Flávio beija de língua e Lula tira chapéu: as vacinas dos candidatos
Lula tenta afastar dúvidas sobre a saúde, enquanto Flávio explora vida familiar, isolamento político e acusações contra seu vice

Lula e Flávio Bolsonaro usaram o primeiro ato da campanha eleitoral, que começa oficialmente neste domingo, para aplicar vacinas às principais questões levantadas pelos eleitores sobre suas candidaturas.
O petista começou o discurso sendo claro sobre o uso de chapéu para se apresentar em público. Lula levantou o acessório rapidamente para mostrar como está sua recuperação após, esclareceu, fazer radioterapia para o tratamento de um câncer de pele.
O diagnóstico foi dado em abril deste ano e, desde então, Lula escolheu um chapéu-panamá para se apresentar em público e não falou mais no assunto. Aos 80 anos, mostrar que tem saúde para aguentar mais um mandato é uma preocupação constante da campanha petista para ganhar os votos dos indecisos.
Já a vacina da primeira-dama Janja da Silva foi para os petistas. Num discurso escrito pelos marqueteiros, Janja foi obrigada a citar dona Marisa Letícia várias vezes e a creditar à primeira mulher o sucesso de Lula.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEm julho, Janja menosprezou todas as antecessoras ao dizer que o Brasil “nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse efetivamente”. O nome de Marisa não é pronunciado em suas entrevistas. Petistas dizem que ela mandou, inclusive, tirar qualquer lembrança da visão de Lula e se chocou com o fotógrafo onipresente do presidente porque ele era considerado um filho por Marisa Letícia.
Flávio Bolsonaro também usou o ato de campanha no Rio para aplicar vacinas a temas delicados para sua candidatura. Não à toa, passou o evento todo com a mulher a tiracolo, a quem abraçava e beijava sem cerimônia, até lhe dar um beijo de língua ao final do discurso. Fernanda entrou na campanha para amenizar a imagem do marido com as mulheres, após Michelle Bolsonaro acusá-lo de menosprezá-la, e agora é presença obrigatória no palanque.
A campanha do filho 01 de Jair Bolsonaro teve ainda outras três vacinas para rebater as desconfianças pelo seu isolamento, seu vice e o viés autoritário do pai.
“Está todo mundo contra mim”, disse Flávio. Com uma frase só, tenta dizer que tudo o que for publicado contra ele é perseguição e explicar seu isolamento: não conseguiu o apoio de nenhum partido.
Também afirmou que “todo mundo vê que Bolsonaro não foi obstáculo para a democracia”. A despeito de o pai estar preso, condenado por tentar dar um golpe de Estado, Flávio aproveitou o momento em que Janja defende o bloqueio do Discord no Brasil e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, mandou apreender o celular de um jornalista para descobrir sua fonte de informação, para reforçar sua defesa pela liberdade de expressão.
O tema mais delicado da campanha de Flávio também foi abordado no palanque como vacina contra o que ainda pode vir. O vice Alfredo Gaspar foi apresentado por Flávio como “a maior vítima de fake news do Brasil”. O Supremo autorizou uma investigação preliminar para avaliar a acusação de que o vice de Flávio estuprou uma menina de 13 anos.
O presidenciável disse que o vice foi escolhido porque é do Nordeste e porque investigou o esquema do INSS. Tenta, com isso, emplacar a narrativa de que o vice foi alvo da acusação quando mandou prender o filho de Lula, o Lulinha, investigado por seus negócios com o principal operador do esquema de desvio de dinheiro de aposentados e pensionistas. Se ancora no fato de que a denúncia de estupro foi apresentada pelo petista Lindbergh Faria (RJ).





