Vereador preso: investigação começou após morte de ex-diretor de empresa
Senival Moura, do PT, é alvo de operação contra esquema de lavagem de dinheiro do PCC por meio de empresas de ônibus em SP

Deflagrada na manhã desta quinta-feira (25/6), a operação contra um esquema do Primeiro Comando da Capital (PCC) de lavagem de dinheiro por meio de empresas de ônibus de São Paulo é fruto de uma investigação iniciada em 2020, após o assassinato do então presidente da empresa Transunião, Adauto Soares Jorge.
Entre os cinco alvos de mandados de prisão, estão o vereador Senival Moura (PT), integrantes do PCC e o atual presidente da Transunião.

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Ver todasAgentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil, e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, cumpriram mandados na capital paulista, na região metropolitana, e no município de Extrema, em Minas Gerais.
Durante a investigação sobre a morte de Adauto Jorge, as autoridades coletaram provas que apontavam para o uso da concessionária no esquema do PCC. Apenas em 2025, a empresa auferiu mais de R$ 300 milhões do sistema de transportes paulistano. A Justiça decretou o sequestro e bloqueio de R$ 194 milhões de contas bancárias ligadas aos investigados, além de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPQuem são os alvos da operação
Pedidos de prisão temporária
- Jair Ramos de Freitas (“Cachorrão”): apontado como autor do homicídio de Adauto Soares Jorge e articulador da lavagem de dinheiro.
- Senival Pereira de Moura (vereador): identificado como real beneficiário e líder oculto da Transunião.
- Leonel Moreira Martins: operador financeiro e elo entre a empresa e o núcleo familiar beneficiário.
- Lourival de França Monário: atual diretor-presidente formal da Transunião, envolvido em movimentações financeiras incompatíveis.
- Devanil de Souza Nascimento (“Sapo”): apontado como operador e suporte de Senival Moura; envolvido na morte de Adauto.
Afastamento da Transunião
- Lourival de França Monário (Diretor-Presidente)
- William Remorini Freitas (Diretor Financeiro)
- Kelly Cristina Santos Ribeiro (Diretora Comercial)
- Edgar Paiva da Rocha (Presidente do Conselho de Administração)
- Leonardo Wendell do Nascimento (Conselheiro)
- Weslei Castro Gomes (Conselheiro)
Suspensão de atividade econômica
- Transunião Transportes S.A: pivô do esquema de lavagem de dinheiro
- Duvale Distribuidora de Petróleo e Álcool Ltda: apontada como núcleo de lavagem em benefício do PCC
- SPM – Transporte Urbano de Passageiros S/A: vinculada a Senival Pereira de Moura
- Universo Bus Comércio e Serviços Ltda: vinculada a Jair Ramos de Freitas e Fábio Fernandes de Souza, supostos integrantes do PCC
- LMP Transportes: apontada como empresa de suporte ou fachada.
- ICM Transportes: apontada como empresa de suporte ou fachada.
- FRF Transportes: apontada como empresa de suporte ou fachada.
De acordo com o MPSP e a Polícia Civil, ficou comprovada a existência de um núcleo paralelo para tomar decisões relativas à empresa, incluindo a transferência de valores para criminosos ligados ao PCC. As autoridades também ressaltam que a própria mudança societária da Transunião teve origem ilícita, já que houve um salto do capital social de pouco mais de R$ 100 mil para uma cifra superior a R$ 50 milhões sem que a origem desses novos recursos ficasse clara.
Em 2024, o Gaeco deflagrou a Operação Fim da Linha, desarticulando duas organizações criminosas que lavavam recursos ilícitos do PCC provenientes de tráfico de drogas, roubos e outros delitos por intermédio da UPBus e da Transwolff. Essas duas empresas de ônibus são responsáveis pelo transporte de cerca de quase 700 mil passageiros.
O Metrópoles entrou em contato com a assessoria do vereador Senival Moura e não obteve retorno. O espaço segue aberto para atualizações.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que as linhas operadas pela Transunião seguem funcionando normalmente e que aguarda comunicação de decisão judicial para adotar medidas cabíveis.











