Coronel que matou PM Gisele assediou subordinada: “Te dar um beijo bem gostoso”
Conversas mostram que coronel Geraldo Leite Rosa Neto, ligou para subordinada um dia após a morte da PM Gisele e negou envolvimento no caso
atualizado
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Mensagens do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto revelam conversas de teor sexual enviadas a uma policial subordinada meses antes dele ser preso, acusado pela morte da esposa, a soldado da Polícia Militar (PM) Gisele Alves Santana. O oficial também é alvo de uma denúncia encaminhada à Corregedoria da Polícia Militar no último dia 30 de abril, na qual a subordinada acusa o coronel de assédio sexual e moral dentro do batalhão onde ambos trabalhavam, em São Paulo.
O Metrópoles teve acesso a imagens das conversas atribuídas ao tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto com a policial subordinada. Nas mensagens, o oficial faz declarações amorosas, insiste em um relacionamento e envia comentários de teor íntimo. Veja abaixo:
“Vc vai aceitar namorar comigo?”
Em uma das conversas, a policial pede que ele mantenha “o profissionalismo” e afirma que não queria nenhum envolvimento com o coronel. “Não vamos ter nada, eu não quero nada… apenas respeito”, escreveu a soldado. Mesmo assim, o oficial respondeu dizendo que a amava e que queria “ficar, namorar, noivar e casar” com ela.
As mensagens também mostram insistência frequente do coronel em procurar pela subordinada. Em outro trecho, ele pergunta: “Vc vai aceitar namorar comigo?” e afirma: “não vejo a hora de te dar um beijo bem gostoso”.
Segundo os registros obtidos pela reportagem, no dia 19 de fevereiro, um dia após a morte da soldado Gisele Alves Santana, o oficial voltou a procurar a policial com mensagens e ligações não atendidas.
Dias após a morte de Gisele, o coronel Neto voltou a procurar a policial subordinada e enviou mensagens tentando se defender da acusação de ter matado a esposa. Em uma das conversas, o oficial escreveu: “Eu estava no banho quando ela se matou na sala”, antes de afirmar que acionou o resgate e chamou equipes da polícia e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Relembre o caso
- A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo.
- Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
- Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
- Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.
- Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da esposa.
- A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel.
- O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
- A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto em 17 de março.
- Ele foi preso no dia seguinte em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
Prisão do coronel
A prisão do oficial Geraldo Leite Rosa Neto foi solicitada pela Polícia Civil no dia 17 de março, após o resultado dos laudos descartar a hipótese de suicídio sustentada por ele. O coronel foi preso na manhã do dia 18, em um condomínio residencial de São José dos Campos, interior de São Paulo, exatamente um mês após a morte da esposa.
Ao chegar às dependências ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, na tarde de quarta-feira (18/3), o tenente-coronel foi recebido com abraços por colegas de farda. Veja:





































