Conselho vai definir se coronel réu por feminicídio deve ser demitido
Secretário de Segurança Pública determinou instauração de Conselho de Justificação, que vai analisar a conduta do coronel Geraldo Rosa Neto
atualizado
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O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou nesta terça-feira (31/3) que mandou instaurar um conselho deliberativo que vai analisar a demissão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, preso este mês por feminicídio. Ele é réu pela morte da esposa, a soldado PM do Gisele Alves Santana, de 32, baleada com um tiro na cabeça no apartamento do casal.
O Conselho de Justificação (CJ) instaurado por Nico é um processo administrativo especial que analisa a incapacidade de oficiais das Forças Armadas de permanecerem na ativa. Ao apurar condutas irregulares, o CJ pode punir um oficial com demissão ou reforma.
O processo inclui a escolha de três oficiais mais antigos do que o coronel Geraldo Neto para avaliar a conduta dele. A decisão ou não pela demissão será submetida ao Tribunal de Justiça Militar (TJM). Se, por exemplo, o TJM referendar a demissão, o próximo passo é a sanção do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A morte da PM Gisele
Geraldo Neto está preso, desde o último dia 18, sob suspeita de matar a esposa e de fraude processual. Desde o início, ele afirma que Gisele Alves Santana teria tirado a própria vida, versão que vem sendo questionada à medida que novas evidências surgem.
De acordo com as investigações, o tenente-coronel teria apagado as últimas mensagens trocadas com a soldado Gisele Alves Santana um dia antes de sua morte. A perícia feita no celular da vítima, segundo relatório concluído na semana passada e obtido pelo Metrópoles, conseguiu recuperar as conversas entre o casal.
Os diálogos desmentem a versão sustentada por Geraldo Leite Rosa Neto de que a esposa não aceitava o fim do casamento e que teria sido esse o motivo de seu suposto suicídio. Isso, segundo relatório do 8º DP (Brás), “demonstra, mais uma vez, que o indiciado manuseou o celular da vítima, apagando as conversas para sustentar sua versão de que seria o responsável pelos pedidos de separação e não a vítima”.
Horas antes de ser baleada, Gisele escreveu que concordava com o divórcio. “Tem todo o direito de pedir o divórcio […] Pode entrar com o pedido essa semana”, afirma, não deixando margem para dúvida sobre sua decisão.
Cerca de oito horas e meia após essas mensagens, como indica investigação da Polícia Civil, Gisele foi baleada na cabeça, com a arma do tenente-coronel, na sala do apartamento em que moravam, no centro da capital paulista.
Defesa contratou perito particular
Esta semana, a Justiça autorizou que um perito indicado pela defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto acompanhe de perto a produção das provas técnicas no processo que apura a morte da soldado Gisele. A decisão permite que o especialista atue como assistente, participando das perícias e apresentando análises próprias ao longo da investigação.
O aval judicial abre espaço para que a defesa tenha um olhar técnico paralelo ao trabalho oficial em um caso marcado por contradições, mensagens apagadas e questionamentos sobre o que de fato aconteceu dentro do apartamento do casal no dia do crime.














