Filha da PM Gisele será ouvida em fase que pode levar coronel a júri

Ao menos 40 testemunhas devem ser ouvidas antes de decisão sobre eventual júri popular do oficial da PM. Entre elas, a filha da vítima, de 7

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Redes Sociais/Reprodução
Mulher loira, de cabelos compridos, segura criança ao seu lado, no colo - Metrópoles
1 de 1 Mulher loira, de cabelos compridos, segura criança ao seu lado, no colo - Metrópoles - Foto: Redes Sociais/Reprodução

A Justiça de São Paulo iniciou a fase de instrução do processo que pode levar o coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto ao júri popular pela morte da esposa, a soldado Gisele Cristina Coelho da Silva, assassinada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro.

A etapa inclui o depoimento de dezenas de testemunhas, entre elas a filha da vítima, uma criança de 7 anos, e antecede a decisão judicial que definirá como o oficial será responsabilizado criminalmente pelo caso.

Filha da PM Gisele será ouvida em fase que pode levar coronel a júri - destaque galeria
21 imagens
Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas depois o coronel foi preso e é investigado por feminicídio
Filha da PM Gisele será ouvida em fase que pode levar coronel a júri - imagem 3
Gisele Alves Santana
Filha da PM Gisele será ouvida em fase que pode levar coronel a júri - imagem 5
Gisele Alves Santana e Geraldo Leite Rosa Neto
Filha da PM Gisele será ouvida em fase que pode levar coronel a júri - imagem 1
1 de 21

Reprodução/Redes Sociais
Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas depois o coronel foi preso e é investigado por feminicídio
2 de 21

Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas depois o coronel foi preso e é investigado por feminicídio

Arquivo pessoal
Filha da PM Gisele será ouvida em fase que pode levar coronel a júri - imagem 3
3 de 21

Reprodução/Câmera Monitoramento
Gisele Alves Santana
4 de 21

Gisele Alves Santana

Reprodução/Redes Sociais
Filha da PM Gisele será ouvida em fase que pode levar coronel a júri - imagem 5
5 de 21

Reprodução/Polícia Civil
Gisele Alves Santana e Geraldo Leite Rosa Neto
6 de 21

Gisele Alves Santana e Geraldo Leite Rosa Neto

Redes Sociais/Reprodução
Mesmo orientado a aguardar, coronel insiste em acessar o interior do apartamento
7 de 21

Mesmo orientado a aguardar, coronel insiste em acessar o interior do apartamento

Reprodução/Polícia Civil
Conversas revelam tensão e dificuldade dos policiais em conter superior na cena
8 de 21

Conversas revelam tensão e dificuldade dos policiais em conter superior na cena

Reprodução/Polícia Civil
Cabo impede a entrada e alerta que o imóvel está preservado para perícia
9 de 21

Cabo impede a entrada e alerta que o imóvel está preservado para perícia

Reprodução/Polícia Civil
Coronel chega ao local e tenta entrar no apartamento onde a esposa foi encontrada baleada
10 de 21

Coronel chega ao local e tenta entrar no apartamento onde a esposa foi encontrada baleada

Reprodução/Polícia Civil
Neto permaneceu no apartamento das 9h06 até 9h29
11 de 21

Neto permaneceu no apartamento das 9h06 até 9h29

Reprodução/Polícia Civil
Oficial foi acompanhado por amigo desembargador
12 de 21

Oficial foi acompanhado por amigo desembargador

Reprodução/Polícia Civil
Policiais reforçam que qualquer manipulação deve ser feita apenas pela perícia
13 de 21

Policiais reforçam que qualquer manipulação deve ser feita apenas pela perícia

Reprodução/Polícia Civil
Oficial ignorou recomendação e cruzou a porta do imóvel acompanhado por policiais
14 de 21

Oficial ignorou recomendação e cruzou a porta do imóvel acompanhado por policiais

Polícia Civil/Reprodução
Coronel circula pelo imóvel e questiona posição de objetos no quarto
15 de 21

Coronel circula pelo imóvel e questiona posição de objetos no quarto

Reprodução/Polícia Civil
Dentro do apartamento, agentes evitam contato com o sangue da vítima no chão
16 de 21

Dentro do apartamento, agentes evitam contato com o sangue da vítima no chão

Reprodução/Polícia Civil
Filha da PM Gisele será ouvida em fase que pode levar coronel a júri - imagem 17
17 de 21

Reprodução/Polícia Civil
Filha da PM Gisele será ouvida em fase que pode levar coronel a júri - imagem 18
18 de 21

Reprodução/Polícia Civil
Filha da PM Gisele será ouvida em fase que pode levar coronel a júri - imagem 19
19 de 21

Reprodução/Polícia Civil
Filha da PM Gisele será ouvida em fase que pode levar coronel a júri - imagem 20
20 de 21

Reprodução/Polícia Civil
Gisele foi encontrada morta em fevereiro
21 de 21

Gisele foi encontrada morta em fevereiro

Redes Sociais/Reprodução

A menina foi arrolada como testemunha e, segundo decisão da 5ª Vara do Júri da Capital, será ouvida em “depoimento especial”, procedimento previsto para crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência. Nesse modelo, o relato ocorre em ambiente reservado, com acompanhamento técnico e protocolos destinados a evitar revitimização.

