Quem são os acusados de tentar desviar milhões de fundador do Objetivo

Operação cumpre 9 mandados de prisão preventiva contra o grupo suspeito de tentar desviar R$ 845 milhões do fundador do grupo Unip/Objetivo

atualizado

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Imagem colorida de suspeitos investigados em operação do MPSP. Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de suspeitos investigados em operação do MPSP. Metrópoles - Foto: Arte/ Metrópoles – Lara Abreu

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil de São Paulo cumprem nove mandados de prisão preventiva contra um grupo suspeito de tentar desviar R$ 845 milhões da herança do empresário João Carlos Di Genio, empresário fundador do Grupo Unip/Objetivo.


São os alvos:

  • Anani Candido de Lara: sócio da empresa, também investigada, Colonizadora Planalto Paulista, apontado como figura central na fraude, responsável por confeccionar documentos e participar diretamente da cadeia contratual fraudada.
  • Luiz Teixeira da Silva Júnior: detentor de 95% do capital social da Colonizadora Planalto Paulista e, segundo a investigação, teria dado sustentação financeira e jurídica à fraude. O suspeito é conhecido do noticiário, visto que foi alvo de uma operação da Polícia Federal em 2019, que apontou ligação do investigado com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
  • Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura: apontada como a suposta “juíza arbitral” da Fonamsp (Fórum de Negócios e Finanças Internacionais e Nacionais por Arbitragem e Mediação Ltda), sendo a autora da sentença arbitral simulada que gerou a cobrança milionária.
  • Rubens Maurício Bolorino: aparece como testemunha nos contratos falsificados para dar aparência de veracidade ao negócio.
  • Wagner Rossi Silva: identificado pela investigação como o operador logístico, responsável pelo manuseio dos documentos falsos e diligências em cartórios.
  • Patricia Alejandra Ormart Barreto: apontada como suspeita de simular notificações fraudulentas para forçar revelia do espólio.
  • Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira: responsável por intermediar contatos e facilitar a narrativa de que a negociação era legítima.
  • Camila Mariana Alejandra Piaggio Nogueira Ormat: investigação aponta participação dela na estruturação formal dos documentos usados na arbitragem.
  • Carlos Xavier Lopes: autoridades acreditam que ele estava envolvido no núcleo financeiro, atuando na dissimulação da origem e destino de recursos.

Também foram alvos de 15 mandados de busca e apreensão Luiza Marcsicana de Freitas e as pessoas jurídicas Colonizadora Planalto Paulista, empresa que alegava ser a credora da dívida bilionária baseada em um negócio imobiliário inexistente, e a Fonamsp, entidade arbitral de fachada utilizada para fabricar o título executivo.

Até o momento desta publicação, ainda não havia a confirmação de presos durante a operação.

Como funcionava o esquema

Segundo a investigação do MPSP, o esquema de desvio do espólio de João Carlos Di Genio começou em novembro de 2021, poucos meses antes da morte do empresário bilionário. À época, os investigados forjaram documentos para simular que Di Genio teria celebrado um compromisso de compra e venda com a empresa Colonizadora Planalto Paulista.

Laudos periciais confirmaram que as assinaturas do empresário e de seu procurador foram falsificadas por meio de decalque e montagem. Foram fabricados contratos envolvendo 448 imóveis em Piraju, no interior de São Paulo, além de uma nota promissória de R$ 635 milhões e termos de entrega de posse, todos com assinaturas falsas.

Em agosto de 2024, o grupo investigado teria notificado o espólio do empresário exigindo o pagamento da suposta dívida, no valor de R$ 845 milhões. Diante da negativa e do desconhecimento do negócio pela inventariante, o grupo tentou induzir o Poder Judiciário em erro ao protocolar um pedido de habilitação de crédito no processo de inventário. Embora tenham conseguido inicialmente a reserva do valor, a decisão foi posteriormente desconstituída pelo Tribunal de Justiça (TJSP) devido aos indícios de fraude.

Segundo a promotoria, as investigações apontam que suspeitos, com longo histórico criminal, se valeram de documentos falsos, fraude processual, corrupção e simularam procedimentos arbitrais, para fazer um esquema de cobranças milionárias indevidas parecer legal.

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