PM Gisele: CNJ pede investigação sobre desembargador amigo de coronel

A Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) pediu informações sobre a conduta do desembargador Marco Cogan, acionado pelo amigo tenente-coronel

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Policiais e homem sem camisa conversam denro de partamento - Metrópoles
1 de 1 Policiais e homem sem camisa conversam denro de partamento - Metrópoles - Foto: Reprodução/Polícia Civil

A Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) abriu, nessa quinta-feira (19/3), um Pedido de Providências no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) para ter mais informações quanto à conduta do desembargador Marco Antônio Pinheiro Cogan, amigo que foi acionado pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto ao apartamento onde a soldado Gisele Alves Santana foi baleada na cabeça, no Brás, em São Paulo.

Cogan foi ao apartamento após ser acionado pelo coronel por volta das 8h do dia 18 de fevereiro. Geraldo Neto havia tentado contato com o amigo por, ao menos, três vezes.

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Cabo impede a entrada e alerta que o imóvel está preservado para perícia
Oficial ignora recomendação e cruza a porta do imóvel acompanhado por policiais
Mesmo orientado a aguardar, coronel insiste em acessar o interior do apartamento
Policiais reforçam que qualquer manipulação deve ser feita apenas pela perícia
Dentro do apartamento, agentes evitam contato com o sangue da vítima no chão
Coronel chega ao local e tenta entrar no apartamento onde a esposa foi encontrada baleada
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Coronel chega ao local e tenta entrar no apartamento onde a esposa foi encontrada baleada

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Cabo impede a entrada e alerta que o imóvel está preservado para perícia
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Cabo impede a entrada e alerta que o imóvel está preservado para perícia

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Oficial ignora recomendação e cruza a porta do imóvel acompanhado por policiais
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Oficial ignora recomendação e cruza a porta do imóvel acompanhado por policiais

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Mesmo orientado a aguardar, coronel insiste em acessar o interior do apartamento
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Mesmo orientado a aguardar, coronel insiste em acessar o interior do apartamento

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Policiais reforçam que qualquer manipulação deve ser feita apenas pela perícia
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Policiais reforçam que qualquer manipulação deve ser feita apenas pela perícia

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Dentro do apartamento, agentes evitam contato com o sangue da vítima no chão
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Dentro do apartamento, agentes evitam contato com o sangue da vítima no chão

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Coronel circula pelo imóvel e questiona posição de objetos no quarto
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Coronel circula pelo imóvel e questiona posição de objetos no quarto

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Oficial foi acompanhado por amigo desembargador
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Oficial foi acompanhado por amigo desembargador

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Conversas revelam tensão e dificuldade dos policiais em conter superior na cena
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Conversas revelam tensão e dificuldade dos policiais em conter superior na cena

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Neto permaneceu no apartamento das 9h06 até 9h29
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Neto permaneceu no apartamento das 9h06 até 9h29

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Um dia antes, a deputada federal Sâmia Bonfim (PSol) pediu a investigação sobre a conduta do desembargador. A parlamentar alega que o desembargador violou o código de ética da magistratura e questiona a conduta do magistrado, dizendo que ele deveria ser imparcial e evitar atitudes que possam refletir em “favoritismo, predisposição ou preconceito”.

Além disso, cita artigos do documento que determina que o desembargador deve se comportar na vida privada de modo a dignificar a função.

O Metrópoles procurou o TJSP para mais informações, mas o tribunal afirmou que não comenta “questões que tramitam ou que possam vir a tramitar em outros órgãos”.

Visita de desembargador

O desembargador Marco Antônio Pinheiro Cogan encontrou com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto às 9h07 do dia 18 de fevereiro, no andar do prédio em que Gisele Alves Santana foi baleada na cabeça. Poucos segundos depois, os dois seguiram juntos em direção ao apartamento em que a soldado Gisele Alves Santana havia sido encontrada baleada. Ela morreu no mesmo dia, às 12h04, no Hospital das Clínicas.

Segundo o magistrado, ele foi chamado na condição de amigo. Na ocasião, o oficial da PM afirmou que a esposa havia se suicidado, versão sustentada ao amigo magistrado. Exatamente um mês após isso, Geraldo Neto seria preso preventivamente pelo feminicídio de Gisele e por fraude processual. Ele é réu em processos tanto no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) quanto na Justiça Militar (TJM).

O desembargador contou à Polícia Civil que, naquela manhã, havia acabado de sair de uma aula de ginástica quando recebeu uma ligação do coronel, às 8h04. Antes, o agora suspeito já havia tentado contato outras duas vezes entre 8h02 e 8h03, sem sucesso. Há ainda registros de novas oito tentativas até que, por volta das 8h41, o magistrado atende novamente à chamada do oficial.

