Caso Gisele: limpeza de apartamento foi gesto “humanitário”, diz PM
Corregedor diz que limpeza da cena do crime foi feita para poupar a família da vítima da tarefa. Coronel foi preso nesta 4ª por feminicídio
atualizado
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A Polícia Militar entendeu que não houve desvio de função das três policiais militares que limparam o apartamento onde a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça, no Brás, região central de São Paulo. O marido dela, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, foi preso nesta quarta-feira (18/3) por suspeita de feminicídio e fraude processual.
“As policiais que estiveram para fazer essa limpeza, o fizeram por uma questão de humanidade. No primeiro momento, a notícia que se tinha era de um suicídio. A polícia já tinha passado e liberado o local do crime. Não havia impedimento legal”, disse o corregedor da Polícia Militar, Alex dos Reis Asaka, em coletiva na Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Ainda segundo Asaka, a limpeza — realizada após o trabalho dos peritos — não foi feita no sentido de “suprimir qualquer tipo de crime, mas como um gesto humanitário, para que a família de Gisele não tivesse que se encarregar da tarefa em meio ao luto.
A PM informou que quem solicitou a presença das policiais no apartamento foi o coronel Allan Marques Bueno, comandante do CPAM-5, descartando a hipótese inicial de que o próprio suspeito do crime havia feito o acionamento.
Prisão do coronel
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi preso nesta quarta-feira em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba. O mandado de prisão foi cumprido pela Corregedoria da Polícia Militar e acompanhado por policiais civis.
Veja momento da prisão:
O inquérito policial militar aberto para investigar o caso apura possível prática de feminicídio e fraude processual por parte do coronel Neto. O caso foi tratado inicialmente como suicídio. A prisão preventiva do tenente-coronel foi decretada pela Justiça Militar de São Paulo após um pedido da Polícia Civil.
A prisão foi decretada após o avanço das investigações do 8º Distrito Policial do Brás, que analisou laudos periciais, depoimentos de testemunhas e registros das primeiras horas após o disparo que atingiu a cabeça da PM.
Os investigadores apontam que a dinâmica do caso não é compatível com a versão inicial dada pelo tenente-coronel. O mandado de prisão também menciona que a PM Gisele era vítima de violência física, psicológica e patrimonial por parte do marido.
Morte de PM levou à prisão de tenente-coronel
- A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo.
- Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
- Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
- Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.
- Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da policial militar.
- A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel. O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
- A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto nesta quarta-feira (18/3). Ele foi preso no mesmo dia em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.



















