PM Gisele: oficial feminina compõe trio que julga demissão de coronel
Conselho irá definir se o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto irá perder a patente militar; ele está preso suspeito de feminicídio
atualizado
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Três coronéis da Polícia Militar, entre eles uma mulher (imagens em destaque), compõem o Conselho de Justificação (CJ) que irá julgar a eventual demissão e consequente perda de patente do tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, preso sob suspeita de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, 32, em 18 de fevereiro no Brás, centro paulistano.
O oficial está encarcerado no Presídio Militar Romão Gomes, desde 13 de março. Ele nega o feminicídio, assim como fraude processual — crime também a ele atribuído — alegando que Gisele teria cometido suicídio.
Como revelado pelo Metrópoles, o CJ foi instaurado pelo secretário da Segurança Pública Osvaldo Nico Gonçalves, no último dia 31. No mesmo dia, os nomes dos três oficiais, além de um suplente, foram publicados no Diário Oficial.
O CJ é um processo administrativo especial que analisa a incapacidade de oficiais das Forças Armadas de permanecerem na ativa. Ao apurar condutas irregulares, pode punir um oficial com demissão ou reforma. A decisão ou não pela demissão será submetida ao Tribunal de Justiça Militar (TJM). Se, por exemplo, o TJM referendar a demissão, o próximo passo é a sanção do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Compõem o conselho a coronel Marisa de Oliveira, comandante do Comando de Policiamento de Área Metropolitana 11 (CPA/M-11), na zona leste paulistana; Adalberto Gil Lima Mendonça, do CPA/M-7, responsável por Guarulhos e cidades do entorno na região metropolitana e Carlos Alexandre Marques, do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom).
O suplente, caso algum dos oficiais fique impedido de deliberar o futuro de Geraldo Neto na corporação, é o coronel Leandro Garcia Souza, do CPA/M-3, responsável pelo policiamento na zona norte da capital.
A morte da PM Gisele
Geraldo Neto está preso, desde o último dia 18, sob suspeita de matar a esposa e de fraude processual. Desde o início, ele afirma que Gisele Alves Santana teria tirado a própria vida, versão que vem sendo questionada à medida que novas evidências surgem.
De acordo com as investigações, o tenente-coronel teria apagado as últimas mensagens trocadas com a soldado Gisele Alves Santana um dia antes de sua morte. A perícia feita no celular da vítima, segundo relatório obtido pelo Metrópoles, conseguiu recuperar as conversas entre o casal.
Os diálogos desmentem a versão sustentada por Geraldo Leite Rosa Neto de que a esposa não aceitava o fim do casamento e que teria sido esse o motivo de seu suposto suicídio. Isso, segundo relatório do 8º DP (Brás), “demonstra, mais uma vez, que o indiciado manuseou o celular da vítima, apagando as conversas para sustentar sua versão de que seria o responsável pelos pedidos de separação e não a vítima”.
Horas antes de ser baleada, Gisele escreveu que concordava com o divórcio. “Tem todo o direito de pedir o divórcio […] Pode entrar com o pedido essa semana”, afirmou, não deixando margem para dúvida sobre sua decisão.
Cerca de oito horas e meia após essas mensagens, como indica investigação da Polícia Civil, Gisele foi baleada na cabeça, com a arma do tenente-coronel, na sala do apartamento em que moravam, no centro da capital paulista.
Defesa contratou perito particular
Na semana passada, a Justiça autorizou que um perito indicado pela defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto acompanhe de perto a produção das provas técnicas no processo que apura a morte da soldado Gisele. A decisão permite que o especialista atue como assistente, participando das perícias e apresentando análises próprias ao longo da investigação.
O aval judicial abre espaço para que a defesa tenha um olhar técnico paralelo ao trabalho oficial em um caso marcado por contradições, mensagens apagadas e questionamentos sobre o que de fato aconteceu dentro do apartamento do casal no dia do crime.






















