PM Gisele sofria violência física, psicológica e patrimonial, diz TJM

Decisão do Tribunal de Justiça de Militar pela prisão do tenente-coronel Geraldo Neto indicou “reiteradas evidências de violência”

atualizado

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Caso PM Gisele violência tjm
1 de 1 Caso PM Gisele violência tjm - Foto: Arquivo Pessoal

O tenente-coronel Geraldo Leite Costa Neto, suspeito de feminicídio contra a esposa, a PM Gisele Alves Santana, teria praticado diversas violências contra ela, nas esferas física, psicológica e patrimonial, segundo consta no mandado de prisão determinado pelo Tribunal de Justiça Militar (TJM). Ele foi preso na manhã desta quarta-feira (18/3) em um condomínio residencial de São José dos Campos, no interior de São Paulo.

“O conjunto probatório até então produzido revelou indícios de uma relação conjungal profundamente conflituosa, marcada por reiteradas evidências de violência doméstica e familiar. Além disso, foram identificadas condutas atípicas e temporalmente dissonantes atribuídas ao investigado nos momentos anteriores e posteriores ao acionamento das equipes de socorro”, diz a decisão.

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Gisele foi socorrida e morreu no Hospital das Clínicas
No mesmo dia em que ela morreu, caso passou a ser investigado como morte suspeita
Coronel afirma desde o dia da morte da esposa que ela teria se matado
Soldado foi ferida com a arma do marido
Oficial teria comportamento controlador e ciumnto segundo testemunhas
WhatsApp de policial morta foi vizualizado quando ela já estava baleada
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WhatsApp de policial morta foi vizualizado quando ela já estava baleada

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Gisele foi socorrida e morreu no Hospital das Clínicas
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Gisele foi socorrida e morreu no Hospital das Clínicas

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No mesmo dia em que ela morreu, caso passou a ser investigado como morte suspeita
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No mesmo dia em que ela morreu, caso passou a ser investigado como morte suspeita

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Coronel afirma desde o dia da morte da esposa que ela teria se matado
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Coronel afirma desde o dia da morte da esposa que ela teria se matado

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Soldado foi ferida com a arma do marido
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Soldado foi ferida com a arma do marido

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Oficial teria comportamento controlador e ciumnto segundo testemunhas
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Oficial teria comportamento controlador e ciumnto segundo testemunhas

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Soldado era casada com tenente-coronel, que estava no apartamento no momento do tiro
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Soldado era casada com tenente-coronel, que estava no apartamento no momento do tiro

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A soldado Gisele deixou uma filha de 7 anos, fruto de outro relacionamento
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A soldado Gisele deixou uma filha de 7 anos, fruto de outro relacionamento

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Gisele Alves Santana tinha 32 anos
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Gisele Alves Santana tinha 32 anos

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Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada morta
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Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada morta

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Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita
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Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita

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O documento aponta que Gisele sofria violência física e psicológica, que se manifestava por meio de ameaças, atos de possessividade, monitoramento constante inclusive em seu trabalho e progressivo isolamento social. A PM também era impedida de trabalhar em determinadas circunstâncias, como atuar com colegas homens, que se caracteriza como uma violência patrimonial.

A conclusão do inquérito que resultou na prisão do tenente-coronel destacou que ele se utilizava de sua condição hierárquica no âmbito da instituição militar, um fato determinante para a potencialização da violência. “Nesse sentido, é possível afirmar que parte significativa das condutas violentas foi concretizada ou intensificada justamente em razão da ascendência hierárquica exercida pelo investigado”.

A decisãoa da Justiça Militar ainda cita que o episódio não é apenas um crime militar praticado por um oficial contra uma subordinada e nem somente um conflito doméstico entre militares. “O que se evidencia é algo mais grave: a prática de violência doméstica em que a autoridade estatal, simbolizada pela posição hierárquica do agressor, acabou por reforçar e ampliar o desequilíbrio de poder existente na relação conjugal, tornando ainda mais vulnerável a posição da vítima“.

Testemunhas revelam relação conturbada

No documento do TJM também consta que as testemunhas escutadas durante a investigação do caso relataram que o relacionamento do casal era marcado por episódios de ciúmes e comportamento controlador do tenente-coronel.

“Segundo colegas de trabalho da vítima [Gisele], coronel Neto frequentemente comparecia ao local de trabalho de Gisele, mesmo não possuindo qualquer atribuição funcional naquele ambiente”.

Prisão de Geraldo

O tenente-coronel da PM, Geraldo Leite Costa Neto, é agora investigado pela morte da esposa, a PM Gisele, que foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento do casal no Brás, centro da capital, no dia 18 de fevereiro.

O caso foi tratado inicialmente como suicídio, mas investigações mostraram inconsistências na versão dos fatos apresentados pelo marido da vítima.


Morte de PM levou à prisão de tenente-coronel


O advogado Eugênio Malavasi, que defende o tenente-coronel, questiona o mandado de prisão expedido pela Justiça Militar, já que, “se houve a imputação de feminicídio e fraude processual, foi no âmbito privado, e não no âmbito da Justiça Militar”.

“Entendo que a Justiça Militar não é competente para o decreto preventivo”, argumentou Malavasi.

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