Caso Gisele: coronel preso é suspeito de assediar outra PM após crime
Denúncia enviada à Corregedoria da PM aponta que coronel Neto mantinha mensagens frequentes e tentativas de aproximação com subordinada
atualizado
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Uma denúncia encaminhada à Corregedoria da Polícia Militar no último dia 30 de abril acusa o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso pela morte da mulher, a soldado Gisele Alves Santana, de assédio sexual e moral contra uma policial subordinada da corporação. Segundo a defesa da vítima, as tentativas teriam continuado mesmo após a morte de Gisele.
De acordo com a denúncia, a soldado e o tenente-coronel trabalhavam no 49º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano, onde atuava como comandante da unidade e ela integrava o efetivo da 3ª Companhia. A policial afirma ter sido alvo frequente de mensagens, convites e abordagens de cunho pessoal, além de episódios de pressão dentro do ambiente de trabalho, supostamente praticados pelo oficial ao longo de meses.
Assédio após morte de esposa
14 dias após a morte da soldado Gisele Alves Santana, ocorrida em 18 de fevereiro, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto procurou a soldado Rariane Caroline. O contato teria acontecido no dia 4 de março, quando o oficial tentou falar com a soldado para se explicar sobre a investigação da morte da esposa, caso pelo qual ele já era apontado como suspeito.
De acordo com o relato apresentado pela defesa, Rariane pediu para que o coronel a deixasse em paz e afirmou que vinha sendo associada, de forma equivocada, como amante do oficial dentro da corporação. A soldado relata ainda que, mesmo sem resposta, ele continuou enviando mensagens e insistindo no contato. Em um dos trechos da denúncia, ela afirma que o comportamento do comandante era de um “maluco”, e que passou a temer do que ele poderia ser capaz após a morte de Gisele.
“Algo em off”
As mensagens enviadas pelo coronel Neto começaram com elogios à postura profissional da soldado, mas, ao longo dos meses, passaram a ter teor pessoal e insistente. A defesa afirma que o oficial comentava sobre a aparência, o fardamento e a vida particular da policial, além de tentar criar proximidade fora do ambiente de trabalho.
Ainda de acordo com o documento, a partir de agosto de 2025 as abordagens ficaram mais explícitas. O coronel teria dito que “queria ela pra ele”, que gostaria de manter “algo em off” e chegou a afirmar que “queria beijar sua boca”. Em outra mensagem, enviada após uma visita à base da PM onde ela trabalhava, escreveu que “gostava de estar perto dela”, mas que sentia que a soldado “fugia” dele.
A denúncia também aponta que as mensagens eram frequentes e continuaram mesmo após recusas diretas da policial. Em um dos episódios descritos, ele teria ido até o prédio onde a soldado morava com um buquê de flores e depois enviado mensagens avisando que havia deixado o presente na portaria.
Relembre o caso
- A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo.
- Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
- Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
- Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.
- Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da esposa.
- A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel.
- O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
- A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto em 17 de março.
- Ele foi preso no dia seguinte em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
Prisão do coronel
A prisão do oficial Geraldo Leite Rosa Neto foi solicitada pela Polícia Civil no dia 17 de março, após o resultado dos laudos descartar a hipótese de suicídio sustentada por ele. O coronel foi preso na manhã do dia 18, em um condomínio residencial de São José dos Campos, interior de São Paulo, exatamente um mês após a morte da esposa.
Ao chegar às dependências ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, na tarde de quarta-feira (18/3), o tenente-coronel foi recebido com abraços por colegas de farda. Veja:

















