Preso 1º suspeito de tentar desviar herança de fundador do Objetivo
Jorge Alberto era responsável por intermediar contatos e facilitar a narrativa de esquema que tentou desviar R$ 845 milhões de herança
atualizado
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A Polícia Civil prendeu um dos integrantes do grupo suspeito de tentar desviar R$ 845 milhões da herança do empresário João Carlos Di Genio, fundador do Grupo Unip/Objetivo. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira (foto de destaque) era responsável por intermediar contatos e facilitar a narrativa de que a negociação era legítima. Oito suspeitos ainda estão foragidos.
Nessa terça-feira (31/3), uma operação mobilizou policiais que buscavam cumprir nove mandados de prisão e 15 de busca e apreensão. Segundo a investigação, o esquema de desvio do espólio de Di Genio começou em novembro de 2021, poucos meses antes de sua morte. À época, os investigados forjaram documentos para simular que o empresário teria celebrado um compromisso de compra e venda com a empresa Colonizadora Planalto Paulista.
Quem são os alvos:
- Anani Candido de Lara: sócio da empresa, também investigada, Colonizadora Planalto Paulista, apontado como figura central na fraude, responsável por confeccionar documentos e participar diretamente da cadeia contratual fraudada.
- Luiz Teixeira da Silva Júnior: detentor de 95% do capital social da Colonizadora Planalto Paulista e, segundo a investigação, teria dado sustentação financeira e jurídica à fraude. O suspeito é conhecido do noticiário, visto que foi alvo de uma operação da Polícia Federal em 2019, que apontou ligação do investigado com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Também está envolvido no episódio em que Pablo Marçal (União Brasil) divulgou um falso laudo médico contra Guilherme Boulos (PSol), seu adversário nas eleições de 2024.
- Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura: apontada como a suposta “juíza arbitral” da Fonamsp (Fórum de Negócios e Finanças Internacionais e Nacionais por Arbitragem e Mediação Ltda.), sendo a autora da sentença arbitral simulada que gerou a cobrança milionária.
- Rubens Maurício Bolorino: aparece como testemunha nos contratos falsificados para dar aparência de veracidade ao negócio.
- Wagner Rossi Silva: identificado pela investigação como o operador logístico, responsável pelo manuseio dos documentos falsos e diligências em cartórios.
- Patricia Alejandra Ormart Barreto: apontada como suspeita de simular notificações fraudulentas para forçar revelia do espólio.
- Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira: responsável por intermediar contatos e facilitar a narrativa de que a negociação era legítima.
- Camila Mariana Alejandra Piaggio Nogueira Ormat: investigação aponta participação dela na estruturação formal dos documentos usados na arbitragem.
- Carlos Xavier Lopes: autoridades acreditam que ele estava envolvido no núcleo financeiro, atuando na dissimulação da origem e destino de recursos.
- Foram alvos de mandados de busca e apreensão Luiza Marcsicana de Freitas e as pessoas jurídicas Colonizadora Planalto Paulista, empresa que alegava ser a credora da dívida bilionária baseada em um negócio imobiliário inexistente, e a Fonamsp, entidade arbitral de fachada utilizada para fabricar o título executivo.
Como funcionava o esquema
Laudos periciais confirmaram que as assinaturas do empresário e de seu procurador foram falsificadas por meio de decalque e montagem. Foram fabricados contratos envolvendo 448 imóveis em Piraju, no interior de São Paulo, além de uma nota promissória de R$ 635 milhões e termos de entrega de posse, todos com assinaturas falsas.
Em agosto de 2024, o grupo investigado teria notificado o espólio do empresário exigindo o pagamento da suposta dívida, no valor de R$ 845 milhões. Diante da negativa e do desconhecimento do negócio pela inventariante, o grupo tentou induzir o Poder Judiciário a erro ao protocolar um pedido de habilitação de crédito no processo de inventário. Embora tenham conseguido inicialmente a reserva do valor, a decisão foi posteriormente desconstituída pelo Tribunal de Justiça (TJSP) devido aos indícios de fraude.
Segundo a promotoria, as investigações apontam que suspeitos, com longo histórico criminal, valeram-se de documentos falsos, fraude processual, corrupção e simularam procedimentos arbitrais para fazer um esquema de cobranças milionárias indevidas parecer legal.
Viúva comunicou suspeitas
Em nota ao Metrópoles, a viúva de Di Genio, Sandra Rejane Gomes Miessa, ressaltou que tomou conhecimento, em meados 2025, de que terceiros estariam cobrando valores milionários, com base em operação imobiliária inexistente, forjada com a utilização de assinaturas falsificadas e outros expedientes ilícitos.
Os fatos, segundo ela, que é inventariante do espólio do empresário, foram devidamente comunicados às autoridades competentes, com todas as provas até então disponíveis.
“Destaca-se, por fim, a confiança no trabalho das autoridades para cabal elucidação dos fatos e responsabilização dos envolvidos”, termina a nota de Miessa.
