Filha da PM Gisele recebe 1º pagamento de pensão após morte da mãe
Pensão da filha, de 7 anos, da PM Gisele Alves Santana é liberada com pagamento retroativo desde a morte da mãe, cobrindo fevereiro e março
atualizado
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A filha de 7 anos de Gisele Alves Santana, policial militar assassinada com um tiro na cabeça, crime que levou à prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, começou a receber, nesta quarta-feira (8/4), a pensão destinada a filhos de servidores falecidos menores de 18 anos.
A São Paulo Previdência (SPPREV) esclareceu que o pagamento da pensão para filhos de servidores falecidos segue a legislação federal e estadual vigente. Segundo o órgão, o primeiro depósito considera o período proporcional de fevereiro, a partir do falecimento da policial militar Gisele Alves Santana em 18 de fevereiro, e o mês completo de março.
A partir de abril, a pensão será paga mensalmente com base na remuneração da servidora na data do óbito. Em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados e ao Estatuto da Criança e do Adolescente, a SPPREV não divulgou informações individualizadas sobre os valores do benefício.
Já o advogado da família de Gisele, José Miguel da Silva Júnior, afirmou que o depósito foi realizado, mas classificou os valores como “incompatíveis com o esperado” e informou que irá recorrer para garantir os direitos da menor: “Evidentemente, estaremos tomando medidas cabíveis para que a filha da Gisele tenha seus direitos garantidos.”
Ainda segundo a SPPREV, o pagamento garante que os dependentes recebam retroativamente os valores devidos desde o falecimento do servidor, assegurando o acesso da filha de Gisele aos meses acumulados desde a morte da mãe.
De acordo com apuração do Metrópoles, os valores da pensão ainda podem ser reajustados. Isso porque o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) sancionou a lei que concede aumento de 10% na remuneração das polícias Civil, Militar e Técnico-Científica de São Paulo. Segundo o governo do estado, o reajuste se aplica a todas as classes e carreiras das corporações citadas, e abrange cerca de 198 mil servidores ativos e inativos. O impacto nos cofres públicos é de aproximadamente R$ 1,75 bilhão.
Relembre o caso
- A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo.
- Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
- Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
- Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.
- Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da esposa.
- A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel. O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
- A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto em 18 de março. Ele foi preso no mesmo dia em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
Aposentadoria do coronel
A publicação do Diário Oficial da última quinta-feira (2/4) registrou a aposentadoria do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, preso acusado de matar a esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, com um tiro na cabeça. A publicação informa que ele foi transferido para a reserva com “os proventos integrais”.
No entanto, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) esclarece que o pagamento do salário está suspenso desde a prisão, em 18 de março. Apesar de ter solicitado a aposentadoria após a suspensão, o recebimento da renda dependerá de decisão judicial definitiva.
Com uma carreira longa na Polícia Militar, Geraldo tem direito a receber uma parcela da remuneração que percebia como policial. Segundo o Portal da Transparência, em fevereiro de 2026, ele recebeu R$ 28.946,81 em rendimento bruto e R$ 15.092,39 líquidos. A SSP reforça que a interrupção do pagamento da aposentadoria permanece enquanto não houver definição judicial sobre o caso.
Prisão do coronel
A prisão do oficial Geraldo Leite Rosa Neto foi solicitada pela Polícia Civil no dia 17 de março, após o resultado dos laudos descartar a hipótese de suicídio sustentada por ele. O coronel foi preso na manhã do dia 18, em um condomínio residencial de São José dos Campos, interior de São Paulo, exatamente um mês após a morte da esposa.
Ao chegar às dependências ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, na tarde de quarta-feira (18/3), o tenente-coronel foi recebido com abraços por colegas de farda. Veja:

















