Primo e Beto Louco, alvos da Carbono Oculto, negociam delação com MPSP

Empresários alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto do ano passado, estão foragidos da Justiça

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Arte/Metrópoles
Primo e Beto Louco
1 de 1 Primo e Beto Louco - Foto: Arte/Metrópoles

Os principais alvos da Operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e na Faria Lima, maior centro financeiro do país, estão negociando um acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Foragidos da Justiça, os empresários Mohamad Hussein Mourad, o Primo (foto em destaque, à esquerda), e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco (à direita), negam ter qualquer envolvimento com o PCC. No entanto, eles teriam informações suficientes para colocar até mesmo políticos na mira das autoridades.

“Chegaremos não só a empresários e empresas, mas a agentes públicos e eventualmente até políticos”, afirmou o Procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, que assume as negociações.

Segundo o procurador, o objetivo da delação premiada “é impessoal”. “Qualquer pessoa que tiver qualquer envolvimento, em qualquer etapa dessa cadeia criminosa, terá que se explicar e sofrerá as consequências penais, administrativas e cíveis cabíveis”, garantiu.

Anteriormente, em novembro do ano passado, o advogado Celso Vilardi, que representa Beto Louco, afirmou desconhecer a informação de que o acusado tenha firmado um acordo de delação premiada.

O Metrópoles tentou novo contato com o criminalista neste sábado (31/1), mas não houve retorno. O espaço segue aberto. A reportagem não localizou a defesa de Mourad.

Primo e Beto Louco, alvos da Carbono Oculto, negociam delação com MPSP - destaque galeria
4 imagens
Operação Carbono Oculto
Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC
Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC
Operação Carbono Oculto
1 de 4

Operação Carbono Oculto

Divulgação/Receita Federal
Operação Carbono Oculto
2 de 4

Operação Carbono Oculto

Divulgação/Receita Federal
Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC
3 de 4

Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC

Divulgação/Receita Federal
Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC
4 de 4

Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC

Divulgação/Receita Federal

Operação Carbono Oculto

  • A primeira fase da Operação Carbono Oculto foi deflagrada em agosto do ano passado, quando cumpriu mandados de busca e apreensão em cerca de 350 alvos — entre pessoas físicas e jurídicas —, localizados em oito estados: São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
  • A megaoperação é chamada pelas autoridades de maior ação de enfrentamento ao crime organizado da história do país. A força-tarefa, que envolve o MPSP e a Receita Federal, busca combater a infiltração de facções criminosas na economia formal, como o mercado financeiro e o setor de combustíveis.
  • Estão na mira da investigação vários elos da cadeia de combustíveis controlados pelo crime organizado, desde a importação, produção, distribuição e comercialização ao consumidor final, até esquemas finais de ocultação e blindagem do patrimônio, via fintechs e fundos de investimentos.
  • Segundo a Receita Federal, uma rede de 1.200 postos movimentou mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, mas pagou penas R$ 90 milhões (0,17%) em impostos.
  • Para lavar dinheiro do esquema, o grupo teria usado 40 fundos com patrimônio de R$ 30 bilhões, geridos por operadores da Faria Lima, centro financeiro do país.
  • Entre os alvos da operação estão as instituições financeiras BK e Banrow, as usinas sucroalcooleiras Itajobi e Carolo, e os operadores Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo ou João, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. Ambos são ligados à distribuidora Aster e à Copape.

Quem são Primo e Beto Louco

Mohamad Hussein Mourad, o Primo, é apontado pelo MPSP como o “epicentro das operações” no esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro do ramo de combustíveis. Segundo as autoridades, ele atua em “toda a cadeia produtiva do setor”.

Com a compra da formuladora Copape e da distribuidora Aster, Primo teve capilaridade da matéria-prima, com as usinas de etanol, passando por distribuidoras, transportadoras, fabricação, refino, armazenagem, redes de postos de combustíveis e conveniência.

Ele é acusado de ser dono de empresas de fachada e cooptar familiares e sócios para o esquema, que inclui o uso de terminais de armazenamento, postos de combustíveis e diversos fundos de investimento imobiliário.

Antes de ser alvo da Carbono Oculto, Primo já esteve na mira da Operação Cassiopeia, em 2023, que também tinha como alvo a Copape e a Aster. Antes, as empresas já haviam sido investigadas na Operação Arina. O empresário permanece foragido.

Primo se tornou o “epicentro das operações” enquanto Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, atuava como “gestor da engrenagem”. Ele coordenava as fraudes contábeis e a movimentação financeira, operando fundos de investimento e empresas de participações usadas para blindar o patrimônio da organização criminosa.

Beto Louco tinha a função de manter o esquema invisível, criando camadas societárias complexas que dificultavam a identificação dos verdadeiros beneficiários, um método inspirado em offshores e shell companies.

As investigações mostram que o grupo controlava mais de 300 postos de combustíveis envolvidos em adulteração, fraude em bombas e sonegação.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?