
Manoela AlcântaraColunas

Justiça dá 90 dias para MP concluir investigações da Carbono Oculto
Prazo foi ampliado para conclusão de apuração sobre lavagem no setor de combustíveis em esquema bilionário ligado ao PCC
atualizado
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A Justiça de São Paulo acolheu o pedido e concedeu mais 90 dias para que o Ministério Público de São Paulo (MPSP) conclua as investigações da Carbono Oculto — esquema bilionário de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e na Faria Lima.
Conforme mostrou a coluna no domingo (5/4), integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) preveem concluir os trabalhos dentro desse prazo. A decisão da Justiça é sigilosa.
A apuração, conduzida no âmbito de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) aberto em 2024, deve resultar em uma lista de ao menos 30 a 40 denunciados.
O caso corre sob sigilo e ainda enfrenta pendências de perícias, sendo considerado de alta complexidade.
Entre os alvos estão os empresários Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco” — ambos foragidos.
Deflagrada em agosto do ano passado, a Carbono Oculto mirou cerca de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, e é tratada como a maior ofensiva já realizada no país contra o crime organizado.
Segundo as investigações, uma rede de 1.200 postos movimentou mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, mas recolheu apenas R$ 90 milhões em impostos — o equivalente a 0,17%.
Para lavar o dinheiro, o grupo teria recorrido a 40 fundos com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, operados por agentes do mercado financeiro na Faria Lima.Como mostrou o Metrópoles, os dois empresários negociam acordos de colaboração com o MPSP. À época, o procurador-geral de Justiça afirmou que a investigação alcançou não apenas empresários, mas também agentes públicos e, eventualmente, políticos.
Ofensiva
A Carbono Oculto não está isolada. A investigação se conecta a outras frentes abertas no setor de combustíveis, especialmente à Operação Tank.
A coluna mostrou, em 26 de março, que o caso chegou a ser enviado à Justiça Estadual do Paraná, o que esvaziaria a atuação do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF).
À época, a 14ª Vara Federal de Curitiba afirmou que o envio à instância comum ocorreu sob o entendimento de que os crimes investigados não teriam relação com o tráfico internacional — o que afastaria a competência federal.
No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que manteve o caso na esfera federal.
