PM Gisele: “Todo dia falo com Deus”, disse coronel em reconstituição
Oficial preso por feminicídio da esposa afirmou em depoimento ter pedido orientação para Deus na manhã que antecedeu morte da soldado
atualizado
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Em seu segundo depoimento à Polícia Civil, após ser preso pelo feminicídio da esposa — a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos — o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 53, afirmou ser um homem religioso e que “fala com Deus” diariamente.
Gisele morreu às 12h04 de 18 de fevereiro, após ser baleada na cabeça, por volta das 7h30, no apartamento onde vivia com o oficial da Polícia Militar, no centro da capital paulista.
Na ocasião e até o atual momento, Geraldo Neto sustenta que a esposa se suicidou, após supostamente não lidar com o fato de que ele teria resolvido terminar o casamento com ela.
Segundo trocas de mensagens presentes em laudo pericial, Gisele era quem insistia em romper com o relacionamento, marcado por violência psicológica e física, de acordo com inquérito da Polícia Civil.
Ajoelhar e rezar
“Naquele dia [do assassinato] lembro que eu pedi para Deus que iluminasse os meus pensamentos, as minhas palavras, para que eu tomasse a decisão correta, porque era uma decisão muito importante”, afirmou o oficial, em depoimento no 8º DP (Brás).
O tenente-coronel contou que, desde a infância, se ajoelha e faz as mesmas orações ensinadas pela mãe, demorando entre 20 e 30 minutos, conforme a “inspiração religiosa” da ocasião. Disse ainda que pediu para que Deus iluminasse, naquele dia, os pensamentos e palavras de Gisele, para que ambos definissem o futuro do casamento.
Após as orações, Geraldo Neto afirmou que saiu do quarto e foi até o dormitório onde a esposa estava.
De toalha segurando celular
O oficial da PM afirmou ter encontrado a esposa somente de toalha, mexendo no celular, deitada na cama. Foi neste momento, acrescentou, que teria informado à esposa que iria agir seguindo a razão, optando pelo fim do relacionamento.
“Ela levantou repentinamente da cama, veio na minha direção, me empurrou assim com as duas mãos, me empurrando para fora do quarto. Quando ela me empurrou assim com as duas mãos no meu peito, eu andei para trás, saí do quarto”, relatou o oficial.
Depois disso, acrescentou que a esposa bateu a porta nas costas dele “com muita força”.
Banho e sangue
Fora do quarto, o oficial pegou uma toalha e decidiu ir tomar banho. Com a água caindo sobre seu corpo, disse que passou a refletir, por alguns minutos, sobre a suposta decisão que havia comunicado à esposa.
A reflexão teria sido interrompida com um forte estrondo, segundo ele, de uma porta supostamente batida por Gisele. Quando saiu do banheiro, afirmou ter se deparado com a esposa caída, com a cabeça sangrando.
“Quando eu ouvi aquele barulho, eu jamais iria imaginar que teria sido um tiro que ela tinha dado na cabeça”.
Essa versão foi e ainda é sustentada pelo oficial e a defesa dele desde o dia em que Gisele foi assassinada.
Laudos da Polícia Científica relatam outra dinâmica, a de que Gisele foi imobilizada e baleada na cabeça. Marcas de dedos e unhas em seu pescoço e mandíbula, assim como manchas de sangue no vitrô que dá acesso à varanda do apartamento, corroboram a conclusão técnica sobre a causa da morte.
Contradições e crime
Em um primeiro momento, o caso foi registrado como suicídio, mas em poucas horas, passou a ser investigado como morte suspeita, diante das contradições do relato do tenente-coronel com as evidências preliminares constantes no imóvel, além do relato de testemunhas — incluindo policiais militares.
Após um mês de investigações, Geraldo Neto foi preso, no último dia 18, por feminicídio e fraude processual, em cumprimento a mandados de prisão expedidos pelas Justiça Comum e Militar.
Ele segue encarcerado, por tempo indeterminado, no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista.

























