“Monstro covarde”: pais da PM Gisele repudiam aposentadoria de coronel

Publicação no Diário Oficial indica que o coronel foi aposentado com salário integral, mas o pagamento está suspenso desde a prisão

atualizado

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Pais da PM Gisele - Metrópoles
1 de 1 Pais da PM Gisele - Metrópoles - Foto: Material cedido ao Metrópoles

A decisão de aposentar o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, publicada nesta quinta-feira (2/4), aumentou a revolta da família da esposa dele, encontrada morta em fevereiro deste ano. Preso acusado de assassinar a soldado Gisele Alves Santana, o oficial passou a receber salário integral. Diante da notícia, os pais de Gisele repudiaram a medida e pediram justiça.

O pai, José Simonal Telles, disse que a decisão foi rápida demais diante da dor dos parentes da policial. “Para aposentar ele foi rápido, para a minha filha sobrou o caixão e o luto”, afirmou. A mãe, Marinalva Vieira Alves de Santana, também se manifestou e reforçou o sentimento de impotência.

José Simonal questionou o fato de o Estado arcar com a verba ao investigado. “Você acha justo a população de São Paulo pagar um salário para um monstro desse, covarde, que matou sua mulher, colega de farda?”, desabafou.

A aposentadoria foi publicada no no Diário Oficial de São Paulo e prevê pagamento integral ao tenente-coronel mas o pagamento está suspenso desde a prisão. Para a família, isso aumenta a sensação de impunidade.

“É muito revoltante ver um assassino desse ser aposentado assim tão rápido”, disse o pai, ao destacar a dor e a indignação diante do caso.

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Gisele foi encontrada morta em fevereiro
Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas depois o coronel foi preso e é investigado por feminicídio
Oficial ignorou recomendação e cruzou a porta do imóvel acompanhado por policiais
Gisele Alves Santana e Geraldo Leite Rosa Neto
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Gisele Alves Santana e Geraldo Leite Rosa Neto

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Gisele foi encontrada morta em fevereiro
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Gisele foi encontrada morta em fevereiro

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Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas depois o coronel foi preso e é investigado por feminicídio
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Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas depois o coronel foi preso e é investigado por feminicídio

Arquivo pessoal
Oficial ignorou recomendação e cruzou a porta do imóvel acompanhado por policiais
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Oficial ignorou recomendação e cruzou a porta do imóvel acompanhado por policiais

Polícia Civil/Reprodução

Aposentadoria do coronel

A decisão da Polícia Militar de aposentar o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi publicada em meio às investigações que apuram a morte da esposa, a policial militar Gisele Santana. Preso e acusado de atirar contra a cabeça da companheira, o oficial passará a receber salário integral pago pela corporação, como forma de pensão.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP), informou que o coronel teve o salário suspenso desde a prisão, em 18 de março, e que a aposentadoria não impede a responsabilização penal ou disciplinar, podendo inclusive levar à perda definitiva do salário, caso haja decisão judicial.

Dados do Portal da Transparência mostram que, em fevereiro de 2026, o coronel recebeu salário bruto de R$ 28.946,81, além de um abono de R$ 2.995,43, valor cerca de quatro vezes maior do que o salário de Gisele, que era de R$ 7.222,33 mensais.

A aposentadoria foi oficializada na mesma semana em que o secretário da SSP, Osvaldo Nico Gonçalves, determinou a abertura de um conselho para avaliar a possível demissão do oficial da corporação.


Relembre o caso


Prisão do coronel

A prisão do oficial Geraldo Leite Rosa Neto foi solicitada pela Polícia Civil em 17 de março, após o resultado dos laudos descartar a hipótese de suicídio sustentada por ele. O coronel foi preso na manhã do dia 18, em um condomínio residencial de São José dos Campos, no interior, exatamente um mês após a morte da esposa.

Ao chegar às dependências ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista, o tenente-coronel foi recebido com abraços por colegas de farda. Veja:

Mensagens obtidas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) revelam detalhes de uma relação marcada por controle, humilhação e imposições feitas por Geraldo à Gisele. Em um dos trechos, com falas que remetem ao discurso de ódio do movimento conhecido como redpill, o oficial se descreve como “superior”.

Ele afirmou: “Sou rei, religioso, honesto, trabalhador, inteligente, saudável, bonito, gostoso, carinhoso, romântico, provedor, soberano”.

Segundo a investigação, o coronel também deixava claro o tipo de comportamento que esperava da companheira. Em outra mensagem, escreveu que tratava a esposa “com amor, carinho, atenção e autoridade de macho alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa”, indicando uma relação baseada em submissão. Para ele, esse modelo evitaria conflitos.

De acordo com a denúncia, o relacionamento, que teria começado de forma aparentemente tranquila, passou a ser marcado por episódios de violência psicológica, moral e até física. Os promotores apontam ainda indícios de controle financeiro e isolamento, o que caracteriza um ambiente de abuso constante vivido pela vítima.

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