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São Paulo

"Sou rei, gostoso, soberano": coronel era tóxico com esposa, diz MPSP

Tenente-coronel Geraldo Neto, preso nesta quarta (18/3), no interior de SP, tinha perfil tóxico e controlador com a soldado Gisele

18/03/2026 16:36, atualizado 18/03/2026 17:35
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Material cedido ao Metrópoles
Imagem colorida de tenente-coronel preso. Metrópoles

“Sou rei, religioso, honesto, trabalhador, inteligente, saudável, bonito, gostoso, carinhoso, romântico, provedor, soberano.” A mensagem foi escrita pelo tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto e extraída pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) para compor a investigação sobre a morte da soldado PM Gisele Alves Santana, esposa do oficial preso nesta quarta-feira (18/3) pela Corregedoria da PM, em São José dos Campos, no interior paulista.

Na denúncia da Promotoria, o oficial descreve, de forma explícita, o modelo de relação que esperava manter. Segundo ele, um marido precisa ser “provedor” e a esposa “carinhosa e submissa”. Com isso, segundo mensagem atribuída ao oficial, “não tem atrito”.

“Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa – com amor, carinho, atenção e autoridade de macho alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser”, escreveu Geraldo Neto.

O Ministério Público revelou, em denúncia obtida pelo Metrópoles, uma série de mensagens atribuídas ao tenente que evidenciam um comportamento descrito como “tóxico, autoritário e possessivo” em relação à esposa.

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WhatsApp de policial morta foi vizualizado quando ela já estava baleada
No mesmo dia em que ela morreu, caso passou a ser investigado como morte suspeita
Coronel afirma desde o dia da morte da esposa que ela teria se matado
Soldado foi ferida com a arma do marido
PM Gisele: novos depoimentos podem levar à expulsão de tenente-coronel
Gisele foi socorrida e morreu no Hospital das Clínicas
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Gisele foi socorrida e morreu no Hospital das Clínicas

Arquivo Pessoal
WhatsApp de policial morta foi vizualizado quando ela já estava baleada
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WhatsApp de policial morta foi vizualizado quando ela já estava baleada

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No mesmo dia em que ela morreu, caso passou a ser investigado como morte suspeita
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No mesmo dia em que ela morreu, caso passou a ser investigado como morte suspeita

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Coronel afirma desde o dia da morte da esposa que ela teria se matado
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Coronel afirma desde o dia da morte da esposa que ela teria se matado

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Soldado foi ferida com a arma do marido
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Soldado foi ferida com a arma do marido

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PM Gisele: novos depoimentos podem levar à expulsão de tenente-coronel
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PM Gisele: novos depoimentos podem levar à expulsão de tenente-coronel

Arquivo Pessoal
Soldado era casada com tenente-coronel, que estava no apartamento no momento do tiro
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Soldado era casada com tenente-coronel, que estava no apartamento no momento do tiro

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A soldado Gisele deixou uma filha de 7 anos, fruto de outro relacionamento
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A soldado Gisele deixou uma filha de 7 anos, fruto de outro relacionamento

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Gisele foi encontrada morta em fevereiro
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Gisele foi encontrada morta em fevereiro

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Gisele Alves Santana tinha 32 anos
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Gisele Alves Santana tinha 32 anos

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Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada morta
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Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada morta

Instagram/Reprodução
Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita
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Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita

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Segundo a promotoria, os diálogos extraídos do celular do próprio investigado mostram uma dinâmica de controle e submissão dentro do relacionamento, pano de fundo para o assassinato – classificado como feminicídio. Além disso, o oficial foi acusado, pelo Tribunal de Justiça Militar (TJM) de fraude processual.

A prisão dele resultou de pedido da Justiça Militar. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) não havia se manifestado sobre outro pedido de prisão, feito nessa terça-feira (18/3) pela Polícia Civil, até a publicação desta reportagem.

