Como viúva do fundador do Objetivo descobriu fraude e acionou MPSP
Sandra Rejane Gomes Miessa é viúva e inventariante do espólio do bilionário João Carlos Di Genio. Ela denunciou tentativa de fraude ao MPSP
atualizado
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Sandra Rejane Gomes Miessa, viúva do bilionário João Carlos Di Genio (imagem destacada) e inventariante do respectivo espólio, foi quem descobriu a tentativa de desvio de R$ 845 milhões da herança do empresário fundador do Grupo Objetivo e da Universidade Paulista (Unip). Ao todo, nove pessoas foram alvos de mandados de prisão preventiva nessa terça-feira (31/3), suspeitos de participarem da tentativa de golpe.
Em nota à imprensa, o grupo Unip/Objetivo informou que a viúva afirmou ter percebido o golpe em meados de 2025. Na época, a mulher tomou conhecimento que os suspeitos estavam cobrando valores milionários com base em uma venda imobiliária — ela acabou descobrindo que a venda era inexistente, forjada com o uso de assinaturas falsificadas.
Na sequência, Sandra Rejane registrou uma notícia de fato no Ministério Público de São Paulo (MPSP), pedindo uma investigação. Ainda no posicionamento veiculado nessa terça-feira (31/3), a mulher afirmou confiar no trabalho das autoridades para o esclarecimento dos fatos e aresponsabilização dos envolvidos.
Investigação do MPSP
A partir da denúncia de Sandra Rejane, o MPSP começou a investigar o caso e descobriu que o esquema de tentativa de desvio da herança começou em novembro de 2021, poucos meses antes da morte de João Carlos Di Genio. À época, os suspeitos forjaram documentos para simular que Di Genio teria celebrado um compromisso de compra e venda de um imóvel com a empresa Colonizadora Planalto Paulista.
Laudos periciais confirmaram que as assinaturas do empresário e de seu procurador foram falsificadas por meio de decalque e montagem. Foram fabricados contratos envolvendo 448 imóveis em Piraju, no interior de São Paulo, além de uma nota promissória de R$ 635 milhões e termos de entrega de posse, todos com assinaturas falsas.
Os investigados ainda criaram uma corte arbitral de fachada para tornar a fraude mais confiável.
Em agosto de 2024, o grupo investigado teria notificado o espólio do empresário, exigindo o pagamento da suposta dívida, no valor de R$ 845 milhões.
No entanto, a viúva de Di Genio, Sandra Rejane negou a dívida e alegou desconhecer o negócio. Então, o grupo tentou induzir o Poder Judiciário ao erro ao protocolar um pedido de habilitação de crédito no processo de inventário.
Embora eles tenham conseguido inicialmente a reserva do valor, a decisão foi posteriormente desconstituída pelo Tribunal de Justiça (TJSP) devido aos indícios de fraude.
Quem são os alvos:
- Anani Candido de Lara: sócio da empresa, também investigada, Colonizadora Planalto Paulista, apontado como figura central na fraude, responsável por confeccionar documentos e participar diretamente da cadeia contratual fraudada.
- Luiz Teixeira da Silva Júnior: detentor de 95% do capital social da Colonizadora Planalto Paulista e, segundo a investigação, teria dado sustentação financeira e jurídica à fraude. O suspeito é conhecido do noticiário, visto que foi alvo de uma operação da Polícia Federal em 2019, que apontou ligação do investigado com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Também está envolvido no episódio em que Pablo Marçal (União Brasil) divulgou um falso laudo médico contra Guilherme Boulos (PSol), seu adversário nas eleições de 2024.
- Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura: apontada como a suposta “juíza arbitral” da Fonamsp (Fórum de Negócios e Finanças Internacionais e Nacionais por Arbitragem e Mediação Ltda.), sendo a autora da sentença arbitral simulada que gerou a cobrança milionária.
- Rubens Maurício Bolorino: aparece como testemunha nos contratos falsificados para dar aparência de veracidade ao negócio.
- Wagner Rossi Silva: identificado pela investigação como o operador logístico, responsável pelo manuseio dos documentos falsos e diligências em cartórios.
- Patricia Alejandra Ormart Barreto: apontada como suspeita de simular notificações fraudulentas para forçar revelia do espólio.
- Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira: responsável por intermediar contatos e facilitar a narrativa de que a negociação era legítima.
- Camila Mariana Alejandra Piaggio Nogueira Ormat: investigação aponta participação dela na estruturação formal dos documentos usados na arbitragem.
- Carlos Xavier Lopes: autoridades acreditam que ele estava envolvido no núcleo financeiro, atuando na dissimulação da origem e destino de recursos.
- Foram alvos de mandados de busca e apreensão Luiza Marcsicana de Freitas e as pessoas jurídicas Colonizadora Planalto Paulista, empresa que alegava ser a credora da dívida bilionária baseada em um negócio imobiliário inexistente, e a Fonamsp, entidade arbitral de fachada utilizada para fabricar o título executivo.
Prisão
Dos nove mandados de prisão preventiva, apenas um foi cumprido. Nessa terça-feira, Jorge Alberto de Oliveira foi preso. Ele é apontado pelo MPSP como o responsável por intermediar contatos e facilitar a narrativa de que a negociação era legítima. Oito suspeitos ainda são considerados foragidos da Justiça.
Além disso, a Operação Objetivo cumpriu 15 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.
