Justiça suspende projeto da “Times Square” paulistana no centro de SP
Projeto que previa instalação de painéis de LED nas avenidas São João e Ipiranga foi suspenso após Justiça apontar possível impacto urbano
atualizado
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O projeto que prometia transformar o cruzamento das avenidas São João e Ipiranga, no centro de São Paulo, em uma espécie de “Times Square” paulistana foi suspenso pela Justiça. A decisão desta quarta-feira (27/5) impede, ao menos por enquanto, a instalação dos painéis de LED previstos para prédios históricos da região central da capital.
A liminar foi assinada pela juíza Celina Kiyomi Toyoshima, da 4ª Vara da Fazenda Pública, que citou na decisão a “magnitude do projeto”, o impacto urbano na região central e o possível dano à população antes de autorizar o avanço da proposta. A magistrada determinou a suspensão imediata dos efeitos da aprovação do projeto e proibiu o início de qualquer obra, instalação ou intervenção ligada aos painéis de LED.
A decisão também determina que a Prefeitura de São Paulo e os responsáveis pelo projeto apresentem uma série de documentos à Justiça, incluindo a íntegra do termo de cooperação do projeto, atas de reuniões técnicas, pareceres urbanísticos, documentos ligados ao patrimônio histórico e registros da consulta pública feita com a população.
O projeto previa a instalação de telões luminosos em prédios históricos da região, inspirados na famosa área turística de Times Square, em Nova York. Entre os edifícios que receberiam os painéis estavam o Cine Paris República, o Edifício Herculano de Almeida, a Galeria Sampa e o Edifício New York. Com a decisão judicial, o projeto fica paralisado até nova análise da Justiça.
Times Square Paulistana
- Batizado oficialmente de Boulevard São João, o projeto prevê a instalação de grandes painéis de LED e projeções digitais no cruzamento das avenidas São João e Ipiranga, no centro de São Paulo.
- A proposta foi inspirada na Times Square, um dos pontos turísticos mais conhecidos de Nova York.
- O projeto foi aprovado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp) e integra um plano de revitalização da região central da capital paulista.
- A ideia era transformar o local em um espaço voltado para experiências visuais, tecnologia, cultura e intervenções artísticas digitais.
- Diferente do modelo norte-americano, a versão paulistana não previa a exibição de publicidade comercial nos telões.
Infrações na Lei Cidade Limpa
A região da Sé, no centro de São Paulo, onde estava prevista a instalação dos painéis de LED inspirados na Times Square, aparece entre as áreas mais multadas da capital por infrações ligadas à Lei Cidade Limpa. Dados obtidos pelo Metrópoles via Lei de Acesso à Informação mostram que a subprefeitura responsável pela região aplicou mais de R$ 1,3 milhão em multas nos últimos 12 meses, o terceiro maior valor entre as 32 subprefeituras da cidade.
Segundo os dados da prefeitura, a Subprefeitura da Sé registrou 72 autuações relacionadas à Lei Cidade Limpa no período. Desse total, 41 terminaram em multa e 31 resultaram apenas em notificações orientativas. A região também apresentou um índice de punição acima da média da capital: enquanto cerca de 42% das autuações da cidade viram multa, na Sé esse percentual chegou a 56,9%.
As ações mais frequentes na região envolvem anúncios indicativos sem licença, publicidade irregular e instalação de banners em vias públicas. Já o maior impacto financeiro veio de 4 autuações relacionadas a anúncios em empenas cegas — laterais de prédios sem janelas — que, sozinhas, somaram cerca de R$ 671 mil em multas.
Os dados também mostram uma mudança no ritmo da fiscalização ao longo do último ano. Entre fevereiro e junho de 2025, os valores aplicados foram mais baixos. A partir de julho, houve aumento nas autuações, com pico em setembro, quando a Subprefeitura da Sé aplicou cerca de R$ 668 mil em multas em um único mês.
O que é a Lei Cidade Limpa?
Criada em 2006, durante a gestão do então prefeito Gilberto Kassab, a Lei Cidade Limpa foi implantada com o objetivo de reduzir a poluição visual em São Paulo. A legislação passou a limitar outdoors, faixas, letreiros e anúncios publicitários espalhados pela cidade, além de estabelecer regras para o tamanho e a instalação de placas comerciais em fachadas de imóveis. Veja antes e depois da Lei Cidade Limpa:
A proposta da lei era reorganizar a paisagem urbana da capital paulista, diminuindo o excesso de publicidade nas ruas e tornando mais visíveis elementos da arquitetura, sinalizações e espaços públicos da cidade. Desde então, a fiscalização das regras ficou sob responsabilidade das subprefeituras, que podem aplicar notificações e multas em casos de irregularidades.


























