Comandante diz que PM sai “imaculada” e sem orgulho após caso Gisele
O comandante da PM lamentou o ocorrido e diz que a corporação não sai com orgulho. A policial Gisele foi morta pela marido tenente-coronel
atualizado
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O comandante da Polícia Militar (PM) de São Paulo, José Augusto Coutinho, afirmou que a corporação saiu “imaculada” e sem orgulho após o caso envolvendo a morte da soldado Gisele Alves Santana. O marido dela, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, foi preso em São José dos Campos, no interior de São Paulo, nesta quarta-feira (18/3), suspeito de matar a esposa com um tiro na cabeça.
A fala do comandante foi feita durante uma coletiva de imprensa realizada na sede da Secretaria da Segurança Pública (SSP), no centro de São Paulo. O comandante ainda afirmou que, apesar da alta patente dentro da PM, o suspeito foi tratado como se fosse qualquer outra pessoa e lamentou o ocorrido.
“Obviamente a Polícia Militar está imaculada disso. Um dos seus integrantes está preso hoje, preso preventivamente acusado de feminicídio. Mas a gente corta na própria carne. Para demonstrar que não há diferenciações quanto ao autor, principalmente em delitos como esse”, afirmou o comandante.
Tenente-coronel preso acusado de matar esposa PM
O tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi preso na manhã desta quarta-feira (18/3), em um condomínio residencial de São José dos Campos, no interior de São Paulo, acusado de matar a esposa, Gisele Alves Santana, com um tiro na cabeça.
Nas imagens, é possível ver o momento em que o tenente-coronel deixa o condomínio sem algema e acompanhado por dois agentes. Ele entra em uma viatura policial e deixa o local. O coronel carrega uma garrafa de água e está vestido com uma blusa preta e calça jeans.
O inquérito policial militar aberto para investigar o caso apura possível prática de feminicídio e fraude processual por parte do coronel Neto. O caso foi tratado inicialmente como suicídio. A prisão preventiva do tenente-coronel foi decretada pela Justiça Militar de São Paulo após um pedido da Polícia Civil.
A prisão foi decretada após o avanço das investigações do 8º Distrito Policial do Brás, que analisou laudos periciais, depoimentos de testemunhas e registros das primeiras horas após o disparo que atingiu a cabeça da PM.
Gisele, de 32 anos, foi encontrada morta dentro do apartamento onde residia com o marido, no Brás, centro da capital, em 18 de fevereiro. Os investigadores apontam que a dinâmica do caso não é compatível com a versão inicial dada pelo tenente-coronel.
Morte de PM levou à prisão de tenente-coronel
- A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo.
- Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
- Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
- Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.
- Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da policial militar.
- A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel. O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
- A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto nesta quarta-feira (18/3). Ele foi preso no mesmo dia em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
O advogado Eugênio Malavasi, que defende o tenente-coronel, questiona o mandado de prisão expedido pela Justiça Militar, já que, “se houve a imputação de feminicídio e fraude processual, foi no âmbito privado, e não no âmbito da Justiça Militar”.
“Entendo que a Justiça Militar não é competente para o decreto preventivo”, argumentou Malavasi.
Uso da posição hierárquica
A decisão da Justiça Militar aponta que o tenente-coronel teria usado de sua posição hierárquica — superior à dos policiais presentes no local do crime, além do fato de ser o oficial mais antigo — para ignorar a recomendação de não tomar banho durante a ocorrência. Segundo a decisão do TJM que determinou a prisão do coronel, ele atuou para “impor sua vontade e efetivamente tomar banho novamente, mesmo diante da resistência manifestada pelos policiais responsáveis pela ocorrência”.
O exposto na decisão judicial desmente a versão apresentada pelo coronel anteriormente, quando ele alegou que não havia recebido nenhuma orientação quanto ao segundo banho.
Ele não se valeu de sua posição hierárquica na corporação apenas no dia do crime, mas também como instrumento de dominação e violência contra a esposa Gisele Alves Santana no dia a dia do relacionamento.
Testemunhas ouvidas pela investigação contaram que o oficial ia frequentemente ao local de trabalho da vítima e usava de sua autoridade para entrar e permanecer por longos períodos observando as atividades dela, causando até constrangimento à equipe. Além disso, o tenente-coronel teria proibido a mulher de trabalhar com colegas homens e menosprezava a posição da esposa, dizendo que ela deveria “arrumar um soldado” [em vez de ter se casado com um coronel].
Ele já havia sido condenado por abuso de autoridade contra uma subordinada por um episódio de 2022, quando ainda era major e comandante do 29º Batalhão da Polícia Militar (29º BPM/M).



















