Perícia recupera mensagens da PM Gisele apagadas por coronel. Veja

Oficial da PM Geraldo Neto é apontado pela Polícia Civil como responsável por apagar mensagens enviadas pela esposa um dia antes de crime

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tenente coronel pm apagou mensagens celular
1 de 1 tenente coronel pm apagou mensagens celular - Foto: Reprodução/Polícia Civil

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, teria apagado as últimas mensagens trocadas com a soldado Gisele Alves Santana, 32, no dia que antecedeu o feminicídio dela, ocorrido em 18 de fevereiro. O oficial está preso desde o último dia 18.

Perícia feita no celular da vítima, cujo relatório, obtido pelo Metrópoles, foi concluído nessa quarta-feira (25/3), afirma que as últimas conversas trocadas entre o casal foram recuperadas por meio de procedimentos técnicos.

Os diálogos (veja galeria abaixo) desmentem a versão do oficial, na qual afirma que Gisele não aceitava o fim do casamento e, por isso, teria supostamente dado um tiro contra a própria cabeça.

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Como revelado pelo Metrópoles, o celular de Gisele foi manuseado e desbloqueado minutos após o tiro que a matou. Para a Polícia Civil, teria sido o momento em que as mensagens podem ter sido deletadas por Geraldo Neto.

A conversa recuperada

No celular do coronel, cuja perícia já foi mostrada pelo Metrópoles, não constavam conversas entre o casal em 17 de fevereiro, dia que antecedeu o feminicídio de Gisele. Em uma das mensagens, enviadas à esposa, ele se define como “macho alfa“.

Isso, segundo relatório do 8º DP (Brás), “demonstra, mais uma vez, que o indiciado manuseou o celular da vítima, apagando as conversas para sustentar sua versão de que seria o responsável pelos pedidos de separação e não a vítima“.

As últimas mensagens de Gisele foram enviadas, em 17 de fevereiro, entre as 22h47 e 23h. Nelas, afirma para o oficial entrar com o pedido de divórcio.

“Você confundiu carinho com autoridade, amor com obediência, provisão com submissão […] Vejo que se arrependeu do casamento, eu também, e tem todo o direito de pedir o divórcio. Não quero nada seu, como te disse, eu me viro pra sair. Tenho minha dignidade. Pode entrar com o pedido [de divórcio] essa semana.”

Cerca de oito horas e meia após essas mensagens, como indica investigação da Polícia Civil, Gisele foi baleada na cabeça, com a arma do tenente-coronel, na sala do apartamento em que moravam, no centro da capital paulista.

O oficial, como demonstra perícia e relatos de testemunhas, demorou quase meia hora para acionar serviços de emergência. Mesmo assim, Gisele ainda estava viva com a chegada de socorristas, que a conduziram ao Hospital das Clínicas, onde morreu às 12h04.

Geraldo Neto, aos policiais militares presentes, e em seus depoimentos, afirmou, e ainda sustenta, que a esposa se suicidou por não aceitar o fim do casamento.

Segundo a versão do oficial, desmentida pelas mensagens recuperadas pela Polícia Civil, Gisele não teria aceitado a decisão dele.

O tenente-coronel afirmou, em depoimento, ter comunicado à esposa sobre o fim do casamento no início da manhã e que, após isso, ela teria ficado agressiva, expulsando-o com empurrões do quarto.

Coronel “não queria a separação”

O relatório policial ainda destaca, com base nas trocas de mensagens do casal, que o tenente-coronel “não queria a separação.”

Geraldo Neto, como consta nas mensagens, demonstrava “completa insatisfação” nos momentos em que Gisele expunha o desejo de se separar.

Nessas ocasiões, ele desviava o assunto, ressaltando como supostamente se amavam ou, ainda, encaminhava fotos em sequência de passeios feitos pelo casal.

Suposto adultério

Um dos principais motivos elencados por Gisele para o divórcio seria uma suposta traição do oficial, que estaria envolvido com uma policial. O adultério foi denunciado à soldado via mensagem, por outra policial feminina (veja galeria abaixo).

“Você sabe que essa história me atingiu, me machucou muito, e através dela houve reflexos negativos no casamento e, mesmo assim, [você] insiste em ficar com ironias, em relação a tudo? Ontem [13/2] meu pai veio me buscar, você pediu para eu ficar, daí eu fico e você continua com esse tratamento com esses assuntos?”
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Na mensagem acima, Gisele menciona o pedido feito para o pai buscá-la, porque pretendia sair de casa já em 13 de fevereiro. Na ocasião, ela foi demovida da decisão e ficou no apartamento.

No fim da noite de 14 de fevereiro, a vítima ainda critica a postura de Geraldo Neto, que costumava rebaixá-la devido ao contraste financeiro entre ambos. A discrepância monetária, como mostrado pelo Metrópoles, foi ressaltada pelo oficial, a policiais presentes na cena do crime, desde o momento em que Gisele foi retirada agonizando do apartamento.

“Você não é melhor no relacionamento por pagar o aluguel. Isso não deveria nem entrar em questão. Porque estou falando da relação interpessoal, isso que você tá fazendo é covardia! Se você quer separar, vamos separar, mas se continuar, vai ter que mudar seu comportamento estúpido, ignorante, intolerante, e sem escrúpulos. Eu estou deixando bem claro pra você que não vou aguentar muito tempo esse comportamento babaca.”

Essas mensagens foram enviadas com o casal no mesmo imóvel. Gisele dormia em um quarto separado do marido desde que a crise conjugal se estabeleceu.

De suicídio a feminicídio

No próprio dia 18 de fevereiro, após a morte de Gisele ser oficialmente declarada, às 12h04, o caso, primeiramente registrado como suicídio, passou a ser investigado como morte suspeita.

Um mês depois, o tenente-coronel foi preso, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva do Tribunal de Justiça Militar (TJM), em São José dos Campos — cidade do interior paulista em que estava, em um apartamento, desde o assassinato de Gisele.

No dia seguinte, já encarcerado no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte paulistana, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) expediu outro mandado de prisão, cumprido 28 horas após solicitação da Polícia Civil.

Preso por feminicídio e fraude processual, pela suspeita de prejudicar a cena do crime, o oficial da PM prestou um segundo depoimento, no qual se contradiz em detalhes cruciais sobre a dinâmica da morte da esposa.

Além disso, ele pinta um retrato de Gisele como se a vítima fosse desequilibrada, desorganizada e instável, em contraste ao suposto comportamento organizado, disciplinado e ponderado do agora réu.

Geraldo Neto segue encarcerado no Presídio Militar Romão Gomes. Ele e sua defesa mantêm a versão de que Gisele cometeu suicídio.

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