficiário.
- Lourival de França Monário: atual diretor-presidente formal da Transunião, envolvido em movimentações financeiras incompatíveis.
- Devanil de Souza Nascimento (“Sapo”): apontado como operador e suporte de Senival Moura.
Segundo a representação policial, obtida pelo Metrópoles, Senival é identificado como uma “instância superior de comando” no esquema. Trocas de mensagens revelaram que repasses financeiros e decisões empresariais dependiam da anuência do petista, tratado pelos codinomes “presidente”, “véio”, “velhinho” e “vereador”.
Planilhas internas também mostram que Senival era o beneficiário real de, ao menos, 13 ônibus que estavam em nome de terceiros ou da própria Transunião. Os CPFs do político e de familiares, como esposa e filhos, aparecem vinculados aos ativos.
A investigação identificou ainda que ele movimentou mais de R$ 8,7 milhões entre 2019 e 2022, sendo que R$ 2,47 milhões não possuem origem declarada. Além disso, o vereador possui um patrimônio imobiliário de alto padrão, considerado incompatível com sua remuneração oficial.
Segundo o documento da polícia, Senival seria o principal responsável por instrumentalizar Transunião para a lavagem de dinheiro em favor de indivíduos ligados ao PCC. O homicídio de Adauto Soares Jorge (ex-presidente formal da empresa), em 2020, teria ocorrido porque integrantes do PCC acreditavam que Adauto estava desviando valores em benefício de Senival.
A investigação ainda aponta que assessores vinculados ao gabinete de Senival na Câmara Municipal ocupavam simultaneamente cargos estratégicos na administração da Transunião e de outras empresas do grupo, sugerindo a instrumentalização para garantir os interesses do vereador.
A autoridade policial também ressalta que Senival exerce atualmente os cargos de 1º Secretário da Mesa Diretora e Presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara Municipal de São Paulo, o que lhe confere poder de fiscalização e regulamentação sobre o próprio setor em que a Transunião opera.
Em diligências realizadas no escritório do petista, a polícia apreendeu diversos documentos e dispositivos digitais relacionados à operação da Transunião. Devido a esses indícios, a autoridade policial representou pela sua prisão temporária e pela busca e apreensão em seus endereços.
O Metrópoles entrou em contato com a assessoria do vereador Senival Moura e não obteve retorno. O espaço está aberto para atualizações.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo disse que aguarda notificação de decisão judicial para tomar as medidas cabíveis e que, enquanto, isso as linhas operadas pela Transunião seguem funcionando normalmente.

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