Executiva do Carrefour é alvo de operação contra corrupção na Fazenda
Luciene Petroni Castro Neves é head de tributos do Carrefour. Ela foi alvo de buscas e apreensões em operação contra corrupção na Fazenda
atualizado
Compartilhar notícia

Executiva do Carrefour, Luciene Petroni Castro Neves é um dos alvos da operação deflagrada nesta quinta-feira (26/3) pelo Ministério Público de SP (MPSP) contra um “esquema estruturado” de corrupção envolvendo servidores da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.
Castro Neves atua como head de tributos da rede de supermercados há quase 10 anos. Ela é alvo de um mandado de busca e apreensão no âmbito da Operação Fisco Paralelo. Além disso, outros 21 mandados de busca foram cumpridos nesta quinta, nas cidades de São Paulo, Campinas, Vinhedo e São José dos Campos.
O Metrópoles solicitou, via e-mail e WhatsApp, um posicionamento da empresa Carrefour, mas ainda não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para atualizações.
Desdobramento da Operação Ícaro
A ação, realizada na manhã desta quinta, é um desdobramento da Operação Ícaro, que prendeu o dono da Ultrafarma, Sidney Oliveira, em agosto do ano passado.
Além do endereço relacionado à executiva, outros locais onde foram cumpridos mandados são vinculados a servidores da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, incluindo a Delegacia Regional Tributária da Capital II (Lapa), a Delegacia Regional Tributária da Capital III (Butantã), a Delegacia Regional Tributária 12 (DRT-12 – ABCD), a Delegacia Regional Tributária 14 (DRT-14 – Osasco) e a Diretoria de Fiscalização (Difis).
Segundo a Polícia Militar, em Campinas, as autoridades apreenderam três aparelhos celulares do modelo Iphone, um Ipad, dois lap tops, quase R$ 21,9 mil, US$ 1,8 mil e 95 libras – todas as quantias em espécie. Já em São José dos Campos, as autoridades apreenderam seis pen drives, uma CPU, um notebook, dois celulares e diversos documentos.
De acordo com o Ministério Público, a operação acontece após as investigações apurarem a existência de um esquema estruturado de corrupção, destinado à manipulação indevida de procedimentos fiscais envolvendo ressarcimento de ICMS-ST e créditos acumulados de ICMS, com possível pagamento de vantagens ilícitas e lavagem de dinheiro.
Relembre a Operação Ícaro
- Em agosto do ano passado, o MPSP deflagrou a Operação Ícaro, que apura um esquema de fraude na concessão de créditos de ICMS. Na ocasião, seis pessoas foram presas:
- Artur Gomes da Silva Neto, apontado como principal operador do esquema. Ele é auditor e supervisor da Diretoria de Fiscalização da Fazenda estadual paulista e teria recebido mais de R$ 1 bilhão em propina;
- Sidney Oliveira, empresário dono da Ultrafarma, preso na chácara em Santa Isabel, na Grande São Paulo;
- Mário Otávio Gomes, diretor estatutário da Fast Shop, detido em um apartamento, na zona norte da capital;
- Marcelo de Almeida Gouveia, auditor da Secretaria da Fazenda que auxiliava Artur nas negociações com a Fast Shop. Com ele, o MPSP encontrou R$ 330 mil em espécie, mais US$ 10 mil e 600 euros;
- Celso Éder Gonzaga e Tatiana de Araújo, presos em Alphaville, na região metropolitana. Com o casal, foram encontrados R$ 1,2 milhão, R$ 200 mil em criptomoedas, US$ 10.700, relógios avaliados em R$ 8 milhões e 1.590 euros.
- O MPSP também cumpriu 19 mandados de busca e apreensão. Além dos valores sequestrados dos detidos, foram retidos R$ 73 mil e US$ 13 mil com uma das contadoras envolvidas no esquema.
- No centro do esquema, segundo os promotores do MPSP, estava o auditor Artur Gomes da Silva Neto, então supervisor da Diretoria de Fiscalização da Fazenda estadual. Ele tinha contato direto com os empresários e teria recebido propina por meio de uma empresa em nome da sua mãe. O esquema consistia na emissão de créditos de ICMS inflacionados e funcionava ao menos desde 2021.
Em nota, a Secretaria da Fazenda e Planejamento do estado (Sefaz-SP) informou que atua desde a deflagração da Operação Ícaro, em agosto de 2025, em conjunto com o MPSP, colaborando com as investigações.
“Como integrante do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos, a Sefaz-SP tem atuado em diversas frentes e operações de combate à sonegação fiscal, à lavagem de dinheiro e a ilícitos contra a ordem tributária, em conjunto com os órgãos responsáveis pela operação deflagrada em 13/3”, diz o texto.










