Filha de 7 anos fez marcas no pescoço de PM morta, diz tenente-coronel
Para Geraldo Leite Rosa Neto, a forma como a PM Gisele Santana pegava a filha de 7 anos no colo pode justificar marcas atestadas em laudo
atualizado
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O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto disse que as lesões no pescoço e no rosto da esposa, a PM Gisele Alves Santana, atestadas pelo laudo necroscópico, foram feitas pela filha dela, de apenas 7 anos de idade. Para ele, a forma como Gisele pegava a criança no colo pode justificar as marcas no pescoço que apareceram no laudo.
“Ela [a criança] botava as perninhas entrelaçadas e segurava as mãos no pescoço. Eu não estava lá com elas, mas acho que, como passaram o dia no parque, [a Gisele] pode ter levado a filha no colo. Eu vi o laudo. Lá diz que as marcas eram na altura da mandíbula e da nuca. A posição que a menina ficava. O laudo diz que tinha marcas de unha. Eu não tenho unha. Eu roo. A filha dela é criança, mas tem uma unha bem grandinha”, disse em entrevista à TV Record.
O policial de 53 anos quebrou o silêncio e falou pela primeira vez sobre o ocorrido. Ele se pronunciou, nessa quarta-feira (11/3), sobre o caso em que sua esposa foi encontrada morta com um tiro na cabeça, dentro do apartamento em que morava no bairro do Brás, no centro de São Paulo.
Em uma conversa longa, o tenente-coronel negou ter matado a companheira e reafirmou a versão de que a mulher teria tirado a própria vida.
Tiro na cabeça
O oficial voltou a falar que estava tomando banho quando, segundo ele, Gisele deu um tiro na própria cabeça. Ao ver a esposa caída no chão, com sangramento na cabeça, Neto disse que não prestou os primeiros socorros à mulher, pois não tinha os equipamentos necessários para atender Gisele, mesmo tendo o conhecimento técnico para isso, aprendido na corporação.
O homem negou ter alterado a cena do crime e também refutou ter se aproximado do corpo da esposa. Ele acionou a Polícia Militar (PM) e o Corpo de Bombeiros para o resgate. O oficial narrou a chegada de três bombeiros, com equipamentos de resgate, como desfibrilador, maca etc.
Passou mal e tomou segundo banho
Na conversa, o tenente-coronel afirmou que começou a passar mal durante o atendimento da esposa, quando sua pressão arterial chegou a 20 por 18, conforme aferido por um médico que estava no local. Ele diz ter precisado tomar dois remédios para controlar a situação e ainda teria ouvido de um profissional da saúde que estaria prestes a ter um acidente vascular cerebral (AVC) ou infarto.
Em meio a essa situação, o oficial teria ido tomar um segundo banho. Na versão oficial do inquérito policial, depoimentos de policiais envolvidos no atendimento apontam que os agentes recomendaram Neto a não tomar banho e ir imediatamente à delegacia para prestar esclarecimentos. Porém, na fala ao vivo, o tenente-coronel contou que não recebeu qualquer recomendação quanto ao segundo banho.
Além disso, ele contou que não se sujou de sangue com o ocorrido, mas precisou se banhar pela carga emocional gerada.
O tenente-coronel também negou ter usado o seu cargo policial para interferir na investigação, dizendo que estava no local como morador do apartamento que acabou de ver a esposa morta, não como policial.
Banheiro seco e marca no pescoço
O policial militar também falou sobre dois tópicos, levantados durante a investigação, que geraram dúvidas quanto ao depoimento do coronel.
O primeiro foi sobre o banheiro seco. Uma das versões relatadas pelo próprio oficial é que ele estaria no banho quando ouviu um barulho vindo do apartamento. Ao sair do banheiro, segundo disse, encontrou a esposa caída no chão e fez as ligações de emergência.
Testemunhas, no entanto, relataram que o chão do apartamento estava seco, enquanto o coronel afirma ter saído do chuveiro instantes antes.
Em entrevista ao vivo, Neto negou a versão das testemunhas, argumentando que, inclusive, deixou o chuveiro ligado.
Sobre as marcas de estrangulamento analisadas pelo laudo médico no pescoço da vítima, o tenente-coronel negou ter sido o autor das lesões e levantou a hipótese de ter sido a filha de Gisele, um criança de 7 anos, durante uma caminhada em que a menina ficou no colo da mãe, com as mãos no pescoço dela.
Envio de PMs para limpar apartamento
Na entrevista, o tenente-coronel negou ter enviado as três policiais militares para limpar o apartamento do casal. Segundo ele, as agentes foram mandadas ao local pelo comandante dele, depois que o local já havia sido liberado.
No depoimento de uma testemunha obtido pelo Metrópoles, a inspetora do condomínio onde o casal vivia, Fabiana, contou que diversas pessoas foram ao apartamento após a morte da soldado.
Segundo o relato, três policiais teriam ido ao imóvel, às 17h48 do mesmo dia, para realizar a limpeza do local.
No relato consta também que o coronel Geraldo Rosa Neto teria retornado ao apartamento no mesmo dia para buscar alguns pertences antes de ir para São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
A mesma testemunha relatou, ainda, que, logo após o atendimento inicial à vítima, o coronel havia permanecido no corredor do prédio enquanto falava ao telefone, além de conversar com policiais que atendiam à ocorrência. Em certo momento, ao saber que ela ainda estava viva, ele teria dito que “ela não vai sobreviver”.



















