CPI das HIS deve pedir indiciamento de presidente do Sinduscon

Empresário diz já ter comprovado à CPI que sua empresa não cometeu irregularidades e cita envio de documentos à comissão. Entenda o caso

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Lucas Bassi / Câmara Municipal de SP
imagem colorida mostra vereadores da CPI das moradias sociais em são paulo
1 de 1 imagem colorida mostra vereadores da CPI das moradias sociais em são paulo - Foto: Lucas Bassi / Câmara Municipal de SP

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga fraudes na venda e destinação de moradias populares em São Paulo deve propor ao Ministério Público (MPSP) o indiciamento de Yorki Oswaldo Estefan, presidente do Sindicato da Construção Civil de São Paulo, considerada a maior associação de empresas do ramo na América Latina.

O Metrópoles apurou que a sugestão de indiciamento do empresário já consta no relatório que será apresentado pelo relator da CPI, vereador Murillo Lima (PP), nesta terça-feira (19/5).

Sócio-fundador da Conx Empreendimentos Imobiliários, Estefan nega que sua empresa tenha cometido qualquer fraude e afirma já ter enviado documentos à CPI comprovando a regularidade das vendas de moradias populares feitas pela Conx (saiba mais abaixo).


Entenda o caso

  • A sugestão de indiciamento do empresário foi incluída no relatório da comissão após uma suspeita apontada quando Estefan foi à Câmara Municipal de São Paulo, em abril deste ano.
  • Na ocasião, o presidente da CPI, vereador Rubinho Nunes (União), apresentou uma tabela com valores que supostamente seriam os praticados pela Conx na venda de Habitações de Mercado Popular (HMP) em Pinheiros.
  • Os preços da tabela estavam acima do permitido na legislação municipal para apartamentos da categoria HMP, que são destinados a pessoas com renda familiar de até 10 salários mínimos.
  • Segundo Rubinho, o documento indicaria que as unidades eram vendidas a mais de R$ 600 mil, quando o valor máximo estabelecido pela Prefeitura para esse tipo de imóvel seria de R$ 537 mil.
  • Estefan se comprometeu a verificar o caso e negou irregularidades. “Nós comercializamos exatamente de acordo com o padrão estabelecido”, afirmou o empresário na ocasião.

Procurado pelo Metrópoles na última sexta-feira (15/5), o presidente da Sinduscon disse que encaminhou à CPI uma lista com todos os contratos assinados no empreendimento citado por Rubinho. O documento mostra que as unidades foram vendidas dentro do limite estabelecido pela Prefeitura de São Paulo.

A lista aponta apenas um imóvel com valor acima do permitido, mas o apartamento foi comercializado antes do decreto municipal com limite de preço ser publicado.

“Aquilo [que o Rubinho Nunes mostrou] não era uma tabela de vendas”, afirmou Estefan, dizendo que a planilha era, na verdade, uma tabela de controle interno da construtora que mostra como seriam os “valores reais” dos imóveis se o preço do lançamento fosse corrigido pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).

Outros indiciados

O Metrópoles também confirmou os nomes de outros três empresários que devem aparecer no relatório com sugestão de indiciamento: o corretor Gustavo Nery Rocha, CEO da imobiliária Midrah Investimentos, e os sócios Márcio Minoru Matsuda e Márcio Gomes Cardoso, da Max Incorporadora.

Em vídeos publicados na internet e exibidos na CPI, Rocha admite que compra Habitações de Interesse Social (HIS) para potencializar seus lucros fazendo o chamado aluguel de curta duração em plataformas como Airbnb. Ele orienta seus clientes a adotar a mesma estratégia. O uso de HIS para Airbnb, no entanto, é proibido pela prefeitura e pode gerar multa.

“Eu não vou pagar 30% mais caro em uma unidade só por causa de um nome no contrato da unidade. Esse risco eu topo correr. Por 30% de prêmio, eu topo correr”, diz ele em um dos vídeos.


