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São Paulo

Filha da PM Gisele será ouvida em fase que pode levar coronel a júri

Ao menos 40 testemunhas devem ser ouvidas antes de decisão sobre eventual júri popular do oficial da PM. Entre elas, a filha da vítima, de 7

22/05/2026 12:01
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Mulher loira, de cabelos compridos, segura criança ao seu lado, no colo - Metrópoles

A Justiça de São Paulo iniciou a fase de instrução do processo que pode levar o coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto ao júri popular pela morte da esposa, a soldado Gisele Cristina Coelho da Silva, assassinada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro.

A etapa inclui o depoimento de dezenas de testemunhas, entre elas a filha da vítima, uma criança de 7 anos, e antecede a decisão judicial que definirá como o oficial será responsabilizado criminalmente pelo caso.

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Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas depois o coronel foi preso e é investigado por feminicídio
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Gisele Alves Santana
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Gisele Alves Santana e Geraldo Leite Rosa Neto
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Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas depois o coronel foi preso e é investigado por feminicídio
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Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas depois o coronel foi preso e é investigado por feminicídio

Arquivo pessoal
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Gisele Alves Santana

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Gisele Alves Santana e Geraldo Leite Rosa Neto
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Gisele Alves Santana e Geraldo Leite Rosa Neto

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Mesmo orientado a aguardar, coronel insiste em acessar o interior do apartamento
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Mesmo orientado a aguardar, coronel insiste em acessar o interior do apartamento

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Conversas revelam tensão e dificuldade dos policiais em conter superior na cena
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Conversas revelam tensão e dificuldade dos policiais em conter superior na cena

Reprodução/Polícia Civil
Cabo impede a entrada e alerta que o imóvel está preservado para perícia
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Cabo impede a entrada e alerta que o imóvel está preservado para perícia

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Coronel chega ao local e tenta entrar no apartamento onde a esposa foi encontrada baleada
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Coronel chega ao local e tenta entrar no apartamento onde a esposa foi encontrada baleada

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Neto permaneceu no apartamento das 9h06 até 9h29
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Neto permaneceu no apartamento das 9h06 até 9h29

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Oficial foi acompanhado por amigo desembargador
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Oficial foi acompanhado por amigo desembargador

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Policiais reforçam que qualquer manipulação deve ser feita apenas pela perícia
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Policiais reforçam que qualquer manipulação deve ser feita apenas pela perícia

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Oficial ignorou recomendação e cruzou a porta do imóvel acompanhado por policiais
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Oficial ignorou recomendação e cruzou a porta do imóvel acompanhado por policiais

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Coronel circula pelo imóvel e questiona posição de objetos no quarto
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Coronel circula pelo imóvel e questiona posição de objetos no quarto

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Dentro do apartamento, agentes evitam contato com o sangue da vítima no chão
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Dentro do apartamento, agentes evitam contato com o sangue da vítima no chão

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Gisele foi encontrada morta em fevereiro
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Gisele foi encontrada morta em fevereiro

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A menina foi arrolada como testemunha e, segundo decisão da 5ª Vara do Júri da Capital, será ouvida em “depoimento especial”, procedimento previsto para crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência. Nesse modelo, o relato ocorre em ambiente reservado, com acompanhamento técnico e protocolos destinados a evitar revitimização.

O conjunto de audiências foi marcado para acontecer entre 29 de junho e 3 de julho. Ao longo de cinco dias, devem ser ouvidas cerca de 40 testemunhas, incluindo delegados, peritos, policiais militares, testemunha protegida, familiares da vítima e o próprio coronel, que será interrogado no último dia da fase de instrução. Segundo a decisão, a quantidade de testemunhas e a “complexidade da produção probatória” motivaram a divisão da audiência em múltiplas datas.

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O caso ganhou repercussão em 18 de março com a prisão preventiva do oficial da PM, decretada no curso da investigação que apura a morte da soldado. Como mostrou o Metrópoles, a perícia chegou a recuperar mensagens atribuídas à policial militar Gisele que teriam sido apagadas por Geraldo Neto. A investigação reuniu elementos técnicos, laudos periciais e análises de celulares apreendidos durante as apurações.

Desde a morte de Gisele, Geraldo Leite afirma que a esposa teria se suicidado por supostamente não aceitar o fim do relacionamento. A defesa dele mantém a tese de que o oficial é inocente, como foi reiterado à reportagem nesta sexta-feira (22/5).

O que é audiência de instrução

A audiência de instrução é uma das etapas centrais do processo criminal. É nesse momento que o juiz, o Ministério Público e a defesa colhem depoimentos, confrontam versões e produzem provas antes da decisão sobre o futuro da ação penal.

Nos crimes dolosos contra a vida — basicamente homicídios e, nesse caso, feminicídio–, essa fase funciona como uma espécie de “filtro processual”. Ao final da instrução, o juiz decide se há elementos suficientes para submeter o acusado a julgamento por jurados, que representam a sociedade decidindo sobre o destino do réu.

Na prática, a audiência de instrução é a etapa que antecede uma eventual pronúncia, decisão que envia o caso ao júri popular.

No despacho publicado nessa quarta-feira (21/5), obtido pelo Metrópoles, a juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro rejeitou, neste momento, o pedido da defesa para absolvição sumária do coronel. A magistrada afirmou que o caso ainda demanda “aprofundada análise da prova e dos fatos”, o que somente poderá ocorrer ao final da organização e apresentação das provas do caso.

As possibilidades após a instrução

Depois das audiências, a Justiça poderá tomar caminhos diferentes no processo.

O primeiro deles é a pronúncia, quando o juiz entende haver indícios suficientes para levar o caso ao júri popular. Esse cenário costuma ocorrer quando há elementos mínimos de autoria e materialidade do crime.

Também existe a possibilidade de impronúncia, quando o magistrado considera insuficientes as provas para enviar o caso ao júri.

Outra hipótese é a absolvição sumária, aplicada quando o juiz entende existir prova clara de inocência ou alguma situação prevista em lei, como legítima defesa comprovada.

Há ainda a desclassificação do crime. Nesse caso, o entendimento judicial seria de que não houve intenção de matar, retirando o caso da competência do Tribunal do Júri.

Embora a decisão final ainda dependa da fase de instrução, os elementos reunidos até agora, que embasaram inclusive a prisão preventiva do coronel, indicam, na avaliação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da investigação policial, a existência de indícios considerados suficientes para manutenção da ação penal na Vara do Júri. A definição, contudo, caberá exclusivamente à Justiça após a produção de provas e depoimentos.

Defesa contestou provas

Na mesma decisão, a magistrada rejeitou pedido da defesa que tentava invalidar elementos produzidos durante o Inquérito Policial Militar (IPM). A juíza entendeu que os dados coletados poderiam ser utilizados como elementos informativos para embasar a denúncia apresentada pelo Ministério Público.

A defesa também pediu a devolução de celulares apreendidos, o que foi negado pela Justiça sob o argumento de que ainda pode haver necessidade de contraprova pericial.

No processo, os advogados do coronel sustentam a nulidade de parte das provas produzidas e pedem uma reavaliação técnica de elementos reunidos durante a investigação.

Geraldo Neto segue encarcerado no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista.