Delação de Beto Louco exclui PCC, frustra promotores, e trava no MPSP

Integrantes do MPSP acreditam que informações que Beto Louco propõe entregar poderiam ser obtidas pelas investigações de outras formas

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1 de 1 Imagem colorida de Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco - Metrópoles - Foto: Reprodução/Arte Metrópoles

A proposta de delação premiada entregue pela defesa do empresário Roberto Augusto Leme, conhecido como Beto Louco, enfrenta resistência entre promotores do Ministério Público de São Paulo (MPSP), com quem tenta firmar colaboração após ter um acordo descartado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Os investigadores cobram detalhes sobre o envolvimento de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) no esquema de fraude, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, revelado pela operação Operação Carbono Oculto, em agosto do ano passado, e exigem provas que ainda não tenham sido obtidas pelas investigações.

Foragido há mais de sete meses, Beto Louco é apontado como gestor financeiro do grupo Copape/Aster, que opera a produção e distribuição de combustíveis e foi alvo da Carbono Oculto. O grupo é controlado por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, que também está foragido e tenta um acordo de delação premiada.

A proposta de colaboração de Beto Louco é negociada pelo advogado do empresário com integrantes dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos) de São José do Rio Preto, Piracicaba e Guarulhos, e com o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira, chefe do MPSP.

A delação premiada é um instrumento legal por meio do qual um investigado confessa sua participação em um crime e denuncia outros integrantes de organização criminosa, apresentando elementos de corroboração, em troca de benefícios legais. A colaboração deve ser voluntária e, em essência, entregar integrantes do andar de cima na hierarquia da organização.

O Metrópoles apurou que, entre os itens que constam na proposta apresentada pelo empresário, mantida em sigilo, estão o envolvimento de servidores e magistrados, além da devolução de quase R$ 1 bilhão aos cofres públicos. Seriam pelo menos R$ 400 milhões de ressarcimento ao erário e R$ 500 milhões em prestação pecuniária (pagamento para reparação de danos às vítimas).

O entendimento dos promotores é que Beto Louco estaria entregando informações já obtidas pelos investigadores, ou que poderiam ser obtidas por meio de outras fontes. O investigado teria admitido as fraudes tributárias, mas sem confirmar que lavou dinheiro para o PCC, como apontam as investigações.

Servidores citados por ele na proposta de delação já teriam sido alvo de outras investigações, e a proposta não menciona agentes com foro privilegiado em Brasília.

Procurado pela reportagem, o advogado Guilherme San Juan, que representa Beto Louco, afirmou que as tratativas sobre o acordo de colaboração são sigilosas e que, por isso, não poderia dar detalhes. Ele disse apenas que a investigação que deu origem à Operação Carbono Oculto não teria elementos para comprovar a relação de seu cliente com a maior facção criminosa do país.

A decisão final sobre a celebração do acordo caberá ao procurador-geral Paulo Sérgio, que foi reconduzido ao cargo nesta terça-feira (14/4) pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), após ser o mais votado na eleição interna do MPSP. Ao Metrópoles ele afirmou que a proposta está em análise.


Quem é Beto Louco

  • Roberto Augusto Leme, conhecido como Beto Louco, negocia o acordo de delação premiada à distância, por meio de seus advogados, já que está foragido desde agosto do ano passado.
  • Em paralelo às tratativas com o MPSP, o empresário tentou um acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que não avançou supostamente por falta de provas.
  • De acordo com as investigações da Operação Carbono Oculto, do MPSP, e da Operação Tank, da Polícia Federal (PF), Beto Louco e seu sócio, Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, utilizavam a formuladora de combustíveis Copape e a distribuidora Aster, adquiridas em 2020 por R$ 52 milhões, para lavar dinheiro para o PCC e fraudar créditos tributários.
  • As autoridades afirmam que o grupo dominava toda a cadeia de produção, desde as usinas de etanol até postos de gasolina por todo o país. Para baratear a produção, o grupo adulterava os combustíveis com a adição de metanol.
  • Os investigadores dizem, inclusive, que criminosos do PCC foram responsáveis por achacar donos de postos de combustíveis independentes para vender seus estabelecimentos para a organização criminosa, sob ameaça de morte.

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