O corretor foi à CPI em novembro de 2025, por meio de um requerimento do vereador Nabil Bonduki (PT), vice-presidente da comissão. Ao ser questionado sobre os vídeos, Rocha permaneceu em silêncio. Depois do depoimento, o Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP) abriu um processo disciplinar contra ele e sua empresa.

O Metrópoles entrou em contato com a Midrah Investimentos, mas a imobiliária não quis se pronunciar.

No caso dos sócios da Max Incorporadora, o relatório da CPI deve apontar a suspeita de que a empresa vende moradias HIS e HMP por valores acima do permitido.

Em depoimento dos empresários à CPI em novembro de 2025, a vereadora Silvia da Bancada Feminista (PSol) mostrou uma tabela da Max onde imóveis do tipo HIS 2 aparecem com valor superior ao teto de R$ 369 mil imposto pela prefeitura. Um deles tinha o preço de quase R$ 440 mil.

Na época do depoimento, os sócios se defenderam afirmando que a tabela poderia ser um valor de revenda e negando irregularidades. O Metrópoles não conseguiu contato com a Max Incorporadora. O espaço segue aberto.

As sugestões de indiciamento serão encaminhadas ao MPSP para que o órgão avalie se vai ou não abrir um novo inquérito sobre o caso. Desde 2023, o MPSP já investiga as irregularidades envolvendo a venda de imóveis do tipo HIS e HMP. Recentemente, o órgão entrou com uma nova ação na Justiça para cobrar que a Prefeitura fiscalize as construtoras que fraudam a política pública.


O que investiga a CPI?

  • Desde 2014, a legislação municipal incentiva que construtoras façam Habitações de Interesse Social (HIS) e de Mercado Popular (HMP), voltadas a quem tem renda familiar de até seis e 10 salários-mínimos, respectivamente, em áreas valorizadas da cidade, próximas a estações de trem e metrô, por exemplo.
  • O objetivo seria aproximar a população mais pobre dos empregos e da infraestrutura urbana.
  • Para isso, construtoras que oferecem apartamentos do tipo HIS e HMP nos seus prédios ganham a possibilidade de construir empreendimentos mais altos, sem pagar a mais por isso, entre outros incentivos.
  • Na prática, no entanto, construtoras fizeram studios e venderam esses apartamentos para investidores, que, por sua vez, compravam os imóveis com o objetivo de fazer o chamado “aluguel de curta duração” no Airbnb.
  • Assim, vários empreendimentos ficaram vazios e tiveram seu uso desvirtuado da proposta original da política pública, não sendo ocupados pela população mais pobre.
  • O tema virou alvo de uma investigação no Ministério Público de São Paulo (MPSP) e de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal.
  • Em abril deste ano, a prefeitura enviou ofício com mais de 60 mil imóveis listados para as empresas de aluguel Airbnb, Booking e Quinto Andar para que os anúncios de curta temporada sejam retirados das plataformas.

Fim antecipado

Apelidada de CPI das HIS, a comissão que investiga desvios na política habitacional da capital paulista está prestes a ser encerrada.

Os vereadores teriam até o dia 11 de junho para encerrar os trabalhos, mas em uma votação com 4 votos favoráveis e 1 contrário, os parlamentares decidiram antecipar o fim da CPI em duas semanas.

A oposição criticou a medida alegando que empresas importantes para o caso, como a construtora Vitacon e a plataforma Booking não foram ouvidas, e chegou a acionar a Justiça para tentar evitar o fim da comissão.

O relator da CPI, Murillo Lima (PP), afirma, no entanto, que tanto a Vitacon quanto a Booking já enviaram informações por escrito.

“A CPI já se encontra em caráter de prorrogação. O proposto inicialmente era para encerramento em 11 de fevereiro, após a prorrogação finalizaria dia 11 de junho. Dito isso, teríamos algum tipo de prejuízo se tivéssemos encerrado no primeiro prazo. Hoje, sabendo de todos os avanços que conseguimos – transparência, aplicação de multas e fortalecimento da política pública -, a CPI sai vitoriosa e mostrando muito trabalho”, afirmou o relator ao Metrópoles na semana passada.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?