Quem foi fundador do Unip/Objetivo que teve herança alvo de golpistas
Operação do MPSP cumpre 9 mandados de prisão contra suspeitos de tentar desviar milhões de herança do fundador do grupo Unip/Objetivo
atualizado
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Morto aos 82 anos, em fevereiro de 2022, o empresário João Carlos di Genio fundou um dos maiores grupos educacionais do país, o Unip/Objetivo, que inclui universidade, escola, curso e sistema educacional. A tentativa de desvio de R$ 845 milhões de sua herança é alvo de uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrada nesta terça-feira (31/3) (leia mais abaixo).
Di Genio era médico, professor e pecuarista. Formado em medicina pela Universidade de São Paulo (USP), onde passou em primeiro lugar em 1961, ao decidir ingressar na carreira acadêmica, criou um dos maiores grupos de educação privada no país.
Objetivo e Unip
Foi em 1965, quando ainda estudava medicina na USP, que criou o curso Objetivo, com mais três colegas e amigos: Dráuzio Varella, Roger Patti e Tadasi Itto. Seis anos depois, o Colégio Objetivo foi oficialmente fundado e, no ano seguinte, criou as faculdades Objetivo.
“A inteligência e os talentos devem ser tratados como a riqueza de um país”, era um dos lemas de Di Genio.
Em 1988, elas foram transformadas na Universidade Paulista (Unip), uma instituição que tem mais de 300 mil alunos de ensino superior em diversas áreas. Em 2021, foi anunciado o curso de medicina na Unip.
Operação Objetivo
O MPSP realiza nesta terça, com a Polícia Civil, a Operação Objetivo, contra um grupo suspeito de tentar desviar R$ 845 milhões da herança de João Carlos Di Genio.
De acordo com a promotoria, as investigações apontam que suspeitos, com longo histórico criminal, valeram-se de documentos falsos, fraude processual, corrupção, e simularam procedimentos arbitrais, para simular a legalidade em um esquema de cobranças milionárias indevidas.
Seguindo esse procedimento, o grupo tentou validar dívida inexistente de aproximadamente R$ 845 milhões perante a Justiça. O MPSP afirmou que os suspeitos teriam criado contratos falsos, posteriormente utilizados para embasar demandas judiciais e procedimentos arbitrais simulados, com o intuito de induzir vítimas e o próprio Poder Judiciário a erro.
O grupo ainda teria criado duas empresas de fachada para auxiliar no esquema. Ambas as companhias são investigadas e foram alvo de mandados de busca e apreensão.
Ao todo, são cumpridos nove mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, além do sequestro de bens e ativos financeiros dos investigados. A operação é uma ação conjunta do Ministério Público, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e da Polícia Civil de São Paulo.
Viúva comunicou suspeitas
Em nota ao Metrópoles, a viúva de Di Genio, Sandra Rejane Gomes Miessa, ressaltou que tomou conhecimento, em meados 2025, de que terceiros estariam cobrando valores milionários, com base em operação imobiliária inexistente, forjada com a utilização de assinaturas falsificadas e outros expedientes ilícitos.
Os fatos, segundo ela, que é inventariante do espólio do empresário, foram devidamente comunicados às autoridades competentes, com todas as provas até então disponíveis.
“Destaca-se, por fim, a confiança no trabalho das autoridades para cabal elucidação dos fatos e responsabilização dos envolvidos”, termina a nota de Miessa.
