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São Paulo

Entenda suspeitas contra o vereador Senival Moura, preso em operação

Vereador petista foi preso preventivamente nesta quinta-feira (25/6) durante operação contra lavagem de dinheiro com empresas de transporte

25/06/2026 07:42, atualizado 25/06/2026 18:56
Câmara Municipal de São Paulo/Reprodução
Senival Moura -Metrópoles

Alvo de uma operação contra um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de empresas de ônibus de São Paulo, o vereador Senival Pereira de Moura (PT) é apontado pela investigação como um líder oculto da empresa Transunião.

Além do político, outros dois alvos foram presos durante a Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público paulista na manhã desta quinta-feira (25/6). Mais duas pessoas com mandados de prisão expedidos pela Justiça paulista são procuradas.

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Vereador de São Paulo foi preso nesta quinta (25/6)
Senival está no 6º mandato na Câmara de Vereadores de SP
Presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara de SP
Senival Moura (PT)
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Vereador de São Paulo foi preso nesta quinta (25/6)
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Senival está no 6º mandato na Câmara de Vereadores de SP
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Presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara de SP
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Presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara de SP

Câmara Municipal de São Paulo/Reprodução

Pedidos de prisão temporária

    • Jair Ramos de Freitas (“Cachorrão”): apontado como autor do homicídio de Adauto Soares Jorge e articulador da lavagem de dinheiro.
    • Senival Pereira de Moura (vereador): identificado como real beneficiário e líder oculto da Transunião.
    • Leonel Moreira Martins: operador financeiro e elo entre a empresa e o núcleo familiar beneficiário.
    • Lourival de França Monário: atual diretor-presidente formal da Transunião, envolvido em movimentações financeiras incompatíveis.
    • Devanil de Souza Nascimento (“Sapo”): apontado como operador e suporte de Senival Moura.

Segundo a representação policial, obtida pelo Metrópoles, Senival é identificado como uma “instância superior de comando” no esquema. Trocas de mensagens revelaram que repasses financeiros e decisões empresariais dependiam da anuência do petista, tratado pelos codinomes “presidente”, “véio”, “velhinho” e “vereador”.

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Planilhas internas também mostram que Senival era o beneficiário real de, ao menos, 13 ônibus que estavam em nome de terceiros ou da própria Transunião. Os CPFs do político e de familiares, como esposa e filhos, aparecem vinculados aos ativos.

A investigação identificou ainda que ele movimentou mais de R$ 8,7 milhões entre 2019 e 2022, sendo que R$ 2,47 milhões não possuem origem declarada. Além disso, o vereador possui um patrimônio imobiliário de alto padrão, considerado incompatível com sua remuneração oficial.

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Segundo o documento da polícia, Senival seria o principal responsável por instrumentalizar Transunião para a lavagem de dinheiro em favor de indivíduos ligados ao PCC. O homicídio de Adauto Soares Jorge (ex-presidente formal da empresa), em 2020, teria ocorrido porque integrantes do PCC acreditavam que Adauto estava desviando valores em benefício de Senival.

A investigação ainda aponta que assessores vinculados ao gabinete de Senival na Câmara Municipal ocupavam simultaneamente cargos estratégicos na administração da Transunião e de outras empresas do grupo, sugerindo a instrumentalização para garantir os interesses do vereador.

A autoridade policial também ressalta que Senival exerce atualmente os cargos de 1º Secretário da Mesa Diretora e Presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara Municipal de São Paulo, o que lhe confere poder de fiscalização e regulamentação sobre o próprio setor em que a Transunião opera.

Em diligências realizadas no escritório do petista, a polícia apreendeu diversos documentos e dispositivos digitais relacionados à operação da Transunião. Devido a esses indícios, a autoridade policial representou pela sua prisão temporária e pela busca e apreensão em seus endereços.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo disse que aguarda notificação de decisão judicial para tomar as medidas cabíveis e que, enquanto, isso as linhas operadas pela Transunião seguem funcionando normalmente.

O que diz o parlamentar

A defesa do parlamentar, advogado Marcio Sayeg, afirmou que a prisão temporária do cliente causou “enorme surpresa, sobretudo porque foi determinada em um momento extremamente sensível, às vésperas do período eleitoral, circunstância que inevitavelmente desperta questionamentos e exige que todos os fatos sejam rigorosamente esclarecidos pelas autoridades competentes”.

Segundo o Sayeg, o vereador “reafirma que confia na Justiça e tem absoluta convicção de que, ao longo da investigação, ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte”.

Acrescenta que “desde o primeiro momento, sua defesa técnica está adotando todas as providências jurídicas cabíveis para ter acesso integral aos autos, compreender os fundamentos da decisão e apresentar os esclarecimentos necessários, exercendo plenamente o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa”.

“Senival Pereira de Moura sempre pautou sua trajetória pública pelo compromisso com a população, pela transparência e pelo respeito às instituições democráticas. Por isso, recebe a investigação com serenidade, certo de que a verdade prevalecerá”, conclui.