O conjunto de audiências foi marcado para acontecer entre 29 de junho e 3 de julho. Ao longo de cinco dias, devem ser ouvidas cerca de 40 testemunhas, incluindo delegados, peritos, policiais militares, testemunha protegida, familiares da vítima e o próprio coronel, que será interrogado no último dia da fase de instrução. Segundo a decisão, a quantidade de testemunhas e a “complexidade da produção probatória” motivaram a divisão da audiência em múltiplas datas.

O caso ganhou repercussão em 18 de março com a prisão preventiva do oficial da PM, decretada no curso da investigação que apura a morte da soldado. Como mostrou o Metrópoles, a perícia chegou a recuperar mensagens atribuídas à policial militar Gisele que teriam sido apagadas por Geraldo Neto. A investigação reuniu elementos técnicos, laudos periciais e análises de celulares apreendidos durante as apurações.

Desde a morte de Gisele, Geraldo Leite afirma que a esposa teria se suicidado por supostamente não aceitar o fim do relacionamento. A defesa dele mantém a tese de que o oficial é inocente, como foi reiterado à reportagem nesta sexta-feira (22/5).

O que é audiência de instrução

A audiência de instrução é uma das etapas centrais do processo criminal. É nesse momento que o juiz, o Ministério Público e a defesa colhem depoimentos, confrontam versões e produzem provas antes da decisão sobre o futuro da ação penal.

Nos crimes dolosos contra a vida — basicamente homicídios e, nesse caso, feminicídio–, essa fase funciona como uma espécie de “filtro processual”. Ao final da instrução, o juiz decide se há elementos suficientes para submeter o acusado a julgamento por jurados, que representam a sociedade decidindo sobre o destino do réu.

Na prática, a audiência de instrução é a etapa que antecede uma eventual pronúncia, decisão que envia o caso ao júri popular.

No despacho publicado nessa quarta-feira (21/5), obtido pelo Metrópoles, a juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro rejeitou, neste momento, o pedido da defesa para absolvição sumária do coronel. A magistrada afirmou que o caso ainda demanda “aprofundada análise da prova e dos fatos”, o que somente poderá ocorrer ao final da organização e apresentação das provas do caso.

As possibilidades após a instrução

Depois das audiências, a Justiça poderá tomar caminhos diferentes no processo.

O primeiro deles é a pronúncia, quando o juiz entende haver indícios suficientes para levar o caso ao júri popular. Esse cenário costuma ocorrer quando há elementos mínimos de autoria e materialidade do crime.

Também existe a possibilidade de impronúncia, quando o magistrado considera insuficientes as provas para enviar o caso ao júri.

Outra hipótese é a absolvição sumária, aplicada quando o juiz entende existir prova clara de inocência ou alguma situação prevista em lei, como legítima defesa comprovada.

Há ainda a desclassificação do crime. Nesse caso, o entendimento judicial seria de que não houve intenção de matar, retirando o caso da competência do Tribunal do Júri.

Embora a decisão final ainda dependa da fase de instrução, os elementos reunidos até agora, que embasaram inclusive a prisão preventiva do coronel, indicam, na avaliação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da investigação policial, a existência de indícios considerados suficientes para manutenção da ação penal na Vara do Júri. A definição, contudo, caberá exclusivamente à Justiça após a produção de provas e depoimentos.

Defesa contestou provas

Na mesma decisão, a magistrada rejeitou pedido da defesa que tentava invalidar elementos produzidos durante o Inquérito Policial Militar (IPM). A juíza entendeu que os dados coletados poderiam ser utilizados como elementos informativos para embasar a denúncia apresentada pelo Ministério Público.

A defesa também pediu a devolução de celulares apreendidos, o que foi negado pela Justiça sob o argumento de que ainda pode haver necessidade de contraprova pericial.

No processo, os advogados do coronel sustentam a nulidade de parte das provas produzidas e pedem uma reavaliação técnica de elementos reunidos durante a investigação.

Geraldo Neto segue encarcerado no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações