Hangar da polícia em SP era ponto de pagamento de propina, diz MPSP
Entre os endereços onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão na Operação Bazaar, está o Campo de Marte, na zona norte de SP
atualizado
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O hangar da Polícia Civil de São Paulo, no Campo de Marte, na zona norte da capital, foi um dos endereços alvo de mandado de busca e apreensão no âmbito da Operação Bazaar, realizada na manhã desta quinta-feira (5/3). O local, segundo investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP), era usado, “sem qualquer constrangimento”, como ponto de pagamento de propina a agentes públicos.
A operação, realizada em conjunto com a Polícia Federal (PF), cumpriu 11 mandados de prisão preventiva, 25 de busca e apreensão, e realizou o bloqueio de bens e valores dos investigados, que são acusados de participação de uma ampla rede de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo policiais civis, advogados e operadores financeiros.
Uma mensagem datada de março de 2023 mostra uma mensagem enviada por Antonio Carlos Ubaldo Junior a Robson Martins contendo o endereço do hangar, onde seria paga propina a agentes públicos. “Nesse contexto, cumpre destacar que foram repassadas instruções específicas para que fosse procurado Rogério Coichev Teixeira, investigador que realizou Curso de Treinamento em Armamento e Tiro Aerotático, circunstância que corrobora seu acesso ao hangar onde ocorreria a entrega da vantagem”, relata documento do MPSP.
Além do hangar, os departamentos de Investigações Criminais (Deic) e de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) de São Paulo – dois dos principais da Polícia Civil – e uma delegacia regionalizada foram alvo de mandados de busca e apreensão e vão passar por um “pente-fino”.
Delegacias alvo da Operação Bazaar
- 3ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG – Fraudes Financeiras).
- 4ª Delegacia de Crimes Cibernéticos (DCCiber).
- 1ª Delegacia de Combate à Corrupção, do DPPC, e outras repartições do departamento.
- 35° Distrito Policial (DP) Jabaquara.
Outros nomes ligados à Polícia Civil de São Paulo foram alvo de mandados de prisão: o delegado João Eduardo da Silva, hoje no 35º DP, no Jabaquara, e os investigadores Roldinei Eduardo dos Reis Baptista, que atua na 1ª Delegacia de Combate à Corrupção, do DPPC, e o escrivão Ciro Borges Magalhães Ferraz, também do 35° DP.
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Entenda o caso
- Um delegado, um escrivão, quatro investigadores, três advogados, dois doleiros e empresários estão entre os alvos da Operação Bazaar.
- O Ministério Público, em conjunto com a Polícia Federal e a Corregedoria da Polícia Civil, miram suposto esquema de corrupção, que envolve fraudes em processos, manipulação de investigações em andamento e destruição de provas.
- Pelo menos quatro agentes da Polícia Civil, entre eles o delegado do 35° Distrito Policial (DP), no Jabaquara, foram presos preventivamente.
- Três carros de luxo das marcas Jaguar, Porsche e BMW estão entre os bens apreendidos.
- Os agentes da Polícia Civil de São Paulo que foram alvo da operação usavam vale-refeição para lavar dinheiro. Segundo as investigações, os valores eram empregados na aquisição de cartões e posteriormente utilizados em padarias e mercadinhos de fachada.
- A delatora da Lava Jato e ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza, é uma das pessoas presas nesta quinta.
Doleiros alvos da Lava Jato
Os outros alvos de mandado de prisão preventiva são os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, ambos alvos da Operação Lava Jato no passado. Há também pedidos de prisão para Cléber Azevedo dos Santos, Robson Martins de Souza, Antônio Carlos Ubaldo Júnior e Paulo Rogério Dias, além do advogado Marlon Antonio Fontana.
Pelo menos três carros de luxo das marcas Jaguar, Porsche e BMW estão entre os bens apreendidos na Operação Bazaar.
A Justiça também decretou medidas cautelares para seis investigados, que vão desde a proibição de acessar unidades policiais até o pagamento de fiança no valor de R$ 50 mil. Entre os atingidos pelas medidas cautelares, estão os investigadores Rogério Cione e Jayme Emílio Tavares Júnior, lotados no DPPC e Deic, respectivamente, os advogados Guilherme Sacomano Nasser e Marcello Raduan Miguel, além do empresário Odair Alves da Silveira Filho e de Bruno Ramos Fernandes, apontado como sócio laranja de uma empresa.
Medidas cautelares
O juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, determinou que os alvos das medidas cautelares se apresentem bimestralmente.
Eles também estão proibidos de acessar delegacias — exceto se na condição de investigados ou testemunhas —, acessar a sede das empresas relacionadas e ausentar-se do município de domicílio por mais de cinco dias sem autorização. Os investigados ainda devem cumprir o recolhimento noturno, das 20h às 6h do dia seguinte. No caso dos policiais civis, estão suspensos do exercício da função.






