MPSP rejeita delação de Beto Louco e Primo, alvos da Carbono Oculto

Promotores avaliam que fatos que Beto propôs revelar já foram obtidos por outras investigações e não detalhavam elo com o crime organizado

atualizado

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Arte/Metrópoles
Primo e Beto Louco
1 de 1 Primo e Beto Louco - Foto: Arte/Metrópoles

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) rejeitou a proposta de colaboração premiada apresentada por Roberto Augusto Leme, o Beto Louco (na foto de destaque, à direita), apontado como líder de um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de fraudes e sonegação fiscal no setor dos combustíveis. Também foi rejeitado o acordo de delação de Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo (na foto de destaque, à esquerda). Ambos são alvos da Operação Carbono Oculto.

Conforme antecipado pelo Metrópoles, os promotores envolvidos na negociação esperavam que Beto Louco se propusesse a detalhar o elo do esquema com a facção, o que, na avaliação deles, não ocorreu.

O entendimento foi que o investigado estaria entregando informações já obtidas pelos investigadores, ou que poderiam ser obtidas por meio de outras fontes. O investigado teria admitido as fraudes tributárias, mas sem confirmar que lavou dinheiro.

Foragido há mais de sete meses, Beto Louco é apontado como gestor financeiro do grupo Copape/Aster, que opera a produção e distribuição de combustíveis. O grupo é controlado por Primo, que também está foragido.

A proposta de colaboração de Beto Louco é negociada pelo advogado do empresário com integrantes dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos) de São José do Rio Preto, Piracicaba e Guarulhos, e com o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira, chefe do MPSP.

A delação premiada é um instrumento legal por meio do qual um investigado confessa sua participação em um crime e denuncia outros integrantes de organização criminosa, apresentando elementos de corroboração, em troca de benefícios legais. A colaboração deve ser voluntária e, em essência, entregar integrantes do andar de cima na hierarquia da organização.

O Metrópoles apurou que, entre os itens que constavam na proposta apresentada pelo empresário, mantida em sigilo, estão o envolvimento de servidores e magistrados, além da devolução de quase R$ 1 bilhão aos cofres públicos. Seriam pelo menos R$ 400 milhões de ressarcimento ao Erário e R$ 500 milhões em prestação pecuniária (pagamento para reparação de danos às vítimas).

Em abril, o advogado Guilherme San Juan, que representa Beto Louco, afirmou que as tratativas sobre o acordo de colaboração são sigilosas e que, por isso, não poderia dar detalhes. Ele disse apenas que a investigação que deu origem à Operação Carbono Oculto não teria elementos para comprovar a relação de seu cliente com a maior facção criminosa do país.


Quem é Beto Louco

  • Roberto Augusto Leme, conhecido como Beto Louco, negocia o acordo de delação premiada à distância, por meio de seus advogados, já que está foragido desde agosto do ano passado.
  • Em paralelo às tratativas com o MPSP, o empresário tentou um acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que não avançou supostamente por falta de provas.
  • De acordo com as investigações da Operação Carbono Oculto, do MPSP, e da Operação Tank, da Polícia Federal (PF), Beto Louco e seu sócio, Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, utilizavam a formuladora de combustíveis Copape e a distribuidora Aster, adquiridas em 2020 por R$ 52 milhões, para lavar dinheiro para o PCC e fraudar créditos tributários.
  • As autoridades afirmam que o grupo dominava toda a cadeia de produção, desde as usinas de etanol até postos de gasolina por todo o país. Para baratear a produção, o grupo adulterava os combustíveis com a adição de metanol.
  • Os investigadores dizem, inclusive, que criminosos do PCC foram responsáveis por achacar donos de postos de combustíveis independentes para vender seus estabelecimentos para a organização criminosa, sob ameaça de morte.

 

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