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Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto chega ao 8º DP para prestar depoimento
Tenente-coronel é principal suspeito pela morte da esposa, a PM Gisele Alves Santana
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Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto chega ao 8º DP para prestar depoimento
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Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto chega ao 8º DP para prestar depoimento

Fábio Vieira/Especial Metrópoles
Tenente-coronel é principal suspeito pela morte da esposa, a PM Gisele Alves Santana
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Tenente-coronel é principal suspeito pela morte da esposa, a PM Gisele Alves Santana

Fábio Vieira/Especial Metrópoles
Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (18/3)
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Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (18/3)

Fábio Vieira/Especial Metrópoles
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Material cedido ao Metrópoles
Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas depois o coronel foi preso e é investigado por feminicídio
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Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas depois o coronel foi preso e é investigado por feminicídio

Arquivo pessoal
Tenente-coronel teve prisão decretada por morte da esposa, a PM Gisele
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Tenente-coronel teve prisão decretada por morte da esposa, a PM Gisele

Arquivo pessoal
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Reprodução

A defesa do oficial alega que ele é inocente, mantendo a tese de que a soldado teria se suicidado. O oficial seria submetido a uma audiência de custódia do TJM, via chamada de vídeo, na tarde desta quarta-feira.

“Macho alfa”

Em uma das mensagens que constam na denúncia da Promotoria, o oficial descreve, de forma explícita, o modelo de relação que esperava manter. Segundo ele, um marido precisa ser “provedor” e a esposa “carinhosa e submissa”. Com isso, segundo mensagem atribuída ao oficial, “não tem atrito”.

A denúncia também reproduz frases que reforçam a visão de superioridade do coronel, o qual se autointitula  “mais que um príncipe”.

“Sou rei, religioso, honesto, trabalhador, inteligente, saudável, bonito, gostoso, carinhoso, romântico, provedor, soberano.”

Para o MPSP, o conteúdo revela “comportamento machista, agressivo, possessivo, manipulador e autoritário”, incompatível com a versão pública apresentada pelo oficial após a morte da esposa.

Relação marcada por controle, humilhação e violência

A denúncia descreve um relacionamento que rapidamente saiu de um início “harmônico” para um cenário de abusos sistemáticos. Segundo os promotores, Gisele passou a sofrer violência psicológica, física e moral, além de controle financeiro e isolamento social.

Há ainda relatos de exigência de relações sexuais como forma de “compensação” pelos custos da casa, o que aparece também nas mensagens. “Investe amor, carinho, atenção, dedicação, sexo… mas nem isso você faz”, escreveu o oficial.

Dias antes do crime, Gisele já manifestava de forma clara o desejo de romper o relacionamento, afirmando que não estava disposta a “trocar sexo por moradia e ponto-final”.

“Você não me respeita; não sabe conversar; ontem enfiou a mão na minha cara”, declarou a agora vítima de feminicídio.

Ainda de acordo com a Promotoria, a decisão da vítima de se separar foi o estopim para o crime.

Feminicídio e tentativa de simular suicídio

O MPSP denuncia o tenente-coronel pelo feminicídio da esposa, com um tiro na cabeça, dentro do apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo, em 18 de fevereiro.

Segundo o documento, o disparo foi feito após uma discussão motivada pela intenção de Gisele de se divorciar. Em seguida, o oficial teria manipulado a cena para simular suicídio, colocando a arma na mão da vítima e alterando o ambiente.

A investigação aponta ainda que ele demorou a acionar socorro e chegou a tomar banho para eliminar vestígios, mesmo após orientação contrária dos policiais que atenderam a ocorrência.

MPSP pede prisão e aponta risco à ordem pública

Na denúncia, o Ministério Público pede a prisão preventiva do oficial, destacando que há provas da materialidade do crime e indícios consistentes de autoria.

“As circunstâncias que envolveram o crime demonstram que o denunciado possui caráter desvirtuado e perigoso à ordem pública (…). As mensagens do celular revelam seu comportamento tóxico, com sentimentos de superioridade e desrespeito ao próximo.”

O MPSP sustenta que, em liberdade, o coronel poderia intimidar testemunhas, manipular provas e até repetir condutas semelhantes.

Além do feminicídio — cometido, segundo a denúncia, por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima — o oficial é acusado de fraude processual, por tentar alterar a cena do crime.

Indenização e julgamento

A Promotoria pede ainda que, em caso de condenação, seja fixada indenização mínima de R$ 100 mil à família de Gisele.

O caso será julgado pelo Tribunal do Júri, responsável por crimes dolosos contra a vida.

Um padrão de comportamento

Para os investigadores, as mensagens não são episódios isolados, mas parte de um padrão. A denúncia cita ainda relatos de que o oficial exercia influência sobre subordinadas e teria cometido abusos em outros contextos profissionais.

Na avaliação do MPSP, o conjunto de provas aponta para um perfil marcado por controle, sentimento de posse e incapacidade de aceitar a autonomia da vítima. Esses elementos, destacou, culminaram no desfecho fatal.

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