Além do desembargador, Geraldo Neto já havia feito outras ligações, tentando acionar o 190, não aguardando atendimento em um primeiro momento. Também falou com um superior e, só depois, voltou a buscar contato externo, incluindo o magistrado.

Tentativa de conter entrada na cena do crime

Quando chegou ao prédio e se encontrou com o amigo, o desembargador não concordou em acessar o apartamento, pelo contrário.

Desde o primeiro momento, como registado por câmeras corporais de militares, ele tenta conter o coronel. Diante da porta, reforça que o ideal seria não entrar, mas não é ouvido. O tenente-coronel insiste e avança, e o magistrado, então, o acompanha.

Menos de 30 segundos após o encontro, ambos cruzam a porta do apartamento, já sob preservação policial.

Incômodo e insistência

O que ocorreu em seguida foi registrado por áudios e imagens das câmeras corporais.

Nelas, o desembargador permanece no interior do imóvel por ao menos 12 minutos. Nesse período, segundo os registros, demonstra incômodo com a situação. Em determinado momento, tenta novamente demover o coronel, orientando para “saírem dali”.

Mais uma vez, o oficial não dá ouvidos, insistindo em permanecer. Fala que precisa tomar banho. Ele chega a pedir para que o desembargador o aguardasse. O pedido não foi atendido pelo magistrado, que, antes de sair do imóvel, reforçou a necessidade de saírem dali. O coronel, ainda assim, não recuou.


Morte de PM levou à prisão de tenente-coronel


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WhatsApp de policial morta foi vizualizado quando ela já estava baleada
No mesmo dia em que ela morreu, caso passou a ser investigado como morte suspeita
Coronel afirma desde o dia da morte da esposa que ela teria se matado
Soldado foi ferida com a arma do marido
Oficial teria comportamento controlador e ciumnto segundo testemunhas
Gisele foi socorrida e morreu no Hospital das Clínicas
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Gisele foi socorrida e morreu no Hospital das Clínicas

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WhatsApp de policial morta foi vizualizado quando ela já estava baleada
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WhatsApp de policial morta foi vizualizado quando ela já estava baleada

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No mesmo dia em que ela morreu, caso passou a ser investigado como morte suspeita
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No mesmo dia em que ela morreu, caso passou a ser investigado como morte suspeita

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Coronel afirma desde o dia da morte da esposa que ela teria se matado
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Coronel afirma desde o dia da morte da esposa que ela teria se matado

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Soldado foi ferida com a arma do marido
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Soldado foi ferida com a arma do marido

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Oficial teria comportamento controlador e ciumnto segundo testemunhas
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Oficial teria comportamento controlador e ciumnto segundo testemunhas

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Soldado era casada com tenente-coronel, que estava no apartamento no momento do tiro
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Soldado era casada com tenente-coronel, que estava no apartamento no momento do tiro

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A soldado Gisele deixou uma filha de 7 anos, fruto de outro relacionamento
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A soldado Gisele deixou uma filha de 7 anos, fruto de outro relacionamento

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Gisele Alves Santana tinha 32 anos
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Gisele Alves Santana tinha 32 anos

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Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada morta
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Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada morta

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Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita
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Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita

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Uso da posição hierárquica

A decisão da Justiça Militar que prendeu Geraldo Neto aponta que o tenente-coronel teria usado sua posição hierárquica — superior à dos policiais presentes no local do crime, além do fato de ser o oficial mais antigo — para ignorar a recomendação de não tomar banho durante a ocorrência. Segundo a decisão do TJM que determinou a prisão do coronel, ele atuou para “impor sua vontade e efetivamente tomar banho novamente, mesmo diante da resistência manifestada pelos policiais responsáveis pela ocorrência”.

Imagens das câmeras corporais dos agentes teriam mostrado os policiais presentes no local do crime recomendando que Geraldo Neto não tomasse banho durante a ocorrência para preservar a integridade dos procedimentos investigativos.

O exposto na decisão judicial desmente a versão apresentada pelo coronel anteriormente, quando ele alegou que não havia recebido nenhuma orientação quanto ao segundo banho.

Ele não se valeu de sua posição hierárquica na corporação apenas no dia do crime, mas também como instrumento de dominação e violência contra a esposa Gisele Alves Santana no dia a dia do relacionamento.

Testemunhas ouvidas pela investigação contaram que o oficial ia frequentemente ao local de trabalho da vítima e usava de sua autoridade para entrar e permanecer por longos períodos observando as atividades dela, causando até constrangimento à equipe. Além disso, o tenente-coronel teria proibido a mulher de trabalhar com colegas homens e menosprezava a posição da esposa, dizendo que ela deveria “arrumar um soldado” [em vez de ter se casado com um coronel].

Ele já havia sido condenado por abuso de autoridade contra uma subordinada por um episódio de 2022, quando ainda era major e comandante do 29º Batalhão da Polícia Militar (29º BPM/M).

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