Como será “depoimento especial” da filha da PM Gisele em julgamento
Filha da PM Gisele prestará depoimento especial no 3º dia de oitivas de julgamento que apura o feminicídio da soldado. Coronel é réu
atualizado
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A filha da policial militar (PM) Gisele Alves Santana será ouvida pela Justiça em uma das audiências de instrução que apura o feminicídio da soldado. O réu é o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, cujo depoimento está previsto para o dia 3 de julho, na última etapa da fase de instrução. Com 7 anos de idade, a criança será ouvida em depoimento especial.
Como determina o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), o interrogatório, nesses casos, é realizado em um local próprio, com participação apenas de psicólogo ou assistente social — um desses profissionais fará as perguntas à criança, em um espaço separado. O juiz e demais participantes vão acompanhar da sala de audiência em tempo real. O depoimento é gravado e preserva o sigilo e a intimidade da criança.
A oitiva da menina foi indicada pelo Ministério Público do Estado (MPSP) e marcada pela Justiça. No mesmo dia em que ela presta depoimento, também serão ouvidos familiares de Gisele, como a mãe, o pai e o irmão dela, além do ex-marido, pai da criança.
Criança relatava brigas intensas entre o casal
A filha de Gisele morava com ela e Geraldo em um apartamento no Brás, na região central de São Paulo, onde a soldado foi encontrada morta com um tiro na cabeça. Ela não estava no imóvel no momento do disparo.
Desde que passou a morar no local, a criança relatava ao pai a ocorrência de brigas constantes e intensas entre o casal. Na véspera da morte de Gisele, em 17 de fevereiro, a menina foi buscada pelo pai e entrou no carro chorando, dizendo que não queria voltar para o apartamento porque não aguentava mais as brigas, segundo relato do genitor.
Amigas da soldado também relataram que a criança apresentava sinais de abalo psicológico, como perda de peso e episódios de enurese noturna (xixi na cama) após passar a conviver com o tenente-coronel.
Relembre o caso
- A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo.
- Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
- Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
- Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.
- Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da esposa.
- A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel.
- O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
- A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto em 17 de março.
- Ele foi preso no dia seguinte em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
















