PM diz que coronel preso tentou beijá-la à força: “Nunca aceitei”
Outra policial militar denunciou ter sido vítima de assédio sexual pelo coronel acusado de matar a PM Gisele. Ele é réu por feminicídio
atualizado
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Outra policial militar denunciou ter sido vítima de assédio sexual pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, preso suspeito de matar a esposa Gisele Alves Santana, de 32. Segundo depoimento da vítima ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), no ano passado, ela trabalhava comandada pelo coronel, que se aproveitava para tentar beijá-la à força e importuná-la sexualmente.
A PM, que teve a identidade preservada, relatou que Geraldo Leite a perseguia e fazia de tudo para estar a sós com ela. Na época, o coronel já era casado com Gisele.
“O tenente coronel me disse várias vezes que eu poderia ir até sua sala sem qualquer entrave, oferecendo liberdade para estar com ele, inclusive afirmando que quando ali fosse encontrá-lo ele poderia fechar a porta da sala para que ninguém soubesse que estavam ali e o que estariam fazendo”, contou a policial.
De acordo com o documento obtido pelo Metrópoles, o coronel também perguntava para a PM o que ela fazia nos horários de folga e insistia em propor encontros com ela. A mulher respondia que tinha “um casamento sólido e consolidado” e que aproveitava as folgas para passar tempo com o esposo.
No depoimento, a mulher pediu ao MPSP a ocultação de seus dados por ter receio de ser prejudicada pelo relato. Após diversas tentativas de se aproximar da PM, o coronel solicitou a transferência dela para outra unidade policial, longe da casa dela.
“Essa transferência me foi muito prejudicial, porque eu residia próximo ao 49° Batalhão e fui transferida para o 16°, que fica longe de minha casa. Essa transferência me foi avisada por telefone. Tenho certeza que somente ocorreu porque eu não quis me relacionar com ele e isso foi uma espécie de vingança”, lamentou ela.
Procurada pelo Metrópoles, a defesa de Geraldo Leite Rosa Neto, representada pelo advogado Eugenio Malavasi, afirmou que “rechaça uma acusação desprovida de elemento fático idôneo para respaldá-la, sobretudo em face do hiato temporal que surgiu referida alegação”.
Outras denúncias
Geraldo Leite também já foi denunciado por outras três mulheres, conforme o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A Justiça reconheceu que ações atribuídas ao tenente-coronel em 2022, na época major e comandante do 29º Batalhão da Polícia Militar (29º BPM/M), configuraram abuso de autoridade, no contexto de uma disputa interna dentro da corporação.
Entre os episódios analisados pela Justiça está a movimentação de quatro policiais militares femininas durante uma preleção administrativa, medida que, segundo os autos, foi adotada como forma de punição após um conflito interno no batalhão.
O processo, obtido pelo Metrópoles, menciona críticas reiteradas e decisões hierárquicas que expuseram uma policial a constrangimento profissional, situação que, de acordo com a sentença, afetou sua autoestima e sua estabilidade no ambiente de trabalho, caracterizando assédio moral dentro da estrutura da PM.
Ainda segundo o entendimento judicial, a situação teria sido agravada pela somatória de episódios que envolveram acusação de extravio de documentos disciplinares, atribuídos à PM feminina pelo então major, e tentativa de transferência da policial, o que foi analisado pelo Judiciário como parte do contexto de pressão funcional.
Investigado por feminicídio
O nome do oficial ganhou destaque no debate público, recentemente, após a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, atual esposa do comandante. Ela foi encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento do casal, em São Paulo, e morreu horas depois no Hospital das Clínicas.
O episódio está sendo investigado pelas autoridades e reacendeu discussões sobre episódios anteriores envolvendo o oficial dentro da corporação.
