MPSP diz que operação justifica recusa da delação de Beto Louco e Primo
Sem citar Beto Louco e Primo nominalmente, Paulo Sérgio disse que “foram suprimidas informações” que hoje são confirmadas por Fluxo Oculto
atualizado
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O procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio Oliveira, disse que a operação Fluxo Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28/5) contra fintechs acusadas de ocultar dinheiro do crime organizado, explica por que não foram as aceitas as propostas de colaboração premiada de Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, foragidos da Justiça desde agosto do ano passado e apontados como líderes de um esquema de fraudes e adulterações no setor de combustíveis, ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Ao longo dos últimos meses, a dupla negociou os termos de uma possível delação premiada. No entanto, como detalhado pelo Metrópoles, os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) avaliaram que as informações propostas pelos investigados já haviam sido obtidas pelo MPSP e que eles não apresentavam dados sobre o envolvimento com o PCC.
“A operação de hoje justifica porque esse fato (delação) não aconteceu, uma vez que foram suprimidas informações que hoje estão sendo confirmadas”, disse Paulo Sérgio.
A operação desta quinta, desdobramento da Carbono Oculto, que a organização criminosa montada para fraudar combustíveis continuou utilizando fintechs e instituições de pagamento para dificultar a localização do esquema.
Em vez de interromper as atividades, o grupo aumento o volume de desvio de nafta e abriu novas empresas de fachada.
Os relatórios de inteligência financeira apontaram movimentações atípicas e suspeitas de quase R$ 26 bilhões e a retomada do uso de fintechs (empresas de base tecnológica que oferecem soluções financeiras digitais) e plataformas de pagamento, que funcionaram como “dutos financeiros” do grupo criminoso.
“A organização criminosa se reestruturou. Na Carbono Oculto, identificamos três fintechs. Agora identificamos mais seis. São mais camadas de blindagem. O dinheiro saiu de fintechs alvos da primeira fase e migrou para as fintechs que são agora alvo da segunda fase”, explicou o promotor João Paulo Gabriel, do Gaeco de São José do Rio Preto.
De acordo com o promotor de Campinas Yuri Fisberg, as startups investigadas começaram a criar ainda mais empresas laranjas em todos os estados do Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. O novo esquema do PCC usava nafta para adulterar combustíveis.
“Eles simulavam a importação de nafta em grandes quantidades. A nafta era entregue em postos de combustíveis em São Paulo”, relatou o promotor.
Quem são os alvos da operação
- Ceopag Instituição de Pagamento, Ceopar, Fundopay S.A. e XBR Participações
America Payment S.A - Sispay Instituição de Pagamento, Vpay Instituição de Pagamento e May Servex Negócios Imobiliários
- Smart Solutions Instituição de Pagamento e Smart Safe Locação e Processamento de Dados
- YAW Instituição de Pagamento S.A
- Ello Gestora de Recursos Ltda
Os promotores do Gaeco pediram mandados de prisão contra cinco investigados por envolvimento com a estrutura de empresas de fachada. A solicitação, no entanto, foi negada pela Justiça de São Paulo.





